Warriors, Blazers e mais: o futuro dos técnicos ameaçados na NBA
Integrantes do site e convidados analisam se times deveriam demitir treinadores sob risco

Golden State Warriors, Portland Trail Blazers e Houston Rockets têm uma questão em comum após o fim de suas temporadas na NBA: o impasse com os seus técnicos. Não são só esses três, mas várias franquias não estão “fechadas” com os seus treinadores atuais. É o retrato, antes de tudo, de como a vida útil desses profissionais na liga está cada vez menor.
O mundo mudou e, com isso, muita coisa se complicou. Os rumores circulam mais, as redes sociais fazem mais pressão. Então, hoje, chegar ao play-in ou playoffs da NBA não basta para garantir a sequência de um treinador.
E o que as equipes deveriam fazer? É para discutir isso que estamos aqui. Convocamos os integrantes do Jumper Brasil e um convidado especial (Gabriel Martins, do podcast “Cara dos Sports”) para discutir o que fazer com esses técnicos.
Será que o Warriors deveria desistir de Steve Kerr? Vale a pena para o Rockets manter Ime Udoka? E, além disso, o Blazers não está cometendo um erro em não renovar com Tiago Splitter? Pois vamos lá…
Leia mais
- Após eliminação dos playoffs, Magic demite técnico Jamahl Mosley
- Boletim de rumores e trocas da NBA (05/05/2026)
- Masai Ujiri: “Mavericks me convenceu a vir com Cooper Flagg”
1. O Warriors deveria aproveitar o momento, deixar Steve Kerr ir embora e, com isso, buscar um novo treinador?
Ricardo Stabolito Jr.: Não. O Warriors vai ter que competir enquanto Stephen Curry não encerrar a carreira. E, diante disso, eu não acho que a franquia tenha uma melhor opção do que o veterano para o cargo de técnico. Mas é claro que a história muda se o treinador quiser sair.
Matheus Carvalho: Não. Se Steve Kerr quiser, então deveria ficar. É óbvio que não é perfeito, mas a ideia de casar um treinador universitário ou coisa do tipo com Curry e Draymond Green não me agrada. Deveria ficar.
Gabriel Martins: Sim. A verdade é que o trabalho de Kerr já estagnou há algum tempo. A sua dificuldade para desenvolver jovens jogadores, acima de tudo, tornou-se um problema para o Warriors. Tudo tem um fim.
Gustavo Freitas: Não. Acho que o Warriors deveria manter Kerr enquanto Curry ainda estiver lá. Apesar de não viver a sua melhor fase, o treinador tornou possível o que a franquia é hoje. Só mais dois anos e todos vão embora juntos.
Gustavo Lima: Sim. Chegou a hora de uma reformulação no Warriors, em síntese. São 12 temporadas sob o comando de Kerr, com seis finais e quatro títulos. Ou seja, a mais recente dinastia da NBA. Mas o abraço do treinador em Curry e Green, quando o Warriors caiu no play-in, foi simbólico. Fim de ciclo, minha gente.
2. Verdadeiro ou falso: o Magic acertou ao demitir Jamahl Mosley?
Ricardo Stabolito Jr.: Verdadeiro. É um técnico que construiu uma cultura sólida nos últimos anos, mas ‘abandonou’ tudo no primeiro ano em que lidou com expectativas. Ganhou o jogador perfeito para corrigir alguns problemas do time e simplesmente não soube o que fazer com Desmond Bane. Não é o treinador para o próximo passo.
Matheus Carvalho: Verdadeiro. Acho que Jamahl Mosley é o caso de trabalho que já “bateu no teto”. Foi muito importante para tornar esse time competitivo e não é o único culpado pelos problemas ofensivos de um elenco que tem pontos fracos. Mas a ruptura chegou ao vestiário e não tinha mais jeito.
Gabriel Martins: Verdadeiro. O trabalho de Mosley foi abismal. Então, a situação não tinha como se sustentar, mesmo levando em conta as lesões e deficiências do elenco do Magic durante a temporada.
Gustavo Freitas: Verdadeiro, pois acho que chegou em um limite ali. Fez um trabalho ótimo desenvolvendo os jovens jogador, mas o time bateu no teto em suas mãos. Tem que trazer um técnico mais experiente e dar um padrão ao grupo, em particular, no ataque. Além disso, a direção tem que arrumar um armador, claro.
Gustavo Lima: Verdadeiro. O Magic atingiu o teto sob o comando de Mosley. Foram três classificações aos playoffs, mas perdeu na primeira rodada em todas. Montou uma defesa sólida, mas o ataque deixa muito a desejar desde sempre. Paolo Banchero e o setor ofensivo da equipe precisam de ajustes.
3. Você manteria Ime Udoka à frente do Rockets na offseason?
Ricardo Stabolito Jr.: Não, pois preciso ser coerente. Afinal, Mosley e Ime Udoka têm situações bem semelhantes. A franquia lhe deu a peça perfeita para tirar o seu ataque do gesso (Kevin Durant), mas ele foi lá e engessou essa peça no seu sistema.
Matheus Carvalho: Não. O Rockets também tem as suas deficiências, mas as escolhas de Udoka são de enojar. Em particular, o desenvolvimento de Reed Sheppard. Apesar da falta de Fred VanVleet, a franquia deveria ir atrás de alguém com mais repertório em termos ofensivos.
Gabriel Martins: Sim, mas com rédea curta. Vamos ver como ou se o retorno de Fred VanVleet ajuda na solução dos problemas de organização no ataque. É por aí que vai passar tudo.
Gustavo Freitas: Não. Foi mal ao longo da temporada e dependeu demais de Durant. Tanto que o astro de 37 anos foi o segundo atleta com mais minutos da NBA. E, nos playoffs, fez ajustes ruins. Mas claro que o seu insucesso passou pelo time não ir atrás de um armador. Ele não pode pagar pela escolha da franquia de esperar por VanVleet.
Gustavo Lima: Sim. Apesar do trabalho mediano, daria mais uma chance para Udoka. Espero ver o Rockets com menos dependência de isolations com um VanVleet saudável como playmaker. E, além disso, que a franquia consiga contratar um chutador confiável que seja para facilitar a vida de Durant e Alperen Sengun.
4. O Nuggets deveria demitir o técnico David Adelman?
Ricardo Stabolito Jr.: Não, mas o sinal de alerta está ligado. É verdade que foi o seu primeiro ano inteiro no cargo e houve muitas lesões. No entanto, não tenho certeza se o Nuggets tem tempo para esperar que ele “encorpe” como técnico. Equipes campeãs, a princípio, precisam de trabalhos com mais personalidade.
Matheus Carvalho: Ainda não. Eu acho que foi uma temporada trágica de Adelman, acima de tudo, quando teve todo o elenco à disposição. Ao mesmo tempo, manteve a equipe competitiva com um titular só em certo momento. Deveria estar pressionado, mas merece mais um ano para tentar provar que não foi só um “fato novo” em 2025.
Gabriel Martins: Não. No entanto, assim como Udoka, eu manteria com rédea curta. Não fez nada até agora que justifique ter grande crédito.
Gustavo Freitas: Sim. É que o Nuggets precisava de uma pessoa com a experiência de Michael Malone. Trocou por alguém que não tinha um jogo no cargo, enquanto há bons técnicos no mercado. Então, o ideal agora seria fazer o trabalho reverso e trazer alguém com mais “casca”. Demitir Malone, antes de qualquer coisa, foi uma decisão ruim.
Gustavo Lima: Não. Foi só a primeira temporada completa do jovem técnico no cargo. A eliminação para um desfalcado Minnesota Timberwolves, certamente, foi um balde de água fria. Mas o time também sofreu com lesões durante a temporada. Enfim, o Nuggets precisa de poucos ajustes para seguir como candidato ao título.
5. E, por fim, o Blazers deveria manter Tiago Splitter como técnico?
Ricardo Stabolito Jr.: Sim. Não vou ser ufanista: acho que o trabalho de Splitter tem sido um pouco superestimado – com razão – aqui no Brasil. Não há nenhuma discussão, no entanto, que ele fez mais do que o bastante para ser mantido no cargo. O Blazers vai cometer um erro se dispensá-lo por dinheiro.
Matheus Carvalho: Sim, pois Splitter está em franca evolução. Algumas pessoas até criticam algumas escolhas de rotação, mas precisam mensurar que ele levou o Blazers aos playoffs sem ter a offseason. Além disso, o elenco só esteve 100% saudável no play-in. Tem que ficar.
Gabriel Martins: Sim. Aliás, para mim, é loucura que não tenha sido efetivado já há muito tempo. Sem mais.
Gustavo Freitas: Claro que sim. Ele fez o time voltar aos playoffs depois de cinco anos. E competindo de verdade. Após bater o favorito Phoenix Suns no play-in, em particular, não deveria haver debate. Era só estender o contrato e pronto, mas a gente sabe que o novo dono da franquia pode melar isso, né?
Gustavo Lima: Sim. Splitter fez um bom trabalho à frente do Blazers, pois pouca gente esperava que o time chegasse aos playoffs. Ganhou pontos na NBA com o sétimo lugar em um disputado Oeste. Mostrou que tem futuro. Só lamento a falta de respeito do dono da franquia, Tom Dundon, que ligou e entrevistou candidatos ao cargo enquanto ainda disputava os playoffs.
comentários