Como foi com Russell Westbrook, NBA é incoerente nos prêmios
Narrativas mais atrapalham do que ajudam em premiações de jogadores na liga

As narrativas são chatas demais. Todo ano tem alguém tentando criar uma para dar prêmios individuais na NBA, como aconteceu com aquele MVP de Russell Westbrook, em 2017. Na época, batemos muito na tecla que o triplo-duplo seria banalizado e ninguém ouviu. Hoje, adivinhe?
Mas é fato. Pare e pense: quantas vezes um MVP não foi por campanha? Busque na memória ou pesquise. O resultado será o mesmo. No entanto, há nove anos, houve um caso raro para dizerem: “tudo bem, isso merece”.
Como é que é?
Desde o MVP de Russell Westbrook, ele teve mais três temporadas de triplo-duplo, sendo duas pelo Oklahoma City Thunder e outra no Washington Wizards. Sabe em que posição ele ficou no MVP naqueles anos?
Quinto, décimo e décimo primeiro.
O Thunder foi sexto no Oeste naquele ano. De acordo com as regras atuais, o time estaria custando a se classificar direto aos playoffs da NBA, mas Westbrook venceu. E tem mais: a equipe de Oklahoma City ficou com 20 vitórias a menos que o Golden State Warriors, oito a menos que o Houston Rockets, então de James Harden.
Russell Westbrook venceu um dos prêmios mais estranhos da NBA
Na época, diziam que era apenas hate de minha parte, que era a história sendo feita. Mas ninguém mesmo considerou que o Thunder era só um time que dependia muito de Westbrook e, por isso, ele tinha de fazer coisas espetaculares na NBA?
Sim, o feito é histórico. Não tenha a menor dúvida. Russell Westbrook conseguiu algo incrível, mas isso não dá MVP.
Um exemplo claro é o de Mark McGwire, quando quebrou o recorde de Baby Ruth, em 1998 nos home runs na MLB. Ele não foi o MVP, pois ficou com Sammy Sosa, seu rival naquele ano. No entanto, o Chicago Cubs, de Sosa, teve uma campanha superior ao Saint Louis Cardinals, de McGwire.
Sosa foi o MVP.
Na NBA, se você buscar a temporada de 2004/05 de Kobe Bryant, vai achar que ele ficou com todos os prêmios. Mas o MVP nunca foi sobre um jogador. Sempre pelo que aquele cara fez para deixar o time em condições de ser um dos líderes da fase regular.
Kobe fez 35.4 pontos, mas o Los Angeles Lakers foi só o sexto no Oeste. Logo, a NBA deu o MVP a Steve Nash, pois o Phoenix Suns foi o terceiro melhor da conferência.
Narrativas criam mais problemas que soluções para prêmios na NBA
Tudo bem, você pode não concordar sobre alguns prêmios na NBA, como eu não concordei como Russell Westbrook MVP. Mas as narrativas são sempre chatas.
Em geral, elas querem problematizar alguém em detrimento de outro.
Naquele ano, não queriam dar o MVP a James Harden, pois o Houston Rockets era melhor.
Ué, o MVP não era o prêmio para o melhor jogador do melhor (ou melhores) times da NBA? Porque o Rockets foi o terceiro e o Thunder ficou só em sexto.
Imaginem hoje a mesma narrativa com o Thunder na sexta posição do Oeste. Aliás, peguem Anthony Edwards, que levou o Minnesota Timberwolves ao mesmo lugar em 2025/26.
Claro que Edwards não passaria do quinto lugar no MVP, sem contar as regras de 65 jogos. No Leste, acha que alguém votaria em Jalen Johnson em primeiro?
É óbvio que não.
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Então, pense nisso: há algumas semanas, alguns jornalistas disseram que Luka Doncic não merecia estar na briga pelo MVP por causa de sua defesa.
Certo…
Quer dizer que Derrick Rose foi um monstro defensivo em 2011, né? Ou, então, o mesmo Russell Westbrook, que ignorava totalmente quem estava arremessando para ir pegar rebote no box-out de Steven Adams? Talvez, porque Nikola Jokic seja um defensor espetacular.
Claro que não.
Rose nunca defendeu, Westbrook só voltou a defender depois que saiu do Lakers (e muito bem, por sinal), enquanto Jokic faz o arroz com feijão. Não tem dessa de “o jogador mais completo”. O MVP nunca foi sobre isso.
Foi sempre sobre números e vitórias.
Jokic, em 2025/26, acabou de fazer a sua segunda temporada consecutiva com média de triplo-duplo. Um pivô liderou a NBA em média de assistências pela primeira vez na história. E é provável que não vença, mesmo assim. Afinal, Westbrook banalizou a marca.
Shai Gilgeous-Alexander é o favorito
A disputa está fechada entre Victor Wembanyama, Nikola Jokic e Shai Gilgeous-Alexander. Não tem mais como ser diferente disso, pois a NBA divulgou que eles são os finalistas.
E quer saber? Tudo certo. Afinal, o San Antonio Spurs foi o segundo no Oeste, o Denver Nuggets ficou em terceiro, enquanto o Thunder dominou. É o natural.
Sim, Jokic teve média de triplo-duplo, o primeiro pivô a liderar a liga em passes decisivos e tudo mais, mas o que Shai Gilgeous-Alexander fez foi mais dominante, mais espetacular.
Imagine isso: o Thunder só teve o quinteto titular em dez dos 82 jogos e, mesmo assim, ficou em primeiro. Em várias partidas, o canadense sequer pisou no último quarto. Mas, mesmo assim, ele foi quem mais pontuou em momentos decisivos.
Isso é diferente. É por isso que ele já venceu um dos prêmios da NBA: o de jogador mais decisivo.
A culpa não é de Russell Westbrook
Por favor, entenda. Westbrook é um dos jogadores mais sensacionais de se acompanhar na NBA, mesmo em 2026. Poucos caras são tão intensos em uma quadra de basquete. Ele transpira isso e é magnífico.
Mas a culpa está longe de Russell Westbrook vencer prêmios na NBA. Ele fez o que tinha de fazer para o seu time, que era ruim, ir aos playoffs. Isso, por si só, já seria um prêmio real. Conseguiu transformar um grupo fraco em vencedor e é incrível.
Só que a culpa mesmo é de quem fez a narrativa. De quem tentou colocar o armador em um patamar que jamais esteve.
Quando viu que seus triplos-duplos transformavam em vitórias do Thunder, foi aí que ele forçou mesmo. Foram vários jogos em que ele realmente deixou de marcar seu oponente, tudo para pegar o rebote e sair em transição.
Quem disse que isso não era uma estratégia?
Sua defesa era péssima, pois ele abdicou de marcar e é isso. Mas usou o artifício para pegar o adversário “de calça curta” e conquistou vitórias com isso. E os jogos em que ficou só nessa e o time perdeu por pontuarem em cima dele?
Bem, isso é outro detalhe.
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