Dono do Portland Trail Blazers ganha fama de “pão duro” na NBA
Política de contenção de custos de Tom Dundon causa incertezas e situações embaraçosas
A chegada de um novo dono ao time, a princípio, sempre traz esperança e expectativa para os torcedores. Mas, no caso do Portland Trail Blazers, essa empolgação inicial já passou para um clima de embaraço ao redor da NBA. E uma mudança que parecia tão promissora virou um motivo para preocupação. Depois de investir US$4,2 bilhões na compra da franquia, Tom Dundon ganhou fama de “pão duro” entre fãs e analistas.
Duas medidas do mandatário, em particular, chamaram a atenção durante o play-in e primeiro fim de semana dos playoffs. A franquia decidiu não levar os três atletas sob contrato two-way para os jogos contra o San Antonio Spurs. É fato que, por regras da NBA, ambos não podem atuar. Todos os times, no entanto, integram os jogadores às viagens. Afinal, ajudam em treinos e tem um custo baixo.
Ainda pior foi o que ocorreu na última semana, enquanto o Portland Trail Blazers esteve no Arizona para o play-in. Segundo Chris Mannix, da revista Sports Illustrated, a contenção de gastos de Dundon se refletiu no hotel em que a equipe ficou. Parte do estafe do time foi visto nas áreas comuns do local, já com as suas malas, desde horas antes do jogo contra o Phoenix Suns.
“Os hóspedes viram muitas pessoas que trabalham para a franquia no lobby. Quatro membros da delegação confirmaram que pediram que vários funcionários saíssem dos seus quartos já no começo da tarde. A razão para isso, a princípio, seria só evitar o custo extra de um checkout depois do horário padrão da acomodação”, relatou o jornalista.
Leia mais
- Victor Wembanyama bate recorde e Spurs derrota Blazers
- Cavaliers não descarta troca de Donovan Mitchell na offseason
- “Magic merece estar nos playoffs”, sentencia Franz Wagner
Tiago Splitter
Uma das vítimas da política que Dundon quer implantar no Blazers pode ser o brasileiro Tiago Splitter. O técnico fez um trabalho elogiado em seu primeiro ano no comando do time, mas pode não ser promovido pelo novo dono. As finanças, mais uma vez, seriam o motivo. Segundo Jake Fischer, do site Bleacher Report, o empresário planeja pagar salário anual muito abaixo do mercado para o seu novo treinador.
“Todos dizem que o desejo de Dundon é pagar não mais do que US$1,5 milhão por ano para o seu novo técnico. Mas esse valor está muito abaixo dos padrões da NBA. Nem mesmo um treinador novato recebe tão pouco. A quantia, aliás, está (muito) mais alinhada com o que os assistentes técnicos ganham. De qualquer forma, a mensagem é que ele quer investir de forma modesta”, contou o repórter.
Fischer apurou que a direção do Blazers já está em contato com mais de 20 técnicos para fazer uma seleção. Em sua maioria, esses profissionais trabalham na Europa e no basquete universitário. A tendência é que Splitter esteja em consideração para o cargo, mas não se sabe se estaria disposto a assinar por esses valores.
Toalhas
Além disso, o Portland Trail Blazers se prepara para quebrar outra tradição da NBA nos próximos dias. A equipe já confirmou que não vai dar camisas comemorativas para os torcedores que forem aos terceiro e quarto jogos da série contra o Spurs. Mas não se trata de uma situação tão ruim quanto às outras. Sabe-se que o time planeja dar outro time de recordação aos fãs que estiverem no Moda Center.
A especulação mais forte é que vão ser toalhas, assim como acontece na NHL (hóquei no gelo). Isso faz sentido, pois, antes de adquirir o Blazers, Dundon já era dono do Carolina Hurricanes. Essa coincidência, aliás, seria uma possível explicação para a postura rígida financeira do empresário na NBA. Afinal, os custos de um time da NHL são bem menores do que os valores investidos no basquete.
comentários