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San Antonio Spurs: uma equipe peculiar liderada por DeMar DeRozan

Matheus Gonzaga e Pedro Toledo analisam o desempenho do Spurs na fase regular em 2020/21

título derozan lakers
Brian Babineau / AFP

O San Antonio Spurs é uma equipe bem peculiar. Se, por um lado, é um time comandado por DeMar DeRozan, a maior parte do elenco é composta por jogadores jovens, que cumprem papéis secundários de forma muito boa. A temporada da equipe é mediana, composta por altos e baixos e alguns aspectos bem únicos.

San Antonio tem o 18º ataque e a 12ª defesa da NBA. Em termos de estilo, destaca-se a baixíssima taxa de desperdícios de bola (a segunda menor da NBA), o fato de a equipe arremessar mais de meia distância que qualquer outro time da liga e o diminuto volume de bolas para três pontos. 

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O caso da meia distância do Spurs é bem curioso. Mesmo com o altíssimo volume e tentativas difíceis, a franquia texana tem um dos cinco melhores aproveitamentos de toda a liga na região: 44.2%. Ainda não é um ataque exatamente eficiente, e as tentativas deveriam ser reduzidas, mas é uma arma interessante para momentos pontuais, especialmente quando o arremessador é DeRozan (47%) ou Dejounte Murray(46%). Ambos são jogadores muito capazes na região, com eficiências bem acima da média, mas mesmo assim, acho o volume exagerado. Gerar 0.93 pontos por arremesso não é algo realmente positivo.

DeRozan, na realidade, tem se destacado em outro aspecto do jogo ofensivo: a armação. O ala tem dado sete assistências por partida, enquanto desperdiça a bola apenas duas vezes por jogo (uma marca minúscula comparada à sua usagem). Com isso, o ataque do Spurs funciona muito melhor com seu astro em quadra. São 113 pontos por 100 posses com DeRozan em quadra, contra 104.8 sem ele. Essa é aproximadamente a  diferença entre o 13º e o 29º ataques da NBA. A capacidade de elevar o jogo dos companheiros tem sido um destaque do jogador em San Antonio, mas sua capacidade de pontuação ainda é muito relevante, ao gerar 21 pontos em bons 59% de True Shooting. Seus dois principais componentes nesse sentido são o jogo de um contra um (são 1.2 pontos por tentativa em três posses por jogo – nenhum jogador na liga de volume comparável é tão eficiente como a estrela do Spurs) e o jogo no pick-and-roll (1.02 pontos por tentativa em cerca de oito posses – aproveitamento melhor que 80% da NBA). Mas, o que causa essa eficiência? DeRozan não gera bolas de três pontos e não tem sido um grande infiltrador nesta temporada. A resposta: os lances livres. O ala bate sete por partida, em média, normalmente cavados através de uma das duas jogadas mencionadas, e converte 88%. No geral, DeRozan tem uma das dez maiores taxas de faltas cavadas da NBA, o que leva a um ataque muito eficiente.

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O problema é o outro lado da quadra. Se o ataque do Spurs é oito pontos por 100 posses melhor com seu cestinha, na defesa ocorre o contrário. San Antonio cede 105.5 pontos por 100 posses sem DeRozan, contra 115 com ele em quadra. Essa diferença é brutal, parecida com a entre a melhor e a segunda pior defesas de toda a NB. É claro que há outros fatores envolvidos, mas DeRozan é claramente um negativo bem significativo na defesa.

Falando na defesa, seu coração é o pivô Jakob Poeltl, que assumiu a titularidade antes mesmos da saída do veterano Lamarcus Aldridge. O jogador austríaco está entre os cinco melhores defensores da liga, segundo o D-RAPTOR e o D-LEBRON, duas métricas de impacto defensivo. Poeltl também é o sexto colocado da NBA em tocos, o segundo jogador que mais contestou arremessos no aro e foi o quinto que mais dificultou a finalização dos adversários nessa situação (cedendo 50% de aproveitamento próximo a cesta, uma marca de elite). Pouco se fala, mas rapidamente ele se tornou um defensor de elite e, junto a Murray, o pilar da identidade defensiva que tem surgido na equipe texana. Murray é um dos melhores ladrões de bola da liga, enquanto Poeltl pode cobrir consequências da agressividade defensiva com sua proteção de garrafão.

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O Spurs é uma equipe cheia de problemas, falta muito espaçamento de quadra, os arremessadores  não são tão bons, há um excesso de bolas de meia distância, dificuldade de chegar até a cesta… Mas o time é competente de outras formas: uma proteção de aro fortíssima, pouquíssimos desperdícios de bola e a evolução de DeRozan em um legítimo criador de jogadas fazem com que San Antonio sonhe em restabelecer sua sequência de idas aos playoffs. No papel, é o mais fraco dentre os times de play-in do Oeste, mas é difícil duvidar de Gregg Popovich, especialmente quando são jogos únicos. Caso chegue nos playoffs, a equipe texana não terá muitas chances, podendo no máximo roubar um jogo, caso tudo funcione bem.

* Por Matheus Gonzaga e Pedro Toledo (Layups & Threes)

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