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Utah Jazz: dominância nos dois lados da quadra e sério candidato ao título

Matheus Gonzaga e Pedro Toledo analisam o desempenho do Jazz na fase regular em 2020/21

Utah Jazz
Adam Pantozzi / AFP

Na última temporada, o Utah Jazz teve a sexta posição do Oeste e caiu na primeira rodada dos playoffs. A franquia resolveu dar uma nova chance ao seu elenco e tem sido recompensada nesta temporada regular, onde a equipe tem o melhor saldo de pontos, o terceiro melhor ataque e a melhor defesa da liga. O elenco pode ser o mesmo, mas o time de Utah é outro nesta temporada.

Ofensivamente, Utah é dito um ataque “coletivo” por sua  presença de múltiplos jogadores de bom nível. Porém, a realidade é um pouco diferente: Donovan Mitchell tem uma das cinco maiores Usage % da NBA (estimativa criada para determinar a porcentagem de jogadas de um time utilizadas por um jogador enquanto ele esteve em quadra), e o Jazz é apenas o 18º colocado na liga em arremessos assistidos. A questão é que a equipe tem um grande volume de jogadores capazes de criar para si próprios ou arremessar de diversas situações: trata-se da segunda equipe em toda a liga que mais tenta bolas de três vindas do drible, a mais que finaliza pick-and-roll através de seus condutores e uma das que mais usa arremessos off-screen. O grande volume de híbridos criadores-arremessadores gera diversas possibilidades para Utah. O time tem o terceiro melhor aproveitamento do perímetro de toda a liga – 39%, e o quarto em bolas do drible na região (36.5%). O resultado disso é uma máquina imparável de arremessos de três. Não há muito o que fazer quando quase todos os jogadores no perímetro podem criar bolas para si mesmos: Mitchell, Mike Conley (acertando incríveis 40% em mais de quatro tentativas), Bojan Bogdanovic, Jordan Clarkson e Joe Ingles (43.6%!) tentam mais de dois arremessos do tipo por jogo. 

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Falar sobre Mitchell é um pouco complexo. Por um lado, ele é o jogador de maior volume em um ataque de elite. Por outro, sua eficiência é completamente mediana (56.9%). Por si só, seus arremessos não levam a esses números de elite. Só que o Jazz é muito superior nesse lado da quadra com a sua presença. A questão é que sua capacidade de chamar a atenção de defesas adversárias serve como recurso que facilita que os demais jogadores operem. Além disso, ele não depende de ter a bola em mãos, sendo melhor que 94% da liga ao receber a bola em situação de spot up. Mitchell não é uma superestrela, mas é um iniciador de alto nível, que, ao lado de outros criadores, consegue gerar um time muito eficiente.

Já falamos muito sobre o ataque, mas o principal cartão de visitas do Jazz é a defesa, especialmente a genialidade defensiva de Rudy Gobert, que tem tido uma das melhores temporadas da história nesse lado da quadra.

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A métrica LEBRON tem a intenção de medir o impacto de jogadores para o sucesso de suas equipes. Na atual temporada, Gobert lidera a liga, praticamente empatado com Nikola Jokic (Denver Nuggets). O mais fascinante disso tudo é que, no ataque, o francês é apenas um jogador mediano (não figurando sequer entre os 100 melhores da liga em O-LEBRON), mas seu impacto defensivo é tão monstruoso que, no saldo, acaba sendo um dos melhores jogadores da temporada. A componente defensiva da métrica (D-LEBRON) coloca Rudy como um +4.95, e sua diferença para o segundo colocado (Myles Turner) é equivalente a do segundo ao 46º! Ninguém mais na liga chega na dimensão do impacto defensivo de Gobert. Ninguém na liga contesta mais arremessos por jogo (quase 20) e seus 57% de aproveitamento cedido a adversários no aro são a terceira maior marca da NBA. Some isso à sua intimidação: os oponentes por vezes desistem de atacar o aro na presença do francês, o que é comprovado pela altíssima taxa de arremessos de meia distância e de três pontos dos adversários contra Utah.

Se ainda resta alguma dúvida de que o sucesso defensivo do Jazz tem o mérito do pivô francês, basta olhar um outro número. Quando ele está em quadra, a equipe cede 1.01 ponto por posse de bola, uma marca absolutamente de elite. Sem ele, a marca sobe para 1.11, número de uma defesa mediana. Lembr-se: Utah tem dois jogadores de tamanho de armador na equipe titular, e diversos alas sem grandes perfis físicos. O motivo de eles poderem fazer isso é Gobert, que, por si só, esmaga ataques adversários.

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Há dúvidas legítimas sobre o impacto do francês na pós-temporada, onde adversários podem tentar expô-lo em pick-and-rolls. Porém, na temporada regular, ele é um defensor histórico.

O Jazz é um ataque extremamente competente por conta de seus chutadores versáteis e capazes de criar, e uma defesa de elite por conta da imponência de Gobert. Não é uma equipe com o perfil clássico de um contender – seu franchise player é neutro no ataque e seu iniciador ofensivo principal não está entre os melhores da liga (ainda que seja muito bom), mas sem dúvida alguma, o time é um dos postulantes ao título. Equipes que têm essa dominância nos dois lados da quadra costumam a ir longe na pós-temporada e, muitas vezes, terminam com o anel de campeão.

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* Por Matheus Gonzaga e Pedro Toledo (Layups & Threes)

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