Derrick Rose comandava melhor temporada do Bulls há 15 anos
Em releitura da campanha de 2010/11, armador conduziu time às finais do Leste da NBA

Na releitura da temporada 2010/11 do Chicago Bulls, Derrick Rose fazia o time de Illinois avançar às finais do Leste daquela campanha. Pouco antes do locaute (greve) da NBA, havia uma esperança de que a franquia voltasse a disputar o título.
E a direção do Bulls sabia que tinha de encontrar meios para superar LeBron James e o Miami Heat. Afinal, foi o time que tirou de Chicago o sonho de ser campeão depois da era Michael Jordan.
Nos últimos 15 anos, a equipe jamais passou perto de repetir o que aconteceu ali. Foi uma campanha especial de um time que lutava para quebrar tabus.
Confira, portanto, como foi aquela temporada do Bulls de Derrick Rose.
Bulls 2010/11
A aposta em um técnico sem experiência no cargo poderia deixar muitos torcedores preocupados, porém, Tom Thibodeau mostrou que é capaz de montar times na defesa. Claro que o treinador não caiu de paraquedas, já que era assistente na NBA desde 1989, passando pelo Minnesota Timberwolves, San Antonio Spurs, Philadelphia 76ers, New York Knicks, Houston Rockets, e Boston Celtics. Ou seja, ele acumulou bagagem para assumir a posição.
De cara, Thibodeau colocou o Bulls entre os favoritos da conferência Leste ao utilizar um time completamente diferente do ano anterior. Nada menos que oito jogadores vieram da agência livre, entre eles, dois titulares: Carlos Boozer e Keith Bogans. A adição do primeiro, especialmente, trouxe ao time algo que não tinha há anos, que é a força ofensiva no garrafão. Desde a saída de Elton Brand, em 2001, a equipe sentia a falta de um jogador que pudesse contribuir todas as noites no ataque. Bogans era a defesa de perímetro que o time perdeu com a saída de Kirk Hinrich.
Assim, o time de Chicago começou o ano, mas foi durante a temporada que a coisa fluiu. Derrick Rose era o homem para comandar o ataque, e o fez como poucos em 2010-11, com média de 25.0 pontos por jogo. Mas foi na reta final da temporada regular que a equipe ganhou corpo. Nos últimos 31 embates, venceu 28. Para completar, o Bulls só foi perder em abril, já nos playoffs, para o Indiana Pacers.
Leia mais
- Warriors entra em alerta por joelho de Stephen Curry
- Clippers critica NBA e alega inocência no caso Kawhi Leonard
- Amen Thompson fecha contrato de cinco anos com o Rockets
Nos playoffs, o Bulls foi muito bem contra o Pacers, vencendo por 4 a 1, mas começou a se complicar na série contra o Atlanta Hawks, quando perdeu a primeira partida em casa, mas recuperou-se vencendo fora, fechando em 4 a 2. Contra o Miami Heat, começou de forma arrasadora, derrotando o oponente por 103 a 82. Era o sinal de que o título da conferência estava em suas mãos. Enganou-se quem pensou assim, pois esbarrou em LeBron James e Dwyane Wade, sendo eliminado com quatro derrotas consecutivas.
Movimentações no elenco para 2010/11
Assinou contrato com Omer Asik, em troca com o Portland Trail Blazers no dia do Draft de 2008.
Assinou com Carlos Boozer, Kyle Korver, Ronnie Brewer, C.J. Watson (assinou com o Golden State Warriors e foi trocado em seguida), Kurt Thomas, Keith Bogans, Brian Scalabrine, e Rasual Butler como agentes livres.
O perímetro
Derrick Rose foi a primeira opção de ataque do Chicago Bulls em sua terceira temporada na NBA. Ele, apesar de ser armador, carregou o time ofensivamente. Rose também tem a virtude de buscar a cesta. Ele sofreu muitas faltas, o que o proporcionou 555 arremessos da linha do lance livre. Com quase 86% de aproveitamento, o jogador só não foi melhor que o ala-armador Kyle Korver, que teve 88.5%.
Korver é especialista nos arremessos, tanto de longa distância, quanto nos lances livres. O jogador liderou o time nos dois quesitos, sendo muito importante em momentos decisivos.
Muitos não confiam na capacidade de Keith Bogans, e acham que ele poderia ser substituído como ala-armador titular. Porém, o jogador vai muito além de bom defensor. Bogans tem um arremesso de três bem calibrado, e foi quase um termômetro do time quando precisou atacar. Nas seis vezes que anotou ao menos dez pontos, o Bulls sempre venceu.
Ronnie Brewer é outro especialista em defesa. É quase um clone de Bogans, mas com mais recursos ofensivos.
Luol Deng teve uma clara evolução nos últimos anos, e teve uma temporada bastante consistente. Pela quarta temporada na carreira, ele conseguiu ao menos 17.0 pontos de média. Uma ótima terceira opção de ataque. Sua defesa é boa o suficiente para ser notada.
O garrafão
Com Carlos Boozer, o Chicago Bulls teve muito mais opções no ataque. Não é tão bom defensivamente, quanto é do outro lado da quadra, mas sabe contribuir também. Passou longe de ser a primeira opção, como fora no Utah Jazz, mas ainda assim conseguiu médias de 17.5 pontos e 9.6 rebotes. Tem um arremesso de média distância mortal, enquanto sabe jogar de costas para a tabela.
Seu companheiro de garrafão, o pivô Joakim Noah, sofre com sua fragilidade física. Atuou em apenas 48 partidas da temporada regular, mas foi efetivo quando esteve em quadra, com médias de duplo-duplo.
Por conta das lesões de Noah, o veterano Kurt Thomas foi obrigado a assumir um papel maior que lhe foi proposto no início da temporada. Ainda assim, soube lidar bem com isso, e trouxe toda sua experiência ao time. Como titular [37 jogos], Thomas obteve 7.4 rebotes e 1.0 bloqueio.
Omer Asik fez um primeiro ano satisfatório, principalmente nos rebotes. Em uma projeção, caso jogasse 24 minutos, ele teria cerca de 7.5 rebotes.
Análise geral
O Chicago Bulls, de certo modo, surpreendeu muita gente em 2010/11. Seria muito óbvio dizer que o time foi bem, pois foi parar nas finais de conferência com um elenco todo renovado. Palmas para John Paxson e Gar Forman, que souberam contratar jogadores fundamentais para a campanha. O técnico Tom Thibodeau fez o time andar nos trilhos conforme seu pensamento defensivo. Tanto é, que o Bulls só sofreu 100 pontos ou mais em apenas 14 oportunidades.
O armador Derrick Rose, que apesar de não ser um armador clássico [que pensa no passe antes do arremesso], foi o MVP da temporada e levou o Bulls longe. O time rendeu muito em suas mãos, já que nos anos anteriores era conduzido por Kirk Hinrich. Rose possui grandes jogadores ao seu lado, e poderia utilizar sua visão de jogo para crescer ainda mais. Obteve quase oito assistências por partida, entretanto é evidente que pode contribuir mais, envolver mais seus companheiros, do que se limitar aos arremessos e as investidas ao garrafão adversário.
O time inteiro é muito bom, com boas peças de reposição. Talvez tenha faltado justamente outras opções ofensivas na série contra o Miami Heat, já que Rose quis colocar a bola debaixo do braço o tempo todo [35.0% de aproveitamento em arremessos, 3.8 erros de ataque, e 6.6 assistências].
De qualquer forma, o Bulls fez um grande ano, superando todas expectativas do início de 2010/11. Seguindo assim, e melhorando em alguns aspectos, vai brigar sempre pelo título.
O Draft 2011
O Chicago Bulls não tinha escolhas entre as 20 primeiras seleções, e acabou recebendo o ala-pivô sérvio Nikola Mirotic em uma troca, e por fim, ficou com o ala Jimmy Butler, de Marquette. Nenhum dos dois deve aparecer logo de cara, já que o elenco é muito forte.
Titulares
PG: Derrick Rose – 25.0 pontos, 7.7 assistências, 4.1 rebotes
SG: Keith Bogans – 4.4 pontos, 38.0% nos três pontos
SF: Luol Deng – 17.4 pontos, 5.8 rebotes
PF: Carlos Boozer – 17.5 pontos, 9.6 rebotes, 51.0% nos arremessos
C: Joaquim Noah – 11.7 pontos, 10.4 rebotes, 1.5 bloqueio, 52.5% nos arremessos
Principais reservas
PF/C: Taj Gibson – 7.1 pontos, 5.7 rebotes
SF/SG: Kyle Korver – 8.3 pontos, 41.5% nos três pontos, 88.5% nos lances livres
PG: C.J. Watson – 4.9 pontos, 2.3 assistências
SG: Ronnie Brewer – 6.2 pontos, 3.2 rebotes, 22:00 minutos
PF/C: Kurt Thomas – 4.1 pontos, 5.8 rebotes
C: Omer Asik – 2.8 pontos, 3.7 rebotes, 12:04 minutos
Texto de Gustavo Freitas em 7 de julho de 2011
comentários