A ideia de um torneio de meio de temporada na liga nunca foi uma unanimidade, mas a competição decolou. Os números de audiência da terceira edição e os atletas cada vez mais engajados comprovam isso. No entanto, todos sabem que dá para ser melhor. O próprio comissário Adam Silver admitiu isso antes da final desse ano. Chegou a hora, então, de pensarmos em mudanças para a Copa NBA 2026.
É preciso dizer que, antes de tudo, alterações radicais estão fora de cogitação. Afinal, o objetivo principal do torneio – gostemos ou não – está sendo alcançado. Ele virou uma fonte de receitas extra muito boa para a NBA. A maioria dos torcedores oscila entre o “gostar” e o “não se incomodar”. Os jogadores, enquanto isso, mostram um nível de mobilização para competir raro no início da temporada.
Por isso, nós vamos falar sobre ajustes possíveis. Sugestões que podem ser acatadas porque não representam uma “revolução” nas bases da competição. Aqui estão cinco mudanças que gostaríamos de ver para a Copa NBA 2026:
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1. Casa nova
Essa vai ser a primeira sugestão porque Adam Silver já revelou que é uma questão em debate e deve acontecer. Depois de três anos com os jogos decisivos em Las Vegas, a NBA precisa mudar a sede das semifinais e decisão. A cidade foi ideal para a proposta “caça-níquel” do início da competição, mas, agora, o momento é outro. O torneio quer virar uma tradição e, por isso, deve focar em destinos mais relevantes para a liga.
O comissário considera levar a Copa para grandes centros do basquete universitário dos EUA, o que gosto. É uma boa ideia, certamente. Mas gosto ainda mais da ideia de levá-la para locais candidatos a receber um time de expansão. Pode servir como um tipo de evento-teste para Seattle, Vancouver, Louisville e tantos outros locais que pedem para voltar ao mapa da liga.
Certo é que Las Vegas, por enquanto, precisa de um “descanso”. O caráter impessoal e casual do torcedor da cidade ficou mais evidente a cada ano. O ambiente do jogo, com isso, perde demais. O torneio precisa de outros ativos além de dinheiro para virar uma tradição. Além disso, as finais passaram a sofrer com a (brutal) concorrência local conforme deixam de ser novidade.
A Copa começou na batalha por público com o Aces (WNBA) e Raiders (NFL). Mas, sem o fator novidade e um time da cidade, agora compete com as máquinas de cassino, mesas de blackjack, shows dos Backstreet Boys e covers do Elvis na rua.
2. Vantagem competitiva
Eu sempre fui contra que o All-Star Game decidisse o mando de quadra nas finais, por exemplo. Sou contra uma partida festiva ter influência sobre os rumos da temporada. Mas eu acho que o caso da Copa NBA é diferente. Eu vejo os jogadores falando muito sobre as vantagens de vencê-la em um nível pessoal. Mas, se as camisas das equipes estão em quadra, elas deveriam receber algum tipo de prêmio também.
A verdade é que é muito estranho ver times em quadra competindo por um torneio em que não ganham nada. Afinal, para o atual campeão New York Knicks, o título não vale nem levantar um banner comemorativo.
A questão mais difícil é pensar em qual pode ser esse prêmio viável para os times. Pois não acho que deva ser algo muito invasivo dentro dos resultados da temporada regular. Você não pode minimizar uma maratona de 82 jogos. A minha proposta é: ser campeão vira o primeiro critério de desempate entre times na tabela.
Isso pode parecer pouco, eu sei. Mas você sabia que tivemos 16 situações de empate na tabela nas zonas de classificação aos playoffs e play-in só nas últimas cinco temporadas? Trinta e seis times estiveram envolvidos nelas.
3. Calendário
Das mudanças propostas, a princípio, essa é a mais complicada para a Copa NBA 2026. Eu gostaria que a competição tivesse uma maior duração e, com isso, não terminasse com menos de dois meses de campanha. Mas, em parte, ele existe para isso: é sobre dar mais peso ao início da temporada, “animando” jogadores, treinadores e equipes. Ou seja, essa é meio que impossível.
Uma alteração mais viável, no entanto, seria dar um lugar mais “nobre” à final da Copa no calendário. É bem estranho ver essa final em jogo único, dita tão importante para a liga, ocorrer em uma terça-feira duas semanas antes do Natal. Ainda mais se todos os times vão estar em quadra mais uma vez depois de 48 horas. Não há nada especial na forma como as semifinais e finais do torneio estão inseridas na temporada.
Você não pode só falar que algo é importante. É preciso, mais do que isso, tratá-lo com essa importância para que a ideia cresça.
Um dos próximos desafios da NBA precisa assumir é criar a sua versão do Final Four do Torneio da NCAA na Copa. Porque, para ser sincero, assistir a uma partida às 22h de uma terça do meio de dezembro ainda não me passa a sensação de ser algo decisivo. E, nesse caso, tanto faz se as partidas são em quadra neutra e a quadra tem um design diferente.
4. Parem de falar em dinheiro!
Todos sabem que a liga começou o torneio de meio de temporada, antes de tudo, como um “caça-níquel”. Mas, desde então, tem sido firme em tentar minimizar essa questão financeira. É importante que o público não veja os atletas como mercenários. Por isso, uma das principais mudanças que a Copa NBA poderia ter em 2026 é transformar isso em uma ação sistemática. Todo mundo precisa falar menos em dinheiro.
Não é mentira quando Jaden McDaniels, por exemplo, diz que “ao ver aquela quadra diferente, penso que é hora de buscar a grana”. Mas essa mensagem não deixa de ser desagradável. Um jogador que já ganha mais de US$30 milhões por temporada diz que precisa de ainda mais dinheiro para se sentir motivado. Motivado, aliás, a fazer o trabalho pelo qual recebe esse salário milionário.
Me lembra Shai Gilgeous-Alexander dizendo que a forma de melhorar a competitividade do All-Star Game era dar um prêmio em dinheiro. Pode ser verdade, mas o que devemos pensar desses jogadores?
Ninguém aqui quer viver em um mundo de fantasia: todo mundo quer os US$500 mil de premiação. Nem que seja para doar e/ou distribuir entre os profissionais da sua equipe, como Jalen Brunson fez. Mas não precisamos ser lembrados sempre que eles querem ainda mais dinheiro para fazerem o que já recebem muito bem para fazer. Não ajuda a imagem de ninguém.
5. Banners
Nenhuma das mudanças aqui propostas para a Copa NBA 2026 tem mais a ver com o valor do que a questão do banner. Afinal, nada contribui para relativizar e minimizar mais esse torneio do que, logo depois do título, se discutir se um time vai colocar um banner em seu ginásio. Isso ficou mais a mostra porque o Knicks, nesse ano, decidiu não o fazer. Era uma questão de tempo.
A franquia de Nova Iorque tem flâmulas de comemoração a títulos de divisão. Então, como justificar que um torneio que deveria ser tão importante na liga não valha um banner?
A NBA precisa propor uma padronização nesse sentido. Ou seja, deve obrigar que todos tenham algum tipo de item celebratório para a conquista. Talvez, até propor um banner especial padrão para todos os campeões. Pois a lógica é simples: algo importante deve ser celebrado e lembrado. Deve ficar na história, ser motivo de orgulho e, por fim, exposto para sempre.
A NBA precisa que os times valorizem a Copa como um título da liga. Por mais que não seja o título da liga.
Ponto extra: quadras
Eu acho bem difícil que a NBA não anuncie algumas mudanças para as quadras visando a Copa em 2026. Os jogadores vêm reclamando muito sobre a estabilidade em alguns dos pisos. Esse é um ponto muito importante. E, além disso, não seria nada ruim do ponto de vista estético. Há algumas equipes que “se esforçam demais” com os designs das suas quadras.
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Fonte: Reprodução / X

