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Como a troca de Donovan Mitchell vai recolocar o Knicks no mapa da NBA

Time de Nova York precisa de um astro para voltar a ser respeitado

troca Donovan Mitchell Knicks
ALEX GOODLETT/AFP

O New York Knicks ainda não concluiu a troca por Donovan Mitchell, mas as expectativas são as melhores possíveis. Enquanto o astro ainda está “preso” ao Utah Jazz, o Knicks quer dar um passo importante para voltar a ter relevância na NBA.

Embora o Knicks seja um time muito tradicional, com história vasta, não anda tendo sucesso nas últimas décadas. Na verdade, desde o vice para o San Antonio Spurs, em 1999, a equipe simplesmente não consegue ter campanhas vencedoras em sequência. Ou seja, há 23 temporadas, a franquia foi aos playoffs em apenas sete oportunidades e caiu na primeira rodada em cinco.

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É muito sofrimento para o torcedor, que se cansou de esperar por bons trabalhos, seja da diretoria nas contratações ou da comissão técnica, utilizando as peças ali disponíveis. E olha que já passou muita gente consagrada em Nova York desde então, mas o resultado é sempre o mesmo.

No entanto, a troca por Donovan Mitchell pode fazer com que o Knicks volte a ser relevante e que deixe de ser uma chacota.

Imagine isso.

O Knicks tem o maior mercado da NBA, o time mais caro da liga (estimado em US$5.8 bilhões, de acordo com a Forbes), mas não tem resultado expressivo há mais de duas décadas. Como isso pode acontecer? Mais que isso, como sair disso?

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É aí que Mitchell entra.

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Desde Carmelo Anthony, o Knicks não tem um astro de verdade. Anthony ficou na equipe entre 2011 e 2017, mas mesmo assim, foi aos playoffs em apenas três oportunidades. Então, a possível chegada de Mitchell faz com que o time volte a ter um nome de peso.

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E uma coisa atrai outra.

Digo isso porque, quando Anthony chegou, ali já estava Amare Stoudemire. Ou seja, a partir do momento em que você tem um grande jogador, outros começam a se interessar por jogarem juntos.

E o Knicks teria uma base bastante sólida para brigar nos playoffs, pois a possível troca de Donovan Mitchell deve tirar de lá apenas jovens e (muitas) escolhas de draft. Portanto, ficam Julius Randle, RJ Barrett e Mitchell Robinson, além de Jalen Brunson.

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De acordo com o jornalista Ian Bagley, do site SNY, o Utah Jazz não tem interesse em Barrett. E, pelo visto, também não quer Randle. Então, o pacote seria algo como Obi Toppin (US$5.3 milhões), Evan Fournier (US$18 milhões) e Quentin Grimes (US$2.2 milhões). Aqui, totalizaria cerca de US$25.5 milhões, enquanto o salário de Mitchell será de US$30.3 milhões.

Elenco competitivo?

Vamos entender algumas coisas antes. Donovan Mitchell é um astro. Ele vai fazer a diferença? Sim, mas não sozinho.

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É fato que Julius Randle teve uma temporada conturbada, mas na anterior ele foi eleito o jogador que mais evoluiu. Então, algo tem ali. Por outro lado, é importante fazer com que ele entenda que o time não é “dele”.

Depois, RJ Barrett tem apenas 22 anos e está longe do topo. Mesmo assim, ele registrou 20.0 pontos, 5.8 rebotes e 3.0 assistências em sua terceira temporada.

Jalen Brunson chegou caro (US$104 milhões por quatro anos), mas foi muito bem sem a bola nas mãos no Dallas Mavericks, com mais de 37% de aproveitamento em três pontos no período em que esteve por lá.

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Mitchell Robinson estendeu o contrato e pode causar impacto dos dois lados da quadra, embora seja mais exigido na defesa.

Enquanto isso, o banco de reservas teria Cam Reddish, Isaiah Hartenstein e Immanuel Quickley entre os principais. O time quer trocar Derrick Rose, mas não é uma tarefa tão simples. Apesar de ele estar em seu último ano garantido de contrato, são mais de US$14 milhões. Então, depende muito de como o Knicks vai querer montar o grupo para a temporada. Até Carmelo Anthony pode voltar.

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Assim, o Knicks não vai brigar pelo topo do Leste. Ninguém está dizendo isso. O que acontece é que dá para entrar nos playoffs, acumular mais experiência em Barrett e Quickley e fazer a defesa funcionar.

Embora Brunson e Mitchell sejam excelentes armas ofensivas, o outro lado da quadra deles é sofrível. E é aí que, quando batidos, vai sobrar muito para Robinson dentro do garrafão.

Leste forte

A conferência Leste pode estar tudo, menos fraca. Boston Celtics, Milwaukee Bucks e Miami Heat parecem, em um primeiro momento, os melhores times dali. Depois, tem o Philadelphia 76ers, Toronto Raptors, Brooklyn Nets e Chicago Bulls. Então, após a troca por Donovan Mitchell, o New York Knicks aparece como o time que pode entrar no próximo grupo, assim como o Cleveland Cavaliers. Fora o Atlanta Hawks, Charlotte Hornets…

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Mas veja.

O Nets pode mudar tudo ainda, o Bulls sofreu (muito) sem Lonzo Ball e o Raptors ainda não tem o pivô que busca há tempos. Portanto, sim, é possível que o Knicks entre no bolo.

Mas o projeto não é para agora, apenas. É pensando no futuro. Uma eliminação no play-in ou primeira rodada de playoffs não chega a ser um problema em 2022/23.

O que é necessário entender aqui é que, com a adição de Mitchell e trocas pontuais, o Knicks começa a pegar corpo. É para formar uma base jovem e muito forte para as próximas temporadas.

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O técnico Tom Thibodeau, especialista em defesa, precisa fazer o elenco trabalhar em conjunto, com as ajudas nos pontos fracos, evitando que Brunson e Mitchell sejam expostos o tempo todo.

Futuro

Bem, aqui existe um ponto a favor do Knicks. A equipe possui quatro escolhas de primeira rodada em 2023 (Dallas Mavericks, Washington Wizards, Detroit Pistons e a própria). Tirando a de Nova York, todas elas possuem proteções e podem virar apenas daqui alguns anos. Então, seria importante acompanhar o que o Utah Jazz vai receber.

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Se a ideia é que Mitchell chegue ao Knicks por três jogadores e seis picks e o Jazz aceitar as três protegidas, é um grande passo.

Vamos imaginar que o Jazz venha com tudo para o tank (montar time fraco para ter mais chances no próximo recrutamento), então é possível trabalhar com um possível “sim” da equipe de Salt Lake City. Ali, ainda estão jogadores que vão ser negociados antes o início da próxima temporada, como Mike Conley e Bojan Bogdanovic. E ainda existem as escolhas do Minnesota Timberwolves na troca de Rudy Gobert.

Portanto, se o Knicks conseguir preservar, pelo menos, a própria escolha de 2023, existe espaço para um avanço na formação do elenco para os próximos três ou quatro anos.

Trocar Julius Randle e Derrick Rose parecem pontos importantes. Enquanto o primeiro precisa de um bom ano para voltar a se valorizar, Rose teria de sair agora para o time receber alguém como Josh Richardson. Será importante o Knicks ter bons defensores no perímetro e que saibam arremessar.

A ideia é fazer com que o Knicks tenha um ambiente bom, preparado para receber jogadores comprometidos com a vitória. Com Mitchell, seria apenas o primeiro passo.

 

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