Não é que tenha sido só uma temporada ruim para o Miami Heat cair antes dos playoffs da NBA. Deu tudo errado. Agora, pela primeira vez desde 2019, o time não vai disputar a próxima fase da liga. A equipe da Flórida, que precisou do play-in nos últimos três anos, achou que daria certo mais uma vez. Mas não foi como queria.
Pelo quarto ano consecutivo, o Heat levou a fase regular da NBA “de barriga”. Não houve urgência da direção em achar um novo “cara” para o lugar de Jimmy Butler, enquanto pensava que a “cultura” por si só resolveria.
Mas não resolveu.
O que o resultado dessa terça-feira (14) mostrou foi muito além da queda antes dos playoffs: o Heat não funcionou por toda a campanha. Até houve um momento bom, quando Norman Powell era a principal referência no ataque. Mas Tyler Herro voltou e o time travou.
Até o começo de dezembro, Miami era o terceiro no Leste e dava sinais que poderia ser um dos mais dominantes na conferência. Afinal, tem um elenco bom o bastante para estar na briga pelo mando de quadra. Ainda mais em um ano em que o Milwaukee Bucks sequer foi ao play-in e o Orlando Magic não cresceu de produção como se esperava.
Só que o Heat flertou com o perigo logo após a boa sequência na temporada e perdeu até para Dallas Mavericks e Sacramento Kings. Aliás, foram oito derrotas em nove partidas, o que derrubou a franquia para o nono lugar. Tudo isso em um prazo de duas semanas.
Desde então, não voltou ao “normal”.
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Claro, você pode culpar LaMelo Ball pela lesão de Bam Adebayo. Foi imprudente, estúpido (nas palavras de Erik Spoelstra) e causou a saída do melhor jogador de Miami. Mas isso não explica o que o Heat fez na temporada 2025/26 da NBA para ficar em décimo e, depois, fora dos playoffs.
A queda da franquia se deu por conta de um ano todo ruim, exceto pelo começo. Por causa de uma direção que não buscou reforços e ficou esperando por Giannis Antetokounmpo.
De novo, ficou no quase.
Isso porque aconteceu o mesmo quando a direção esperou por Damian Lillard. O Heat era o time que o armador queria, a equipe era a favorita e o que aconteceu mesmo? Ele foi para o Milwaukee Bucks.
Toda essa espera causa insegurança no grupo.
E vamos ser honestos aqui: o Heat, em sua história na NBA, acabou a sua 38ª temporada e foi aos playoffs em 26 delas. Isso é uma franquia de sucesso, especialmente depois que Pat Riley chegou, em 1995/96.
Com Riley no comando, seja como técnico ou dirigente, Miami só não se classificou em cinco oportunidades até então. Ou seja, com o atual elenco, era fácil dizer que ia aos playoffs.
Não foi.
Offseason do Heat precisa ser agressiva
Uma coisa parece certa: com a ida de Norman Powell para o banco, o Heat corre sérios riscos de ficar sem ele para a próxima temporada da NBA. Ele será agente livre, enquanto o time terá de lidar com os contratos de Andrew Wiggins e Tyler Herro, que vão para o último ano.
Se seguir nessa calma, vai perder todo mundo de graça em pouco tempo.
E é bem óbvio que jogador em último ano de vínculo perde parte de seu valor de mercado. Afinal, qual garantia o time que fizer a troca tem que ele vai ficar?
Não tem nenhuma.
Jogadores do Heat no último ano de contrato na NBA
| Jogador | Valor |
|---|---|
| Tyler Herro | US$33 milhões |
| Andrew Wiggins | US$30.1 milhões |
| Davion Mitchell | US$12.4 milhões |
| Jaime Jaquez | US$5.9 milhões |
| Pelle Larsson | US$2.3 milhões |
Então, veja. Dos cinco ali, quatro foram titulares em boa parte da temporada 2025/26 da NBA, enquanto o Heat vai ter de lidar com a “ressaca” de ficar fora dos playoffs. Mas isso é sem contar com Powell, outro que esteve no quinteto principal, além de Simone Fontecchio.
Só Jaime Jaquez, no fim das contas, não foi titular. Mas, ao mesmo tempo, fez sua melhor temporada na NBA, com 15.4 pontos, 5.0 rebotes e 4.7 assistências.
Ou seja, o que o Heat está para perder não é só lamentar a não classificação aos playoffs, mas entender que a direção “estacionou” e não fez nada.
É hora de mudança, mas tem de ser sem toda essa calma que a direção teve. Afinal, Caleb Martin, Duncan Robinson e Max Strus não vão entrar por aquela porta.
Fonte: Reprodução / X

