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A Roupa Nova do Rei

LeBron James volta para a casa depois de quatro anos

A roupa nova do Rei James de Ohio não é tão nova assim. Esteve guardada por poucos, esquecida por muitos, mas agora pronta para ser usada novamente por ele e pelos afortunados súditos. Os mesmos que choraram e profanaram contra LeBron outrora estão em festa. O Rei voltou.

Nada mais me impressionou nos dias antes da decisão de James do que a capacidade dele de, sozinho, estagnar uma Liga tão forte e poderosa quanto a NBA. Times, imprensa, atletas… todos estáticos, por dias, aguardando a palavra final de LeBron sobre seu futuro. Decisão anunciada de forma bem mais delicada desta vez. Uma carta elaborada com a ajuda de um jornalista. Segura e madura, como o próprio jogador.

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Aquele James que saiu correndo de Cleveland, culpando a todos – exceto a si mesmo – pelos recorrentes fracassos, não existe mais. A pressão era grande demais por um anel e a saída acabou sendo… a saída. Ficou em Miami por quatro temporadas, venceu a conferência Leste por quatro vezes, foi bicampeão da NBA. Mais importantes do que a evolução como jogador, os fantásticos resultados obtidos por lá possibilitaram o retorno. Agora, sem pressão. Com um novo desafio: o de levar a cidade de Cleveland a um título importante nas grandes Ligas americanas, algo que não acontece desde que o Cleveland Browns venceu a NFL em 1964.

Especula-se muito sobre o(s) motivo(s) real(is) da volta de James após quatro anos de tanto sucesso em Miami. Será mesmo o desafio? Pedido da família? Desgaste com a franquia? Remorso? A única coisa que não consigo esquecer nesta última final, contra o San Antonio Spurs, é LeBron reunido com seus companheiros minutos antes do jogo 5 e pedindo: “follow my lead”. Só que não. Só que ninguém. LeBron foi pro jogo “sozinho”. Talvez o receio de que isso vire uma rotina nos playoffs tenha feito James preferir o desafio de liderar um grupo de jovens valores em seu próprio quintal.

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A NBA está feliz por LeBron. Estamos (quase) todos agora torcendo por ele. Não importa o motivo do retorno, a percepção que ficou é que ele quis fazer o certo. Parece que aquela obsessão pelas comparações de “quem é melhor” e “quantos anéis” ficou para segundo plano. Num momento em que os grandes mercados – com exceção de Chicago – estão passando por um período de transição (i.e. Los Angeles Lakers, Boston Celtics, New York Knicks) nada melhor que uma boa estória de redenção, com um enredo sólido, para a próxima temporada.

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Diferentemente do Rei no conto de fadas do dinamarquês Hans Christian Andersen, o Rei James não está nu. Suas roupas podem ter sido rasgadas, queimadas e vilipendiadas no passado, mas o tempo apagou as marcas e o novo capítulo começa agora. O Rei está mais vivo e melhor do que nunca. Longa vida ao Rei James!

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