Um cara chato
Oscar Schmidt passou dos limites mais uma vez

Esse texto poderia ser sobre mim, pois eu sou chato pra caramba. Mas não. Eu dedico essas linhas ao mito Oscar Schmidt, um jogador absolutamente sensacional, mas que consegue a cada dia me fazer entender que além de ser um cara chato, ele é um aproveitador.
Estive no Rio de Janeiro no último final de semana para acompanhar o jogo entre Chicago Bulls x Washington Wizards, contrariando totalmente aquilo que eu havia dito anteriormente. Só que eu sou modinha e fui mesmo assim. O jogo foi tão bom que cheguei a cochilar no fim do terceiro período, mas depois ficou legalzinho.
O ponto máximo da partida até o seu fim, sem dúvida alguma, foi a presença dos mascotes. E não estou brincando nem sacaneando. O jogo foi tecnicamente fraco. Quem foi para ver Derrick Rose, Joakim Noah, e John Wall, se frustrou, pois nenhum deles apareceu em quadra. Sim, eu sei, Wall até jogou, mas era melhor ter ido assistir ao filme do Pelé.
E falando em Pelé, por que não te calas, Oscar?
Essa mania de ser um nacionalista exacerbado está passando dos limites. Uma coisa é ser patriota, outra é ser babaca.
Nos últimos anos, Oscar está se notabilizando por querer aparecer como um cara bonzinho, que nunca fez nada além de jogar pelo Brasil. E o pior: muita gente cai na dele.
Ele é crítico de Nenê e Leandrinho, em especial, por pedirem dispensa da seleção brasileira. Recentemente, em uma entrevista cedida ao canal ESPN Brasil, só faltou bater na cara dos dois.
No sábado, não foi diferente. Nenê e Leandrinho foram vaiados sem o menor pudor dos pouco mais de 13 mil pagantes.
Calote?
“O povo está sempre certo e concordo com a postura do público. Eu estou vaiando ambos há anos. O Tiago [Splitter] tem todo direito de pedir um ano de descanso e o Anderson também, que agora é um menino decente. Mas Leandrinho e Nenê deram de novo calote no país. Se você recusa a seleção brasileira, você está recusando seu país. Não quero vê-los perto de mim”, disse Oscar.
Mas que cara chato!
A palavra calote soa mais forte do que realmente é. O Mão Santa disse isso para os jornalistas, entre eles Ricardo Stabolito, do Jumper Brasil e Luis Araújo, do iG, com quem conversei logo após a partida em um bar perto do HSBC Arena.
Já falei aqui diversas vezes que criticar um jogador por não atuar por sua seleção é algo que não entra na minha cabeça. O cara joga 82 vezes, fora playoffs e pré-temporada, fica preso sob contrato, se machuca, e ainda querem obrigá-lo a deixar as férias de lado? Só pode estar brincando. A NBA é um negócio, antes de tudo. Se o atleta se contunde atuando pelo seu país (de novo, nas férias), e ele está sem contrato, como no caso de Leandrinho hoje, qual a chance de ele retornar? Nenhuma. Não adianta pagar o seguro. Se é com Nenê, quando é que ele vai poder voltar às quadras? Isso sem contar com o fato de que os dois estavam machucados antes da Copa América. Poupe-me.
Joga para o público, mas…
Cheguei a uma conclusão: Oscar está querendo jogar com o público. E isso fez com que todo mundo concordasse com ele nos momentos das vaias. Ele riu de tudo aquilo sem esconder o contentamento de ver a sua verdade ter sido prontamente propagada. Quando Schmidt foi chamado pelo locutor, o ginásio quase veio abaixo, só que com aplausos e (quase) todos de pé.
Oscar já pediu dispensa da seleção. Seu telhado é de vidro, amigão. Isso aconteceu em 1983, quando muitos de vocês sequer haviam nascido. Fábio Sormani conta a história aqui.
Sinceramente, quando ele ataca jogadores que vivem outra realidade, só consigo pensar que ele é um cara chato. Não que isso acabe com o mito que ele foi nas quadras, mas a imagem dele definitivamente não é a mesma fora delas.
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