A NBA sempre viveu de ídolos. O que mais se destaca, o mais dominante, o que mudou o jogo, mas existe espaço para apenas um: o escolhido. E nem é um trocadilho sobre um dos apelidos de LeBron James, mas é sobre quem será o próximo Michael Jordan após a aposentadoria do maior cestinha de todos os tempos. Mas por que o próximo Michael Jordan? Vamos entender tudo.
Durante os anos 70, a liga vivia seus piores momentos. Baixa aceitação do público, ginásios vazios, jogadores marginalizados, a NBA era caótica. Então, a rivalidade do basquete universitário entre Larry Bird e Magic Johnson fez as coisas mudarem. Para melhor, claro. Mas ainda faltava algo (ou alguém) para alterar completamente o patamar.
Não foi fácil, mas houve uma grande mudança a partir do início dos anos 80. Quando Jordan entrou na NBA, então, tudo ficou ainda mais popular. E o camisa 23 foi responsável por fazer a liga pensar em dinheiro. Com patrocínios milionários, ele ganhava muito mais em propagandas do que em quadra. Havia um abismo ali. Assim, o esporte entendeu que precisava pagar seus atletas.
Mas nem tudo dependia apenas das receitas de bilheteria. Foi aí que a TV começou a injetar valores consideravelmente maiores.
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Vamos deixar claro aqui. A NBA, nos EUA, é o segundo ou esporte mais popular. Está atrás da NFL, o esporte favorito deles, e às vezes, da MLB em algumas regiões. Em determinados locais, por exemplo, até a Nascar tem mais apelo. Então, a NBA tem a carência de um ídolo máximo, enquanto nos outros esportes, não existe uma unanimidade sobre quem é “o cara” atual.
Como fazer o dinheiro da NBA ser maior do que o da NFL, por exemplo?
Com um número bem maior de jogos? Tudo bem, pode até ser. Mas é preciso de mais que isso. Em números de 2022, a NFL gerou receita de US$1.62 bilhão com a TV. Apenas para comparar, a NBA teve quase dez vezes o valor da liga de futebol americano.
Bem, aí entra “o cara”. Não tem nenhum outro esporte que consiga formar tantos ídolos quanto a NBA. Existem vários postulantes, mas para ser uma espécie de chefão, precisa superar a barreira das quadras.
Você pode questionar LeBron James, mas o que ele fez com a NBA foi algo que manteve o nível de Michael Jordan. Nem estou falando do jogo em si, mas da áurea do grande jogador, o que leva torcedores ao ginásio, o que vende camisa, o que mais aparece, enfim.
O pulo do gato
Com as derrotas no Pan de 87 e nas Olimpíadas de 88, os EUA pressionaram a FIBA e o COI para utilizarem jogadores da NBA. E a primeira vez que todos pararam para ver o que era a liga foi em 92, nos Jogos Olímpicos de Barcelona.
Sob o comando de Chuck Daly, a seleção dos EUA triturou qualquer oponente e ganhou o ouro, mas os atletas da NBA eram como estrelas do rock fora das quadras. Eles chamaram a atenção do mundo para o Dream Team.
Claro, com o trio Jordan, Bird e Magic, além de outros ídolos, todo mundo queria jogar como os americanos. Todo jovem que acompanhou aquilo queria enterrar e arremessar como eles. Assim, David Stern conseguiu fazer da NBA um produto internacional. Os índices de audiência nos EUA voltou a crescer, mas todos os continentes passaram a acompanhar a liga.
Internacionalização
Até 1991/92, a NBA contava com 23 jogadores nascidos fora dos EUA. Alguns muito bons, mas ninguém realmente se destacava, exceto os que não tinham seleções tão fortes. Hakeem Olajuwon, por exemplo, nasceu na Nigéria. Com a formação feita longe de seu país, ele conseguia ser um dos melhores da liga.
Vale registrar que, até aquela época, nenhum atleta da NBA podia representar sua seleção. Os profissionais eram vetados, mas como explicar isso a jogadores que recebiam, muitas vezes, valores bem maiores na Europa? Drazen Petrovic era um dos casos. O brasileiro Oscar Schmidt, também.
Então, até para eles, não valia muito deixar um grande salário no basquete europeu para receber um quarto ou um quinto do que ganharia na NBA.
Mas a partir das Olimpíadas de 92, as coisas realmente mudaram.
Tais números cresceram ano a ano.
Quando o Houston Rockets selecionou Yao Ming no Draft, então, a NBA se apaixonou pela China. Embora ele fosse realmente bom, sua capacidade física não o acompanhava. Tanto que ele encerrou a carreira aos 30 anos.
Voltando alguns anos, Dirk Nowitzki foi o primeiro jogador a se tornar uma tendência vindo fora dos EUA. Absolutamente, todas as franquias procuraram um novo Dirk nos recrutamentos. Apesar de ele ser muito carismático, seu perfil não se encaixava para ser “o cara”. E vamos notar a presença de outros aqui.
Dias atuais
Para a temporada 2022/23, nada menos que 120 jogadores internacionais estavam nos elencos da NBA. Reflexo do que o fã acompanhava Michael Jordan nas Olimpíadas de 92 e LeBron James desde a sua aposentadoria, passando por Kobe Bryant, Allen Iverson e Shaquille O’Neal. Além deles, Dirk Nowitzki, Steve Nash e Hakeem Olajuwon, que ganharam os primeiros prêmios de MVP como estrangeiros.
Mas nas últimas quatro temporadas, quem levantou o troféu foi um estrangeiro. Na verdade, dois: Giannis Antetokounmpo e Nikola Jokic. Aliás, Jokic tem tudo para vencer pela terceira vez consecutivas.
A liga está cada vez mais sendo dominada pelos jogadores que nasceram fora dos EUA e a tendência é que o volume aumente ainda mais nos próximos anos. É só notar o que Luka Doncic faz a cada temporada e que, no próximo Draft, vem aí o francês Victor Wembanyama.
Então, é algo que vai se manter por muito tempo. Provavelmente, para sempre.
O futuro
LeBron James está perto da aposentadoria, mas diferente do que aconteceu quando Michael Jordan deixou a NBA, não existe “o cara” que vai liderar a liga. Pelo menos, por muitos anos.
É só pensar.
Stephen Curry está com 34 anos. Talvez, a passagem de bastão de LeBron para Curry dure duas, três temporadas. No máximo. Pensando que James vai encerrar sua carreira em 2025 ou 2026, Curry terá 36 ou 37 anos ali. Com tantas lesões, ele dura até os 40?
Especialmente nos últimos anos de Michael Jordan, sempre havia uma busca pelo “novo Michael Jordan”. Foi assim com Harold Miner, Jerry Stackhouse, Anfernee Hardaway, Grant Hill, Vince Carter, até chegar em Kobe Bryant. Mas nem Kobe tinha tamanho suficiente na época da aposentadoria de Jordan. Shaquille O’Neal era o destaque principal do Los Angeles Lakers. A coisa só mudou quando Shaq foi para o Miami Heat.
Então, Kobe, quando alcançou tal tamanho, LeBron já estava na NBA. E a mídia sonhava com um confronto entre os dois em uma final. Nunca aconteceu, entretanto. Mas, rapidamente, James se tornou o tal “o cara”. Aos 22 anos, ele já liderava um Cleveland Cavaliers às finais contra o San Antonio Spurs. E Bryant, com os problemas fora das quadras e por receber toda a culpa pelo desmanche do Lakers, não era exatamente o nome que a liga queria para ser… bem, você sabe.
Mas com LeBron James se aproximando da hora de parar (estou falando em anos, tá?), é hora de saber quem será o próximo Michael Jordan. De novo, não estou comparando quem é melhor ou maior. Nada disso. É só o que ambos representam. Basicamente, é quem será o próximo LeBron.
Ausência de um grande ídolo
Stephen Curry deve ocupar o vazio quando LeBron James se aposentar. Mas a gente sabe que não deve durar muito tempo, por conta de sua idade. Então, existem alguns candidatos.
Giannis Antetokounmpo pode ser, assim como Nikola Jokic. Mas hoje, o mais próximo disso é Luka Doncic. Claro que havia uma grande expectativa em cima de Zion Williamson, mas ele não se ajudou nos últimos anos, sempre acima do peso (não é o caso no momento). Só que ele se machucou mais uma vez e não tem prazo para retorno.
De novo.
Mas vamos pensar aqui. Doncic tem um perfil com pouco apelo. É um low profile, entende? Jordan sabia chamar a atenção para si, assim como James o faz. Não é o caso do esloveno. Ele não faz a autopromoção, muito importante para isso. Pode mudar, mas existem algumas barreiras para tal. Precisa vencer múltiplos prêmios de MVP, ser campeão e toda aquela coisa.
Jokic tem até menos apelo que Doncic, apesar de ele ser o virtual vencedor pela terceira vez consecutiva.
Então, sobra quem?
Se você pensou em Victor Wembanyama, talvez seja o caminho mais natural.
Ninguém desde o Draft de LeBron, gerou tanta atenção e repercussão. Absolutamente, ninguém. Não estou cravando, entretanto. É mais um palpite pelo que acompanhamos nas últimas décadas. Mas o francês terá chances reais de assumir tal protagonismo dentro de cinco anos. A não ser que Doncic vença ou alguém apareça até lá, o palpite é ele.
E, claro, ele pode não dar em absolutamente nada. É o risco que corremos antes de ele pisar nas quadras da NBA.
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