Não dá. Foram 29 jogos e o Los Angeles Lakers não engrena na temporada 2021-22 da NBA. O Lakers tem um ataque estagnado, pouco funcional, mas ainda pode ser campeão se trocar Russell Westbrook. Simplesmente, o casamento não deu certo. Não funciona e não vai funcionar assim. Para analisarmos o time californiano, vou tentar apresentar soluções que podem (ou não) resolver o problema ofensivo.
Vamos começar, entretanto, pela contratação de Westbrook. O Lakers queria e precisava de um armador melhor que Dennis Schroder. Era uma prioridade, embora LeBron James tenha atuado como o principal organizador do time no último título, em 2019-20. Havia um caminhão de opções quando a diretoria se preparava para a nova campanha, mas optou pelo camisa 0. Buddy Hield, a transação mais óbvia no mercado, chegou a ser discutido e o Sacramento Kings sinalizava para fechar uma troca similar que levou Kyle Kuzma, Kentavious Caldwell-Pope e Montrezl Harrell para o Washington Wizards. DeMar DeRozan achava que ele seria jogador do Lakers. Nada disso, porém.
O Lakers foi de Westbrook, mas era necessário rechear o elenco de arremessadores. A diretoria fez o seu papel, mas ainda assim não era o suficiente. Era necessário um plano de jogo por parte do técnico Frank Vogel para o ataque funcionar, além do contra-ataque. Vogel parece não ter o que fazer com isso, entretanto. Como tirar a bola das mãos de LeBron? Como fazer o time entender as jogadas?
Não se esqueça. É de Westbrook que estamos falando. Um armador explosivo, com muita energia, mas que comete erros bobos.
Pré-temporada e início de 21-22
Na pré-temporada, o Lakers foi um desastre. Perdeu todos os seis jogos, embora o período seja apenas de testes. Mas tais testes indicaram que o time poderia ter problema no encaixe. Tudo bem. Anthony Davis, LeBron e Westbrook não jogaram todas, mas mesmo assim, a desconfiança começava a aumentar.
Sinceramente, o fato de o Lakers ter a maior média de idade da temporada pouco importa aqui. O time só não é funcional. Espaçamento ruim, escolhas questionáveis aqui e ali, mas as contusões também atrapalharam.
Então, veio a fase regular com duas derrotas de cara para Golden State Warriors e Phoenix Suns. Natural, pois sabemos hoje que são os dois melhores times da NBA na temporada. Mas as vitórias seguintes, sobre Memphis Grizzlies e San Antonio Spurs só vieram no fim. O problema é que, depois, vieram duas derrotas para o Oklahoma City Thunder e, em seguida, para o Portland Trail Blazers (por 15 pontos).
Já dava para entender que aquele elenco não poderia brigar por título algum.
Tentativas de Vogel
Frank Vogel tem mudado o quinteto titular com certa frequência na temporada. Anthony Davis começou muitos jogos como ala-pivô, mas em outros foi o pivô. DeAndre Jordan entrou e saiu do time inicial diversas vezes. O mesmo aconteceu com Kent Bazemore, Carmelo Anthony e Avery Bradley.
Tudo bem, LeBron James esteve machucado e forçou muitas alterações, mas era esperado que o time conseguisse se impor de alguma forma, o que não aconteceu. Vogel ainda não conseguiu utilizar Kendrick Nunn e Trevor Ariza, lesionados, enquanto Talen Horton-Tucker demorou a estrear.
O técnico sabe que o dele está na reta, mas LeBron gosta de seu trabalho. Por enquanto, ele fica.
Então, as alternativas acabaram. O Lakers não pode ser campeão enquanto não trocar Russell Westbrook. Precisa de opções para mudar tudo.
Erros de ataque
Em 11 dos 29 jogos, Westbrook cometeu cinco erros ou mais. Em apenas três oportunidades ele perdeu menos de três posses de bola. Mas o que isso significa? Os turnovers custam jogos. São as vezes em que o jogador está, geralmente, na quadra de ataque e perde a bola, seja com passe errado ou não. Assim, o oponente, na maioria das vezes, pega a defesa despreparada, sofrendo o contra-ataque.
Lembre-se. O Lakers é um time lento na defesa, mas preparado para não sofrer ali. Quando o ataque oponente fica com a bola depois de um erro, invariavelmente a defesa de Los Angeles vai entrar em colapso.
É natural que você procure no armador as principais ações ofensivas. Mas entenda: na temporada passada, enquanto o mundo reclamava de Dennis Schroder e que o Lakers cometia muitos erros de ataque (terceiro pior em 2020-21) e você opta por Westbrook, é porque os turnovers parecem não importar tanto. Na atual campanha, o time repete a terceira pior marca. A equipe leva 13.7 pontos de transição por jogo, a sexta pior, por causa desses erros ofensivos. Por fim, o Lakers sofre 16.9 pontos por jogo após perda de posse de bola. É um sofrimento, só por causa de um problema ofensivo.
Quando se fala que a defesa do time não é tão terrível quanto parece, é por causa disso aqui: o Lakers tem o 11° defensive rating da temporada. A grande, a enorme diferença entre Schroder e Westbrook está aí. Enquanto o primeiro é um excelente defensor, o atual armador da equipe é bem questionável. Na temporada passada, a equipe de Los Angeles, mesmo com todos os problemas, tinha o melhor defensive rating.
Esqueça os triplos-duplos. Estas são as estatísticas que importam.
Soluções para trocar Russell Westbrook e o Lakers tentar ser campeão
Antes de qualquer coisa, é preciso entender o que o Lakers quer. Sabendo disso, o próximo passo é agir com a cabeça. LeBron James quer, pelo menos, mais dois títulos antes de se aposentar. O motivo? Empatar com Michael Jordan. Entetanto, o tempo está passando e James não está ficando mais jovem.
É necessário saber, também, o que acontece com Anthony Davis. Por vezes, ele parece passivo demais no ataque, longe daquele que se apresentou na “bolha” de Orlando. Porém, Davis faz parte do que o Lakers e LeBron entendem como candidato ao título.
Então, vamos ao que interessa: como trocar Russell Westbrook em um cenário como o atual?
Westbrook é um jogador caro, mas com ressalvas. Seu salário é proibitivo para muitas equipes. No entanto, sempre existe um time querendo ele por diversos motivos: carismático, vende camisa, vende ingresso, é uma atração, de fato. Enquanto os jornais vendem seus triplos-duplos, ele cresce de produção. É só lembrar o que ele fez com o Washington Wizards na temporada passada. O astro estava mal fisicamente e não conseguia repetir suas atuações da época do Oklahoma City Thunder, mas quando se recuperou, levou o Wizards aos playoffs.
Na atual temporada, ele receberá cerca de US$44.2 milhões. Trocar por Ben Simmons, como o Jumper Brasil noticiou na quinta-feira, não muda o fato de o time não ter um arremessador confiável. Westbrook acerta 32.2%, enquanto Simmons sequer arrisca. Tudo verdade, mas o australiano não comete tantos erros de ataque e é um exímio defensor.
Buddy Hield?
A partir disso, tem a sonhada negociação por Buddy Hield. O Sacramento Kings não vai a lugar algum, com 12 vitórias e 17 derrotas. Hield é um especialista em arremessos, mas também não é um terceiro astro. O jogador de Bahamas, que comemora 29 anos nesta sexta-feira (parabéns, felicidades e um ótimo time novo), está louco para sair de lá. O problema, entretanto, é que ele recebe US$22.4 milhões. Com Harrison Barnes (US$20.3 milhões), dá certo. Apesar disso, o Lakers teria de enviar alguns contratos para agradar o parceiro de troca.
Talen Horton-Tucker, provavelmente, seria o mais atrativo, mas ele só pode ser trocado após o dia 15 de janeiro. Kendrick Nunn seria outra opção para ir junto. Acontece que o Kings tenta se livrar, também, de Marvin Bagley. Se inserir, de um lado, Westbrook, Horton-Tucker e Nunn, enquanto Hield, Barnes e Bagley tomariam caminho oposto, a negociação bateria os salários e agradaria as duas partes.
Ainda tem um fato. A diretoria do Kings estaria pensando em trocar De’Aaron Fox. O cenário ideal seria buscar um ala-pivô, envolvendo o armador em uma negociação com um terceiro time. Hoje, Fox recebe US$28 milhões e pode contribuir em diversas equipes, como Boston Celtics, Brooklyn Nets, Houston Rockets, Indiana Pacers, New York Knicks, entre outros.
Imagine um quinteto com Rajon Rondo, Buddy Hield, LeBron James, Harrison Barnes e Anthony Davis. Ou o Kings com Russell Westbrook, Tyrese Haliburton, Talen Horton-Tucker, jogador vindo da troca de Fox e Richaun Holmes. Ambos brigariam por mais coisas do que atualmente.
Teste de necessidade
Pode parecer cruel, mas não é. Nas próximas partidas, Russell Westbrook não vai jogar, após entrar no protocolo de saúde da NBA. O veterano Isaiah Thomas foi chamado para integrar o elenco. Assim, será um teste para saber, de vez, sua necessidade no elenco do Los Angeles Lakers. Rajon Rondo terá a missão de entrar no time titular, talvez, para ficar após uma troca do camisa 0.
Claro, tudo é no ramo especulativo. É óbvio que ele possui talento e tem sua importância na liga. Seria o fim de um casamento que não deu certo, apenas. Não que isso seja novidade para o “GM” LeBron James. Para quem não se lembra, Dwyane Wade chegou ao Cleveland Cavaliers ao seu pedido e foi negociado posteriormente. Portanto, se ele entender, neste período sem Westbrook, que o armador não é necessário para brigar pelos primeiros lugares, a troca vai acontecer.
Sim, o Lakers, se quiser ser campeão em 2021-22, vai precisar trocar Westbrook. Embora as coisas não tenham saído como o planejado, ainda há tempo disso.
Siga o Jumper Brasil em suas redes sociais e discuta conosco o que de melhor acontece na NBA: