Seis agentes livres “fora do radar” que podem ajudar times da NBA
Ricardo Stabolito Junior indica atletas interessantes, sem badalação, ainda disponíveis no mercado
Vinte dias de mercado aberto, a princípio, é um ponto em que quase tudo mundo já fez o seu trabalho. A maior parte dos times da NBA está em busca de agentes livres para fechar os seus elencos. Além disso, a Summer League terminou e todos se preparam para deixar Las Vegas. Estamos em um clima de fim de festa, então, certo? Talvez, a história não seja bem essa.
A novela LeBron James, certamente, ajudou a “estender” as coisas um pouco. Vários veteranos ainda não fecharam as suas renovações de contrato – Draymond Green, James Harden – na espera da escolha do craque. E sempre sobra um ou outro nome mais conhecido (Jonathan Kuminga, Bradley Beal) depois que a poeira abaixa.
Isso sem contar os agentes livres restritos, que já discutimos em uma publicação no site nesses últimos dias. São os jogadores, afinal, com vida mais dura no mercado da NBA ano após ano.
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Mas, fora os nomes mais badalados, há um mundo de atletas ainda disponíveis. É claro que nós sabemos que existe um motivo para seguirem no mercado. Se fossem apostas certeiras, provavelmente, esses agentes livres já teriam sido contratados por times da NBA. Alguns deles, no entanto, podem ajudar e ser steals a esta altura da montagem dos elencos. Aqui estão seis “candidatos” a essa condição:
Spencer Jones (Denver Nuggets, agente livre restrito)
Spencer Jones iniciou a última temporada com um contrato two-way e, meses depois, ajudou a meio que salvar a campanha do Denver Nuggets. Afinal, ele virou uma peça crucial da rotação entre várias lesões a ponto de ser titular em três jogos nos playoffs. Foi uma injeção de vigor físico-atlético e disposição defensiva em um time que precisa muito, mas muito disso. Nunca peca pela falta de esforço.
É verdade que o ala de 25 anos sempre foi competitivo e esforço. Mas, em sua segunda temporada, foi um defensor mais versátil e disciplinado. Foi melhor marcador durante o ano, aliás, do que Peyton Watson. E a grande novidade em seu jogo foi o arremesso de três pontos bem mais regular. Tem uma das mecânicas mais esquisitas da liga, mas converteu quase 40% dos seus tiros na campanha passada.
Se você me perguntar o que Jones é para além disso, eu não sei. Acho que, em síntese, é só isso aí mesmo: arremessador capaz com boa defesa e entrega máxima em quadra. Isso pode ser pouco, mas, a esta altura, um “3-and-D” que ajudou um time competitivo e atuou nos playoffs não costuma estar disponível. Certamente, o Nuggets deveria usar o direito de restrição para não o deixar ir embora.
Ochai Agbaji (Brooklyn Nets, agente livre irrestrito)
O Brooklyn Nets não ativou a oferta qualificatória e, assim, deixou que Ochai Agbaji virasse agente livre irrestrito. Não dá para culpar o time, pois o ala deu poucas razões para o time mantê-lo em 20 jogos no fim da temporada. Mas ele é um bom projeto de recuperação para alguma equipe porque, quando teve estabilidade, já mostrou ser um “3-and-D” muito honesto.
O ala de 26 anos foi muito bem nas duas temporadas em que não foi trocado durante a campanha. Foi titular, para começar, em mais de metade dos 123 jogos que disputou. Fez 9,2 pontos em 23,9 minutos, enquanto converteu quase 38% dos seus arremessos de longa distância. E sempre esteve no topo dos índices de marcação em situações de isolation e contenção de infiltrações, por exemplo.
Eu acho que Agbaji, além disso, está alinhado com uma qualidade que se mostrou bem importante nos últimos playoffs: força física. É aquele guard alto, firme, que você pode deslocar para marcar outras posições. Cada vez mais técnicos estão atrás de jogadores mais baixos que podem fazer frente a pivôs, por exemplo. É uma opção “barata” para cumprir essa função.
Brandon Williams (Dallas Mavericks, agente livre irrestrito)
A tortuosa temporada do Dallas Mavericks deu a chance para que Brandon Williams tivesse a sua melhor chance desde o ano de calouro na NBA. E, assim como aconteceu naquela época, o armador aproveitou a situação. Ele disputou 66 jogos do time texano, sendo 15 deles como titular, e registrou médias de 13,0 pontos e 3,9 assistências. As duas, aliás, foram as maiores de sua carreira.
O jogador de 26 anos tem um problema claro em seu jogo por causa do arremesso de três pontos ruim. Armadores que não espaçam a quadra, a princípio, tem um encaixe duro. Mas ele traz duas virtudes muito em alta na liga: infiltra em alto volume e vai à linha dos lances livres o tempo inteiro. Foi o segundo atleta do Mavs com mais drives por jogo e líder em taxa de lances livres mesmo atuando só 22,2 minutos.
Williams não amplia e espaça a quadra para a sua equipe, mas quebra defesas e coloca pressão no aro. Ou seja, ganha terreno e “afunila” as marcações. Além disso, embora não seja um passador nato, deu mais de duas assistências para cada desperdício de bola na campanha passada. Não é fácil achar armadores tão produtivos pelo contrato mínimo a esta altura da agência livre.
Nick Richards (Chicago Bulls, agente livre irrestrito)
Nick Richards sempre andou na barreira entre os subestimados e superestimados. Já teve os seus momentos dos dois lados desse debate, em particular, quando ainda era reserva no Charlotte Hornets. Agora, acho que voltou a ser um pouco subestimado. Teve um fim de temporada decente em Chicago e mostrou o suficiente para que já estivesse empregado a esta altura da offseason.
De certa forma, o pivô é uma vítima das expectativas das pessoas. Todos viam aquele reserva esforçado e bem eficiente do Hornets e pensavam o que poderia ser com mais espaço. Quando ganhou mais projeção, então, todos se frustraram porque não tinha lá muito mais do que isso. Ele é um jogador de garrafão de entrega e consciente de suas limitações, mas sem refino.
Richards vai correr a quadra, finalizar de forma bastante eficiente e pegar rebotes. E é isso, pois tudo mais é complicado. Por mais que dê tocos, não é um protetor de aro impositivo ou um defensor ágil em espaço. E não adianta lhe entregar a bola se não estiver em condições de subir para a cesta. Mas quer saber? Ainda assim, ele é bem mais produtivo do que os outros pivôs no mercado – e alguns empregados.
Vince Williams (agente livre irrestrito)
Vince Williams é um caso curioso dentro dessa lista, pois vai ter que ser uma aposta. Os times da NBA que pensarem em contratá-lo devem pensar em agentes livres para serem reforços a médio prazo. Ele rompeu o ligamento do joelho em fevereiro e, por isso, deve voltar a atuar com a próxima temporada em andamento. O Utah Jazz tinha planos para o ala-armador, mas decidiu dispensá-lo antes do fim da última campanha.
O atleta de 25 anos passou quase quatro temporadas no Memphis Grizzlies, mas no fim da passagem foi quando entenderam quem realmente era. Pensaram-no como um “3-and-D”, só que ele não é um arremessador por essência. E o seu melhor momento veio como um playmaker com liberdade para ser disruptivo na defesa por causa dos seus braços longos e instintos apurados.
Em sua temporada mais saudável, Williams terminou a campanha no TOP 40 em desvios de passe por jogo e TOP 8 de tocos entre os guards. Isso atuando menos de 28 minutos por partida. A grande questão, então, é a saúde. Afinal, ele só atuou mais de 50 jogos em um ano da carreira. Para ser um grande defensor, antes de tudo, é preciso que esteja em quadra.
Sylvain Francisco (ASVEL Villeurbanne, agente livre irrestrito)
É difícil dizer, a princípio, se Sylvain Francisco é um agente livre ou não. O armador já tem um acordo com o ASVEL Villeurbanne, mas há um acerto verbal para que ele possa procurar uma equipe na NBA até o fim do mês. As informações sobre o prazo exato, por enquanto, divergem. A questão é que ele só tem problemas para achar uma chance porque a sua posição está cheia de talento mesmo.
O francês, antes de tudo, foi o segundo colocado na votação para MVP da última edição da Euroliga. Foi o motor ofensivo por trás do Zalgiris Kaunas, da Lituânia que ficou a só dois jogos de chegar ao Final Four. Não é fácil achar um armador com a sua capacidade de criar separação e velocidade, enquanto acerta quase 40% dos arremessos de três pontos e dá 2,5 assistências por turnover.
Falta-lhe tamanho e força, sim, mas compensa isso com muita explosão e habilidade. E sei que o histórico de jogadores europeus que chegam à NBA aos 28 anos de idade não é bom. No entanto, eu acho que Francisco fez mais do que o bastante para merecer uma chance. Mais do que isso, é um nome muito mais interessante do que outros armadores mais conhecidos no mercado que já sabemos o que entregam.
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