Em geral, franquias que passam anos em reconstrução são de mercados pequenos. E é difícil mesmo convencer um grande astro a assinar contrato na agência livre. Mas, nos últimos anos, Chicago Bulls, Sacramento Kings e New Orleans Pelicans ganham destaques negativos na NBA. A cada campanha, suas direções conseguem afundar ainda mais, o que parece impossível.
Só que veja o mercado de Chicago, por exemplo. Só perde para Nova York e Los Angeles. Ao contrário das outras cidades, só tem um time: o Bulls.
E o Bulls não sabe aproveitar o tal mercado em seu favor. Já escrevi muito sobre isso aqui, então vou tentar ser o mais breve possível.
Bulls
Se a direção não quer pagar multas, então que faça bom Draft. Mas mais que isso: tente arrancar escolhas de primeira rodada nas trocas. O Bulls fez seis ou sete só na trade deadline da NBA e não conseguiu uma pick de primeira sequer.
Não compre o discurso da direção, que com aquele monte de picks de segunda o time vai fazer grandes negócios. É um discurso horroroso de gente que usou uma desculpa para enganar o torcedor.
Sim, a diretoria do Bulls não atrai agentes livres, não faz boas escolhas no Draft, mas são as de segunda que vão render. Como se tivesse um Ayo Dosunmu em todo recrutamento, né? E mesmo que tivesse, Chicago só usa bons jogadores até o ano da extensão. Depois, troca por nada, como foi com Dosunmu.
Mas se o assunto é tamanho de mercado na NBA, o Bulls é um caso ainda pior que Pelicans e Kings.
Foi uma verdadeira novela para estender com Josh Giddey, o melhor jogador do time. Imagine se a direção ia pagar US$30 milhões anuais a Coby White. Aliás, o Bulls rejeitou três escolhas de primeira rodada por ele há pouco mais de um ano. Saiu por Collin Sexton.
Nos últimos 20 anos
Playoffs: dez, sendo dois nos últimos dez anos
Técnicos: sete
Jogadores no All-Star: Luol Deng, Joakim Noah, Derrick Rose, Jimmy Butler, Pau Gasol, Zach LaVine, DeMar DeRozan
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Depois, tem o Kings, que segue fazendo coisas sem explicação da NBA.
Kings
Começa pelo fato de passar Luka Doncic no Draft de 2019 e optando por Marvin Bagley. Mas o Kings fez muitas outras bobagens ao longo dos anos. É o “patinho feio” da divisão, pois joga contra Golden State Warriors, Los Angeles Lakers, Los Angeles Clippers e Phoenix Suns.
No entanto, Sacramento é um mercado relativamente pequeno (21°) na liga. Isso atrapalha muito quando quer fechar com agentes livres. Então, é sempre via trocas mesmo.
E ainda tem o fato de que a direção não consegue atrair ninguém por si só. Sem planos vencedores, o Kings não dá aos jogadores uma ponta de esperança. Como resultado, o melhor que o time teve em uma agência livre foi Malik Monk, um reserva que a franquia tentou trocar ao longo do ano. O último grande nome foi Vlade Divac, em 1999. Depois, Divac ajudou a atrapalhar quando virou executivo.
O Kings chegou ao ponto de ter Tyrese Haliburton e De’Aaron Fox. Hoje, conta com um esforçado Russell Westbrook, em fim de carreira na liga.
Ah, claro. Sabendo que a dupla DeRozan e LaVine deu errado no Bulls, o Kings não teve dúvidas e está com os dois por lá.
Nos últimos 20 anos
Playoffs: um
Técnicos: 13
Jogadores no All-Star: DeMarcus Cousins, Domantas Sabonis, De’Aaron Fox
Pelicans
Bulls e Kings são times com mercados muito melhores que o Pelicans na NBA, mas o time de New Orleans consegue se superar. E é engraçado, caso você não seja torcedor do time.
O mercado é nanico, pois New Orleans só supera o Memphis Grizzlies nessa. Mas você vai entender onde vou chegar. Não é a única desculpa.
Joe Dumars foi um jogador excepcional, duas vezes campeão da NBA e MVP das finais. Mas sob sua direção, ele deixou o Detroit Pistons como terra arrasada. Demorou uma década para o Pistons se recuperar de sua gestão e voltar a vencer.
O que o Pelicans fez? Contratou Dumars, mesmo sabendo disso.
E nem vou falar muito sobre o que ele fez sobre manter Zion Williamson, mesmo com (ainda) algum mercado na NBA. Poderia ir atrás de uma troca para pensar em seu futuro, mas não.
Ah, Zion jamais pisou em quadra em jogos de playoffs até hoje.
Trocas sem sentido algum
Nas finais da NBA, o Indiana Pacers fechou uma troca com o Pelicans. Quase ninguém lembra, pois era uma decisão da liga. Mas olha só o que aconteceu.
No dia 17 de junho de 2025, um dia depois de ver o Oklahoma City Thunder abrir 3 a 2, o Pacers obteve de volta a sua própria pick de 2026. Ela estava com o Pelicans. Como resultado, Indiana mandou a escolha 23 do Draft de 2025.
Na noite do Draft, Dumars queria Derik Queen de tudo quanto é jeito. Mas com medo de alguém pegar o pivô, New Orleans chegou no Atlanta Hawks e ofereceu a pick 23 e a sua escolha de 2026 pela 13 de 2025. Assim, o Pelicans pegou Queen na 13, enquanto o Hawks foi de Asa Newell na 23.
O detalhe é que o Hawks queria mesmo Newell e não ia selecionar Queen. E ainda tem o fato de que o pivô não foi bem no Combine, assustando vários times.
Então, veja aqui com atenção.
O Draft de 2026 é um dos melhores dos últimos tempos. Se o de 2025 foi incrível, o deste ano é ainda superior.
E o Pacers, lembra? Tyrese Haliburton estava sentindo dores na panturrilha ao longo das finais. Então, a direção buscou a pick de 2026 para assegurar seu futuro.
Enquanto isso, o Hawks tem a escolha do Pelicans.
Você já entendeu o que aconteceu?
O Pelicans teria duas escolhas top 14, com possibilidade em dobro de ficar com uma top 4, pois o time vai mal e o Pacers, então finalista, é um dos últimos do Leste.
Nos últimos 20 anos
Playoffs: sete
Técnicos: sete
Jogadores no All-Star: David West, Chris Paul, Anthony Davis, DeMarcus Cousins, Brandon Ingram, Zion Williamson
Hornets, Wizards e Nets
Os três não estão muito longe de Bulls, Pelicans e Kings na NBA. Mas algo está acontecendo ali.
Enquanto o Charlotte Hornets vem usando o Draft para montar um bom grupo de jovens jogadores, o time melhorou muito e venceu dez dos últimos 11 jogos. Claro, são três classificações aos playoffs nos últimos 20 anos, mas já se alinha para jogar por vitórias.
E nem é LaMelo Ball o melhor jogador do time hoje. Virou um time, um grupo, com Ball entendendo sua nova função.
O Washington Wizards, por outro lado, vem acumulando bons atletas jovens, dando rodagem a eles, como Alex Sarr, Bub Carrington e Kyshawn George. Além disso, fechou trocas por Anthony Davis e Trae Young. São tentativas. Podem não resultar em playoffs e tudo mais, mas você vê uma tentativa de competir.
Foi aos playoffs sete vezes nos últimos 20 anos.
Por fim, o Brooklyn Nets.
Houve uma tentativa real de vencer. E até teve uma boa chance em 2021, mas aquele pé de Kevin Durant na linha assombra o fã do time até hoje. Desde então, foi para uma reformulação e começa a dar espaço aos jovens Egor Demin, Drake Powell, Nolan Traore e Danny Wolf, todos do último Draft.
Ainda falta muito, mas pode virar o jogo.
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Fonte: Reprodução / X

