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Um cara chato

Oscar Schmidt passou dos limites mais uma vez

Oscar Schmidt quimioterapia
WILLIAM VOLCOV / AFP

Esse texto poderia ser sobre mim, pois eu sou chato pra caramba. Mas não. Eu dedico essas linhas ao mito Oscar Schmidt, um jogador absolutamente sensacional, mas que consegue a cada dia me fazer entender que além de ser um cara chato, ele é um aproveitador.

Estive no Rio de Janeiro no último final de semana para acompanhar o jogo entre Chicago Bulls x Washington Wizards, contrariando totalmente aquilo que eu havia dito anteriormente. Só que eu sou modinha e fui mesmo assim. O jogo foi tão bom que cheguei a cochilar no fim do terceiro período, mas depois ficou legalzinho. 

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O ponto máximo da partida até o seu fim, sem dúvida alguma, foi a presença dos mascotes. E não estou brincando nem sacaneando. O jogo foi tecnicamente fraco. Quem foi para ver Derrick Rose, Joakim Noah, e John Wall, se frustrou, pois nenhum deles apareceu em quadra. Sim, eu sei, Wall até jogou, mas era melhor ter ido assistir ao filme do Pelé.

E falando em Pelé, por que não te calas, Oscar?

Essa mania de ser um nacionalista exacerbado está passando dos limites. Uma coisa é ser patriota, outra é ser babaca.

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Nos últimos anos, Oscar está se notabilizando por querer aparecer como um cara bonzinho, que nunca fez nada além de jogar pelo Brasil. E o pior: muita gente cai na dele.

Ele é crítico de Nenê e Leandrinho, em especial, por pedirem dispensa da seleção brasileira. Recentemente, em uma entrevista cedida ao canal ESPN Brasil, só faltou bater na cara dos dois.

No sábado, não foi diferente. Nenê e Leandrinho foram vaiados sem o menor pudor dos pouco mais de 13 mil pagantes.

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Calote?

“O povo está sempre certo e concordo com a postura do público. Eu estou vaiando ambos há anos. O Tiago [Splitter] tem todo direito de pedir um ano de descanso e o Anderson também, que agora é um menino decente. Mas Leandrinho e Nenê deram de novo calote no país. Se você recusa a seleção brasileira, você está recusando seu país. Não quero vê-los perto de mim”, disse Oscar.

Mas que cara chato!

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A palavra calote soa mais forte do que realmente é. O Mão Santa disse isso para os jornalistas, entre eles Ricardo Stabolito, do Jumper Brasil e Luis Araújo, do iG, com quem conversei logo após a partida em um bar perto do HSBC Arena.

Já falei aqui diversas vezes que criticar um jogador por não atuar por sua seleção é algo que não entra na minha cabeça. O cara joga 82 vezes, fora playoffs e pré-temporada, fica preso sob contrato, se machuca, e ainda querem obrigá-lo a deixar as férias de lado? Só pode estar brincando. A NBA é um negócio, antes de tudo. Se o atleta se contunde atuando pelo seu país (de novo, nas férias), e ele está sem contrato, como no caso de Leandrinho hoje, qual a chance de ele retornar? Nenhuma. Não adianta pagar o seguro. Se é com Nenê, quando é que ele vai poder voltar às quadras? Isso sem contar com o fato de que os dois estavam machucados antes da Copa América. Poupe-me.

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Joga para o público, mas…

Cheguei a uma conclusão: Oscar está querendo jogar com o público. E isso fez com que todo mundo concordasse com ele nos momentos das vaias. Ele riu de tudo aquilo sem esconder o contentamento de ver a sua verdade ter sido prontamente propagada. Quando Schmidt foi chamado pelo locutor, o ginásio quase veio abaixo, só que com aplausos e (quase) todos de pé. 

Oscar já pediu dispensa da seleção. Seu telhado é de vidro, amigão. Isso aconteceu em 1983, quando muitos de vocês sequer haviam nascido. Fábio Sormani conta a história aqui.

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Sinceramente, quando ele ataca jogadores que vivem outra realidade, só consigo pensar que ele é um cara chato. Não que isso acabe com o mito que ele foi nas quadras, mas a imagem dele definitivamente não é a mesma fora delas.

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