Notícias Rumores Opinião Classificação Onde Assistir
Conferência Leste
Atlanta Hawks Boston Celtics Brooklyn Nets Charlotte Hornets Chicago Bulls Cleveland Cavaliers Detroit Pistons Indiana Pacers Miami Heat Milwaukee Bucks New York Knicks Orlando Magic Philadelphia 76ers Toronto Raptors Washington Wizards
Conferência Oeste
Dallas Mavericks Denver Nuggets Golden State Warriors Houston Rockets LA Clippers LA Lakers Memphis Grizzlies Minnesota T-Wolves New Orleans Pelicans OKC Thunder Phoenix Suns Portland Trail Blazers Sacramento Kings San Antonio Spurs Utah Jazz

Reconstruções – Parte 3

O Los Angeles Lakers nunca ficou três temporadas seguidas fora dos playoffs

Se existe um time na NBA que pode estar perdendo, vendo a equipe desmoronar, e seu torcedor vai continuar acompanhando, é o Los Angeles Lakers. Responsável por nada menos que 15 títulos na liga, mais um da BAA, a franquia californiana não só possui mais adeptos, mas também é a que vale mais, de acordo com a revista Forbes. O momento ruim dentro de quadra contrasta com o passado de vitórias e de inúmeros ídolos.

Uma pergunta rápida: para você, torcedor do Lakers, quem é o melhor jogador de todos os tempos do time? Alguns vão arriscar Magic Johnson, outros, porém, vão cravar Kobe Bryant, ou até mesmo Kareem Abdul-Jabbar. De qualquer forma, todos eles foram responsáveis por algo quase inacreditável: o Lakers jamais ficou de fora dos playoffs por mais de duas temporadas seguidas. E isso aconteceu apenas uma vez, entre 1974-75 e 1975-76. Isso certamente irá se repetir neste ano, porém a corrida contra o tempo já é para evitar uma inédita terceira.

Continua após a publicidade

Enquanto a diretoria se prepara na tentativa de evitar este sofrimento, vamos até o início dos anos 90, quando o Lakers sofreu sua pior derrota de todos os tempos: a descoberta do vírus HIV em Magic.

Aos 31 anos, Johnson já era um jogador consagrado. O sujeito foi selecionado nada menos que 11 vezes em suas 12 primeiras temporadas para o Jogo das Estrelas, cinco vezes campeão, outras três eleito o MVP, e líder em assistências em três ocasiões. Isso é algo para poucos. Bem poucos.

Continua após a publicidade

Na temporada 1990-91, Magic e o Lakers enfrentaram o Chicago Bulls de Michael Jordan em uma das finais mais empolgantes de todos os tempos. Ora, de um lado estava um verdadeiro mito e do outro, um que estava iniciando sua sequência de seis anéis. Ter perdido o título para Jordan deixou o então armador bastante irritado, o que era algo bastante difícil de acontecer pelo já conhecido ótimo humor. Ele estava mordido e queria a revanche de todas as formas no ano seguinte.

Entretanto, durante os testes físicos para 1991-92, Johnson descobriu que portava o vírus da doença e foi obrigado a abandonar a brilhante carreira de forma abrupta. Apesar de alguns jogadores na época se mostrarem contra, Magic foi escolhido para atuar como titular no All Star game daquele ano pelo voto popular e aquele jogo não poderia terminar de forma diferente, a não ser com uma cesta dele no fim. Deixamos de lado o fato de a partida ainda não ter acabado oficialmente. Foi ao mesmo tempo épico e o primeiro fim para o lendário camisa 32. 

Continua após a publicidade

Posteriormente, ele ainda disputou as Olimpíadas de Barcelona, em 1992, e foi um dos grandes destaques. Sem erros, sem surpresas. Foi exemplar.

Mas o Lakers sentia sua ausência. E de forma dura.

Sem ele em quadra, o time foi aos playoffs nos dois anos seguintes, mas o resultado não agradava ninguém. Eliminado nas duas vezes ainda na primeira rodada e para piorar ainda mais, sequer se classificou em 1993-94, quebrando uma série de 17 anos consecutivos. Até Magic se aventurou como treinador, após a demissão de Randy Pfund, o mesmo executivo do Miami Heat entre 1996 e 2008.

Continua após a publicidade

Mesmo contando com jogadores como Vlade Divac, Elden Campbell, Nick Van Exel, e os promissores George Lynch e Doug Christie, além dos já veteraníssimos James Worthy e Kurt Rambis, o Lakers não teve forças para superar seus rivais de conferência.

Os próximos anos foram considerados péssimos, apesar de o time sempre se classificar para os mata-matas, sempre caía cedo. Magic ainda retornou às quadras em 1995-96 por 32 jogos, na maioria das vezes como ala ou ala-pivô. Mas quem se importava com isso? O cara chegou a jogar de pivô na partida decisiva de 1979-80 e ainda saiu como o MVP das finais. Porém, ali ele parava de vez.

Continua após a publicidade

Cinco anos depois do pior anúncio que o Lakers poderia ter, o time fez um de seus melhores: a contratação do pivô Shaquille O’Neal.

Vindo do Orlando Magic, onde chegou a disputar uma final diante do Houston Rockets de Hakeem Olajuwon, Shaq já era realidade. Em quatro temporadas pelo time da Flórida, ele havia quebrado algumas tabelas e deixado grandes pivôs sem respostas dentro de quadra. O’Neal passava por cima de qualquer um, era o mais dominante dentro do garrafão, mas faltavam-lhe títulos. Apesar disso, naquele ano, chegara um jogador vindo direto do colégio para ser seu fiel escudeiro: Kobe.

Continua após a publicidade

A parceria teve sucesso quase imediato, porém ainda não estava completa. Precisavam de um treinador capaz de organizar todos os sentidos dentro e fora das quadras, além de alguém com uma tática vencedora. Phil Jackson foi a resposta em 1999-00.

O triângulo ofensivo, um dos responsáveis por seis títulos em Chicago, estava em Los Angeles e Jackson o encaixou, mesmo quando Shaq se perguntava se seria eficaz: “Certo, triângulo. Então, quem sou eu? Luc Longley? Estranho”.

Continua após a publicidade

Mas foi.

https://www.youtube.com/watch?v=6HlDyLpfDWE

O Lakers triunfou por três vezes seguidas, mas a segunda delas foi deslumbrante. Nos playoffs de 2000-01, o time sofreu apenas uma derrota, e nas finais para o Philadelphia 76ers de Allen Iverson. O’Neal foi o MVP nas três ocasiões, com sobras. 

Enquanto Shaq reinava, aos poucos Bryant ganhou espaço e tornou-se, com todos os méritos, o status de estrela e até mesmo cestinha da equipe.

Continua após a publicidade

Em 2002-03, um revés. A relação dos dois, outrora perfeita, passou a ter contratempos quase que diários. Tanto que foram formados dois grupos dentro do elenco. Um em prol de O’Neal e outro a favor de Kobe. A situação não poderia ser diferente além de uma eliminação para o time que seria campeão naquele ano, o San Antonio Spurs.

Arestas foram aparadas, ao menos oficialmente, para 2003-04. A ambição da diretoria e de seus principais jogadores era a mesma: mais um título.

Continua após a publicidade

Para tal, o Lakers assinou com os astros Karl Malone e Gary Payton.

Já contei isso para vocês uma vez, mas vou contar de novo.

Payton simplesmente não entendia os triângulos, o que não chega a ser nenhuma vergonha para J.R. Smith. Malone se machucou ao tropeçar no pé de Derek Fisher, enquanto Shaq e Kobe pouco se falavam. 

Apesar disso, dentro de quadra os gênios se entendiam e o time chegou nas finais como o franco favorito contra o Detroit Pistons.

Continua após a publicidade

Mas Shaq estava pesado demais para cobrir os arremessos de Chauncey Billups e Rip Hamilton do lado da tabela, e também não conseguia se livrar totalmente do paredão formado por Ben Wallace e Rasheed Wallace. Kobe estava muito bem marcado por Tayshaun Prince, e o resto foi apenas o resto mesmo.

O Pistons sacramentou não só a derrota do Lakers, mas o fim de uma era. O’Neal foi trocado para o Miami Heat, enquanto Malone se aposentou, Payton saiu correndo para o Boston Celtics, e Jackson escreveu o livro “The Last Season: A Team in Search of its Soul”, que conta a guerra de egos e as brigas que teve com Bryant.

Esse desmanche resultou em 2004-05 sem playoffs para o time de Los Angeles. Para quem tinha O’Neal, contar com Chris Mihm como titular foi quase que você trocar uma Ferrari por um Fusca. E não estou exagerando.

Jackson resolveu voltar ao Lakers em 2005-06, mas os resultados não passavam de novas eliminações na primeira rodada. Até que um dia a direção resolveu agir: conseguiu enviar Kwame Brown, alguns trocos de bala e os direitos do então desconhecido na NBA Marc Gasol pelo seu irmão, Pau.

E a troca não só surtiu efeito quase imediato, como também deixou uma sensação de que o Memphis Grizzlies levou uma senhora manta. Claro que demorou a cair a ficha e Marc ainda levou tempo para se tornar o que é hoje, mas naquele momento foi algo absurdo.

O Lakers voltou às finais e contra o Boston Celtics, que estava em seu primeiro ano com Paul Pierce, Kevin Garnett, Ray Allen, e Rajon Rondo. Perdeu, mas Jackson tinha novamente um elenco de respeito, com Lamar Odom em grande fase e Andrew Bynum ganhando respeito.

Em 2008-09 e na temporada seguinte, o Lakers superou o Orlando Magic e se vingou do Celtics, conquistando dois títulos consecutivos. Já em 2010-11, parou pelo caminho após ser derrotado pelo Dallas Mavericks, que bateu o Miami Heat na final.

Jackson parou por ali. Deu lugar a Mike Brown, ex-técnico do Cleveland Cavaliers. Mas Brown durou só por uma temporada e cinco jogos de 2012-13. Mike D’Antoni assumiu o cargo com um elenco de dar inveja, que contava com Steve Nash, Dwight Howard, além de Gasol e Kobe.

Mas quem pensou que aquele time pudesse ser campeão, se enganou completamente. E eu me incluo nesta. O grupo era excelente, porém era pouco, ou quase nada eficaz. Quase não se classificou para os playoffs, e logo Howard rumou para o Houston Rockets. Aparentemente, alguns problemas aconteceram por ali entre Bryant e ele.

https://www.youtube.com/watch?v=mwokzThiJ18

De contrato renovado, Kobe bem que poderia ter pensado em ajudar seu time a contratar jogadores de peso em busca de um novo título. Mas não. Ele preferiu seguir ganhando muito, ao contrário de Dirk Nowitzki, e o Lakers também não se ajudou.

Quando poderia brigar por jogadores talentosos, preferiu reassinar com Nick Young, Jordan Hill, e deu acordos lucrativos para Jeremy Lin e Carlos Boozer, além de não ter feito a menor questão de acertar novos salários com Pau Gasol.

Hoje, o Lakers está em baixa. Quem vê esse Gasol que vai disputar o Jogo das Estrelas como titular, fica intrigado com aquele que vestia a 16 dourada. São dois completamente diferentes, o que já fez vários jornalistas se perguntarem se o problema não era ele, mas a falta de empenho. Agora, aquela preguiça era devido a algum jogador ou será que a questão era com a diretoria?

De uma forma ou de outra, ele faz parte do passado, assim como as derrotas. Bem, essas ficam até o fim de 2014-15. Mas a partir da próxima temporada, isso deve mudar.

O Lakers terá um espaço gigantesco em sua folha salarial, mesmo que Bryant permaneça no elenco. Existe uma possibilidade de ele parar, por conta de repetidas lesões, e até porque ele não precisa provar mais nada para ninguém, convenhamos.

Essa nova reconstrução precisa ser séria, sem contratos de gratidão, e com apenas uma meta: voltar a brilhar. Até porque, para o torcedor — que não quer ouvir sobre a aposentadoria de Kobe por nada — não suporta mais ver jogadores de nível questionável em seu elenco e jamais imagina ver o recorde de três temporadas seguidas fora dos playoffs.


Ah, quase ia me esquecendo. Na última quinta-feira, conhecida também como ontem ou hoje (são 7 da manhã quando termino de escrever e ainda não dormi), o Jumper Brasil completou oito anos de existência, graças aos nossos leitores, patrocinadores, e ao imenso esforço de meus colegas. Sem tudo isso, jamais estaríamos aqui. É um hobby, mas é um hobby sério. Obrigado a todos que contribuíram durante todo esse tempo.

comentários