Há poucos anos, o Oklahoma City Thunder não ia aos playoffs da NBA, enquanto criava um núcleo para tentar repetir a dinastia que o Golden State Warriors teve. Mas a partir do momento em que virou um time de pós-temporada, o Thunder sempre liderou o Oeste e já venceu um título, no ano passado.
Já são três anos consecutivos em que o Thunder chega aos playoffs como um dos times a serem batidos. Afinal, ficar na ponta de uma conferência tão forte como a do Oeste, é um fato incrível. Agora, imagine a equipe fazer isso três vezes seguidas.
Claro que em 2023/24, o time ainda era cru em playoffs e tudo isso atrapalha muito na NBA. Mas já no ano seguinte, Shai Gilgeous-Alexander comandou com um MVP e foi campeão. Então, na atual campanha, Oklahoma City até flertou com queda para o San Antonio Spurs, mas seguiu em primeiro.
Aliás, o Thunder lidera o Oeste desde o quarto dia de temporada e não largou mais a ponta. Mas mais do que isso, chegou a ter ritmo para ameaçar o recorde de 73 vitórias do Warriors. Ficou com 64, enquanto raramente teve seu quinteto titular disponível.
Pense nisso: o quinteto considerado titular fez apenas dez jogos. Sim, Chet Holmgren, Lu Dort, Jalen Williams, Isaiah Hartenstein e Shai só pisaram em quadra juntos dez vezes. E sabe o que é mais estranho nisso? Perdeu cinco deles.
Talvez, seja por isso que o técnico Mark Daigneault usou formação com Cason Wallace como titular nos playoffs. Assim, ele sacou Hartenstein para dar ao Thunder uma chance de vencer (e venceu) a NBA.
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Mas o ponto aqui hoje é sobre a dinastia que a NBA não quer que o Thunder seja nos playoffs de 2026. Na verdade, Adam Silver, né?
A questão está toda em cima do mercado pequeno que Oklahoma City oferece. Apesar de ser o atual campeão, o time terá o terceiro ingresso mínimo mais barato entre os oito mandantes do final de semana. Para ter uma ideia, enquanto o New York Knicks, que não vence um título há cinco décadas, terá a partir de US$300 o ticket para o fã assistir, o do Thunder custa US$111.
O Los Angeles Lakers, sem Luka Doncic e Austin Reaves, tem o valor mínimo de US$135. Então, apenas por aí, já dá para entender o tamanho do mercado que o Thunder ocupa na NBA.
Mas existem outros fatos aqui.
Na última temporada, por exemplo, o Thunder foi o 11° pior em receita de toda a NBA, de acordo com o site Statista. Além disso, o time de Oklahoma City não gasta milhões de dólares em multas por superar o teto salarial.
Claro que o discurso de Silver é de economia, mas em que mundo vivemos mesmo? Se o mercado é pequeno, você monta seu time via Draft ou via trocas. Não tem terceira opção.
Thunder não atrai agentes livres no mercado
Para ter uma ideia de como o Thunder não atrai ninguém na agência livre da NBA, é só entender que Isaiah Hartenstein é, de longe, a maior contratação de todos os tempos de Oklahoma City. Na offseason de 2024, o pivô deixou o New York Knicks após se valorizar e foi receber US$87 milhões por três anos.
Sim, a maior contratação do Thunder em sua história ganha cerca de US$29 milhões por ano. Ou seja, o 60° maior salário da liga.
Então, o que a direção do Thunder fez para ser campeão é algo pouco vezes visto na NBA, o que a liga até achou “simpático” por um ano, mas não quer saber de dinastia após os playoffs de 2026.
Para combater dinastias, a NBA impõe um rígido teto de multas.
Em 2026/27, o teto salarial será de US$165 milhões, enquanto a luxury tax vai bater na casa dos US$201 milhões. Depois, entram os dois níveis de multas: a partir de quem superar US$209 milhões e US$222 milhões.
Para cada dólar gasto acima dos aprons, os times pagam US$1.75 a US$4.75.
Ou seja, se um time como o Thunder passar dos limites, a NBA vai multar. E pesado.
Para a próxima campanha, o time já terá US$250 milhões, se contar Lu Dort e Isaiah Hartenstein. A direção não gosta de pagar multas, mas o Thunder vai acabar ficando, pelo menos, acima do primeiro nível.
NBA quer times longe de dinastia
Não é só com o Thunder que a NBA não quer isso. É com qualquer um, pois “atrapalha” o produto. Se um time só vence, qual é a graça para quem acompanha?
Na teoria, sim, é isso. Mas, na prática, Silver quer as franquias de menor mercado competindo, ganhando prêmio de participação. Mas quando o assunto é sobre ser campeão? Aí complica, pois o bolso da liga não cresce como com outras franquias.
A liga quer que seja como está: desde 2019, ninguém repetiu títulos. Isso atrai o público que quer ver disputas sem que o mesmo vença sempre. Mas até onde vai a vontade da NBA e o que a direção do Thunder tem a oferecer.
Lembre-se: o Thunder só teve seu quinteto titular dez vezes em 82 jogos e ficou com a melhor campanha. Alguém acha mesmo que não está perto de uma dinastia?
Fonte: Reprodução / X

