A nova potência do Oeste
Para Ricardo Romanelli, Rajon Rondo no Mavericks traz enorme impacto ao cenário de disputa pelo título no Oeste
Os principais candidatos ao título do ano passado começaram a atual temporada “patinando”, o que deu margem para outros times ascenderem ao topo da liga. Memphis Grizzlies e Golden State Warriors são as grandes sensações do Oeste, seguidos de perto por Portland Trail Blazers e Houston Rockets. Ninguém ousa descartar o campeão San Antonio Spurs. E quando parecia que essas seriam as equipes que brigariam pelo título da conferência e uma vaga na final, uma nova potência entrou na festa.
O Dallas Mavericks, campeão de 2011, fechou a aquisição do armador Rajon Rondo, do Boston Celtics, em troca de Brandan Wright, Jae Crowder, Jameer Nelson e escolhas de draft. Essa troca tem tudo para impactar significativamente o cenário da disputa pelo título do Oeste.
O Mavs já tinha uma sólida base com o inigualável Dirk Nowitzki, um amadurecido Monta Ellis, o versátil Chandler Parsons e o sólido Tyson Chandler. Agora, adiciona o implacável Rajon Rondo a um dos quintetos titulares mais poderosos da liga – talvez, o mais completo. O campeão da NBA em 2008 é um jogador como poucos: exímio defensor, esforçado, intenso e insistente. Tem uma personalidade que diversos grandes jogadores compartilham. Não gosta de perder e utiliza isso a seu favor, tirando o máximo de seus companheiros. Amadureceu sob a tutela de Kevin Garnett e Paul Pierce no Boston Celtics do final dos anos 2000, um dos times mais aguerridos e intensos que vimos em tempos recentes.
Ele se junta a um elenco experimentado e igualmente guerreiro. O Mavericks lutou contra maus prognósticos há algumas temporadas e sempre se supera, mostrando que pode ser um postulante ao anel de campeão com uma ou outra peça adicional. Esta peça chegou. Rondo vai adicionar exatamente o que falta aos comandados de Rick Carlisle: um armador que, além de exímio passador dono de excelente visão de jogo e inteligência, também é um esforçado defensor disposto a fazer as pequenas coisas em quadra que transformam seu time em vencedores.
O impacto em potencial da transação é ainda maior quando analisamos os principais adversários do Mavericks na corrida pelo Oeste: entre outros, Tony Parker, no Spurs; Stephen Curry, no Warriors; James Harden, no Rockets; Damian Lillard, no Trail Blazers. São jogadores que apenas alguns jogadores na liga podem marcar de maneira eficiente. Rondo é um deles.
O melhor de tudo para Dallas é que os jogadores trocados tendem a fazer pouca falta. O único que possuía real impacto na rotação era Brandan Wright, um pivô bastante útil em uma liga onde homens de garrafão são cada vez mais raros. No entanto, a adição de Rondo supera, em muito, a perda dele e substitui Jameer Nelson diretamente. Abre até certa flexibilidade para que o Mavs busque outro jogador disposto a acreditar no projeto, que acaba de se tornar muito mais atraente.
Essa é uma troca de aparente pouco risco e muita possibilidade de ganho para o Mavericks. O time não ganharia o título da maneira como estava montado e parece não ter perdido nenhum jogador insubstituível. As escolhas de draft também não serão em grandes posições. Isso para trazer um dos melhores armadores da liga, líder nato e um vencedor comprovado que une-se a um elenco com o mesmo perfil – cuidadosamente arquitetado por Mark Cuban, um dono de franquia que já se mostrou disposto a gastar o que for preciso para ganhar.
Para os torcedores de Dallas, essa troca é motivo de grande felicidade e esperança. Para os que acompanham NBA em geral, mais ainda. Se antes já tínhamos um desenho de playoffs no Oeste para entrar para a história, agora temos ainda maior garantia de séries eletrizantes e imprevisíveis desde a primeira rodada. A disputa pelo Oeste já estava aberta – e ganhou mais uma potência.

comentários