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O Jogo em Números – Olhando para Deandre Ayton

Ricardo Stabolito Jr. analisa produtividade do pivô do Suns em início de carreira, que tem sido ofuscada pelos astros Luka Doncic e Trae Young

Há algum tempo, eu vi alguém comentar em alguma rede social que Deandre Ayton ter sido o primeiro escolhido do draft de 2018 será uma ótima “pegadinha” para fazermos quiz’s no futuro. É inegável que Luka Doncic e Trae Young, de fato, têm carreiras bem mais destacadas do que colega de classe – e chegaram até a ser titulares do Jogo das Estrelas desse ano. Eles subiram o padrão até o teto, na verdade. 

Mas será que, longe dos holofotes, o pivô do Phoenix Suns não faz um grande início de carreira que estamos simplesmente ignorando? Será que a própria situação do basquete atual, onde a maioria dos jogadores de garrafão “flerta” com a irrelevância, faz com que não olhemos esse jovem talento com a devida atenção? 

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Ayton acabou de completar 100 jogos na carreira e, nesse intervalo, registrou 57 duplos-duplos na liga. Possui, além disso, 26 atuações com mínimo de 20 pontos e dez rebotes. Para termos uma ideia do quanto esses números são expressivos, decidimos compará-los com as primeiras 100 partidas realizadas por todos os atletas de garrafão escolhidos na loteria do draft (TOP 14) ao longo dos anos 2000.  

Eis o que esse levantamento aponta:

 

Posição 

Nome Ano Duplos-duplos 
1 Blake Griffin 2010/2011 

74 

2 

Karl-Anthony Towns 2015/2016 63 
3 Emeka Okafor 2004/2006 

60 

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4 

Deandre Ayton 2018/2020 57 
5 Joel Embiid 2016/2018 

53 

6 

Dwight Howard 2004/2005 47 
7 Kevin Love 2008/2009 

45 

8 

Anthony Davis 2012/2013 40 
9 Demarcus Cousins 2010/2011 

39 

10 

Julius Randle 2015/2016 

39 

 

Posição 

Nome Ano Atuações 20/10 
1 Blake Griffin 2010/2011 

54 

2 

Joel Embiid 2016/2018 39 
3 Karl-Anthony Towns 2015/2016 

33 

4 

Deandre Ayton 2018/2020 26 
5 Anthony Davis 2012/2013 

21 

6 

Pau Gasol 2000/2001 19 
7 Emeka Okafor 2004/2006 

18 

8 

Brook Lopez 2008/2009 15 
9 Yao Ming 2002/2003 

13 

10 

Dwight Howard 2004/2005 

11 

 

Ayton está entre os quatro jogadores de garrafão mais produtivos dos anos 2000 nos dois quesitos em questão, o que é um número muito expressivo ao lembrarmos que estamos avaliando todos os pivôs escolhidos na loteria em duas décadas. É claro que essa produtividade passa por vários fatores que vão além da qualidade técnica, mas, até certa altura, todos acabam (parcial ou integralmente) se anulando. 

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Precisamos considerar que Ayton foi titular desde a sua primeira partida na NBA, por exemplo, sempre atuando minutos amplos. Isso, no entanto, também é verdade para jogadores que estão em sua frente (Blake Griffin, Karl-Anthony Towns), atrás (Dwight Howard, Anthony Davis) e até aqueles não aparecem (Andre Drummond, Chris Bosh) nas duas listas. 

Pode-se dizer ainda que atletas como Dwight Howard e Anthony Davis eram mais jovens e tinham potencial maior a ser trabalhado do que Ayton – algo que é subjetivo demais, devemos salientar. Mas, nessa linha, o mesmo pode ser dito quando comparamos o pivô do Suns com Emeka Okafor. E o que dizer sobre um caso como Joel Embiid, que só disputaria seu 100o jogo na NBA quase cinco anos depois de ter sido draftado

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O fato é que, pelas estatísticas, poucos pivôs da NBA recente tiveram um desempenho de partida tão impressionante na NBA quanto Ayton, que passa despercebido por um rendimento ainda mais notável de Trae Young e Luka Doncic. Como será o restante de sua carreira é um ponto de interrogação, mas, por mais que haja restrições a alguns aspectos do seu jogo (defesa, notavelmente), esse é um bom sinal para o Suns. 

Durante a paralisação da NBA e quarentena mundial, a coluna “O Jogo em Números” retornará em edições especiais – entre duas a três por semana – para discutir alguns pontos curiosos sobre jogadores, da temporada em aberto e da história da liga. 

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