Notícias Rumores Opinião Classificação Onde Assistir
Conferência Leste
Atlanta Hawks Boston Celtics Brooklyn Nets Charlotte Hornets Chicago Bulls Cleveland Cavaliers Detroit Pistons Indiana Pacers Miami Heat Milwaukee Bucks New York Knicks Orlando Magic Philadelphia 76ers Toronto Raptors Washington Wizards
Conferência Oeste
Dallas Mavericks Denver Nuggets Golden State Warriors Houston Rockets LA Clippers LA Lakers Memphis Grizzlies Minnesota T-Wolves New Orleans Pelicans OKC Thunder Phoenix Suns Portland Trail Blazers Sacramento Kings San Antonio Spurs Utah Jazz

Conhece a palavra tank?

Você pode até não conhecer o significado da palavra tank, mas com certeza odeia e entenderá exatamente do que estou falando. É simples. Quando um time vê que não possui chances de classificação para os playoffs, sua direção avisa: “vamos perder por querer”. Claro que isso não é totalmente exposto. É algo velado, porém ao […]

Você pode até não conhecer o significado da palavra tank, mas com certeza odeia e entenderá exatamente do que estou falando.

É simples.

Quando um time vê que não possui chances de classificação para os playoffs, sua direção avisa: “vamos perder por querer”. Claro que isso não é totalmente exposto. É algo velado, porém ao mesmo tempo fica claro o que está acontecendo.

E nesta temporada, algumas equipes já começaram a fazer o uso dessa artimanha. Mas por que fariam isso? Aí é bem fácil de entender.

Continua após a publicidade

Pelas regras da NBA ou de qualquer esporte norte-americano, o time que fica entre os últimos, possui maiores chances de escolhas altas no próximo draft. E como os prospectos de 2012 são considerados fortíssimos, a chance de se dar bem é boa.

O San Antonio Spurs, time que vive brigando por títulos nos últimos 15 anos, fez uso disso em 1996-97, ao melhor estilo de “eu sei o que vocês fizeram no verão passado”.

Foi um ano terrível para a equipe texana. O Spurs perdeu o seu principal jogador, o pivô David Robinson, por 76 partidas. Robinson machucou-se e teve de passar por uma cirurgia no pé. Sean Elliott, que chegou a atuar no Jogo das Estrelas, também pouco jogou naquele ano. No fim, o San Antonio contava com Dominique Wilkins em fim de carreira, e o único que esteve nos 82 jogos foi o fraco Greg “Cadilac” Anderson.

Continua após a publicidade

O que fazer em um ano que é notório que não dará em nada? Bem, você já sabe. Perder é o caminho. Ainda mais que no draft teriam jogadores do calibre de Tim Duncan, Keith Van Horn, Tracy McGrady, e Chauncey Billups. Acabou com a primeira escolha e Duncan foi para lá. Resultado: 20 vitórias em 96-97, mas quatro títulos depois disso. Nada mal.

Entretanto, nem sempre isso dá certo.

Em 2007-08, o Chicago Bulls nem foi assim tão mal. Não obteve a classificação para os playoffs, obtendo o 11° lugar na conferência Leste. O Miami Heat, que ficou com a pior campanha da NBA, teve a segunda escolha. Adivinha de quem foi a primeira? Sim, Bulls. Quem o Bulls escolheu? Derrick Rose. O Heat foi de Michael Beasley. Tem uma certa diferença nos dois, não?

Continua após a publicidade

Agora, alguns times estão claramente perdendo por querer. Mas não. Não estou falando do Charlotte Bobcats. A equipe foi mal a temporada toda, e ainda teve problemas de contusões com alguns de seus melhores (?) jogadores, como Corey Maggette, Tyrus Thomas, e D.J. Augustin. O fato de o time estar sem vencer há nove jogos, não significa nada além de um elenco fraco, com atmosfera ruim, e uma diretoria que parece não saber o que está fazendo. Kwame Brown lembra algo?

Também não falo do Golden State Warriors, que despencou depois da saída de Monta Ellis para o Milwaukee Bucks, vencendo apenas três dos 14 jogos seguintes. Todo mundo sabe que o planejamento é para os próximos anos, com a chegada de Andrew Bogut. Isso se o australiano não se machucar de novo.

Continua após a publicidade

Mas nessa semana, o provável vencedor do prêmio de calouro do ano, o armador Kyrie Irving, poderá não atuar mais em 2011-12 pelo Cleveland Cavaliers. Também, com a contusão do brasileiro Anderson Varejão, a equipe ficou sem referência dentro do garrafão. Muitos podem dizer que Varejão não é bom tecnicamente, porém é notório que o Cavs perdeu o rumo depois de sua lesão.

Em 25 partidas com o ala-pivô em quadra, o time ganhou apenas dez, o que dá 40% de aproveitamento. Só que sem ele, nos 27 embates seguintes, venceu somente sete (26% de vitórias). Já são nove derrotas seguidas e 12 nos últimos 13 jogos. Sem Irving e Varejão, a tendência é perder mais ainda. Hoje, o Cavaliers é o 13° do Leste.

Continua após a publicidade

O que falar do Washington Wizards, então?

A nova equipe de Nenê é ruim. Isso é fato. O time é cercado por jogadores jovens e alguns deles até são promissores. Tanto é, que nove deles possuem 25 anos ou menos. John Wall é o melhor nome da equipe. E ele está apenas em sua segunda temporada.

O caso do Wizards parece com o do Bobcats, mas não é. O time da capital não faz esforço nenhum para vencer. Isso ficou claro em alguns jogos, como na derrota para o Indiana Pacers, no dia 22 de março. O Washington vencia por 22 pontos de diferença e ainda assim perdeu. Dois dias depois, contra o Atlanta Hawks, a mesma coisa. Chegou a estar na frente pelos mesmos 22 pontos e saiu de quadra derrotado. Tank?

Continua após a publicidade

Para que a coisa não ficasse tão na cara, a filosofia da equipe passou a ser a seguinte: jogar mal nos três primeiros quartos e depois, no último, atuar de igual para igual. Foi assim nos últimos quatro jogos.

O New Orleans Hornets pode estar passando pelo mesmo processo, depois da saída de Chris Paul. Os problemas são gigantes. Tanto que a NBA é a própria NBA quem administra a franquia. Mas que a contusão de Emeka Okafor foi estranha, foi. Vou deixar para que o meu xará, o Gustavo Lima, fale mais sobre isso nos próximos dias.

Continua após a publicidade

Aparentemente, o projeto Anthony Davis é a meta de todos os times que perdem por querer neste final de temporada. Davis acabou de ser campeão por Kentucky na NCAA e ainda precisa ser lapidado. Mas quem ficar com a primeira posição, fatalmente brigará pelos playoffs nos próximos três anos.

Historicamente é assim. De 1990 até 2001, apenas cinco equipes não conseguiram a classificação para os mata-matas nos três anos seguintes: Milwaukee Bucks (Glenn Robinson, 1994), Golden State Warriors (Joe Smith, 1995), Los Angeles Clippers (Michael Olowokandi, 1998), Chicago Bulls (Elton Brand, 1999), e Washington Wizards (Kwame Brown, 2001).

Continua após a publicidade

Não por menos, dois dos cinco são considerados os maiores erros em todos os tempos do draft (Olowokandi e Brown).

O Clippers, que só não se classifica nesse ano por milagre, poderia emplacar a lista pela segunda vez. Na temporada que vem, se o Wizards não se cuidar, aparecerá. Coincidência ou má administração?

David Stern, o chefão da Liga, quer mudar as regras do draft por causa dessas derrotas por querer. Não poderia concordar menos.

Continua após a publicidade

A temporada regular está chegando ao fim e acaba no próximo dia 26. Até lá, outros times podem fazer uso dessa prática. Condenável ou não, já provou-se os dois lados da moeda.

E você, se fosse o manda-chuva de uma franquia, faria o mesmo?

comentários