Previsão da temporada – Utah Jazz

Forte mentalidade defensiva será o bastante para superar a perda do astro Gordon Hayward

Fonte: Forte mentalidade defensiva será o bastante para superar a perda do astro Gordon Hayward

Utah Jazz

Campanha em 2016-17: 51-31, 5º colocado na conferência Oeste
Playoffs: eliminado nas semifinais de conferência, pelo Golden State Warriors
Técnico: Quin Snyder (quarta temporada)
GM: Dennis Lindsey (sexta temporada)
Destaque: Rudy Gobert
Time-base: Ricky Rubio – Rodney Hood – Joe Ingles – Derrick Favors – Rudy Gobert

Elenco

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3- Ricky Rubio, armador
11- Dante Exum, armador
25- Raulzinho Neto, armador
5- Rodney Hood, ala-armador
10- Alec Burks, ala-armador
45- Donovan Mitchell, ala-armador
6- Joe Johnson, ala-armador/ala
22- Thabo Sefolosha, ala-armador/ala
2- Joe Ingles, ala
23- Royce O’Neal, ala
8- Jonas Jerebko, ala/ala-pivô
15- Derrick Favors, ala-pivô/pivô
27- Rudy Gobert, pivô
33- Ekpe Udoh, pivô
13- Tony Bradley, pivô

Quem chegou: Ricky Rubio, Donovan Mitchell, Thabo Sefolosha, Royce O’Neale, Jonas Jerebko, Ekpe Udoh e Tony Bradley

Quem saiu: George Hill, Shelvin Mack, Gordon Hayward, Boris Diaw, Trey Lyles e Jeff Withey

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Revisão

Um dos mais cuidadosamente geridos processos de reconstrução da NBA começou a dar resultados na última temporada. O Jazz não só conseguiu voltar aos playoffs em 2017, mas foi além: bateu o favorito Los Angeles Clippers na primeira rodada, vencendo uma série de pós-temporada pela primeira vez nesta década. Mas isso aconteceu com um trabalho muito maior do que selecionar e desenvolver ótimos talentos.

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O essencial no sucesso da equipe é que bons jovens jogadores foram desenvolvidos ao mesmo tempo que uma identidade ao longo dos anos. Os comandados de Quin Snyder venceram 51 partidas e ficaram em quinto lugar no Oeste jogando de uma forma pouco usual na atualidade, com um dos estilos mais “modorrentos” da liga (apenas 93.6 posses de bola) e a terceira maior eficiência defensiva da NBA – aliás, terceiro ano seguido terminando entre os oito melhores no quesito.

Foi essa forte identidade que fez o Jazz superar uma série de lesões na campanha e manter uma incrível regularidade (não perdeu mais de três jogos em sequência em 2017) mesmo com desfalques. Nos playoffs, a equipe só cedeu mais de 100 pontos em uma das sete partidas do confronto diante do Los Angeles Clippers. Essa defesa não foi o bastante para parar o Golden State Warriors. Mas, no fim das contas, quem conseguiu parar o futuro campeão? Ninguém.

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Desempenhos individuais precisam ser exaltados. Gordon Hayward (finalmente) foi eleito para seu primeiro Jogo das Estrelas. Rudy Gobert foi fortíssimo candidato ao prêmio de defensor do ano e escolhido para um dos quintetos ideais da liga. George Hill e Rodney Hood fizeram as melhores campanhas da carreira. Mas, acima de tudo, foi um grande ano para um Jazz que consolidou-se como uma reconstrução diferente dos padrões da NBA: mais baseada em um estilo de jogo e identidade do que jovens talentos.

Uma reconstrução que, infelizmente, sofreu uma baixa importantíssima com a saída de Hayward para o Boston Celtics.

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O perímetro

O Jazz sofreu um duro golpe com a saída de Gordon Hayward e isso ficará evidente na rotação e estilo de jogo do perímetro. Com sua versatilidade funcional, o craque ajudava a mascarar várias deficiências – em especial, ofensivas – da equipe (como a ausência de um armador de ofício no elenco). Ele pode conduzir a bola e iniciar o ataque, criar o próprio arremesso e é um dos melhores alas passadores da NBA. Substitui-lo com um atleta é virtualmente impossível.

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Ricky Rubio é o primeiro armador “puro” de Utah em anos e supre a necessidade de um criador mais tradicional, controlador do ritmo de jogo, após perder seu provável principal playmaker. O jogador foi um bom achado no mercado para mudar a feição da equipe de Salt Lake City, adicionando alguém que “domine” a posse da bola e “injete” criatividade a uma ofensiva que projetava ser das mais lentas e estagnadas sem comprometer a forte mentalidade defensiva da franquia.

Com a lesão de Dante Exum, porém, o único reserva de ofício da armação vai ser o brasileiro Raulzinho – mais utilizado como um especialista defensivo pontual desde que chegou ao time. A tendência, por isso, é que Snyder aposte em soluções como usar atletas de outras posições para iniciar o ataque. Ele tem opções: Rodney Hood é sólido operando no pick and roll, o novato Donovan Mitchell já atuou na armação no basquete universitário, Joe Ingles é um dos passadores mais sagazes da liga e o veterano Joe Johnson ainda é um playmaker dos mais eficientes.

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O uso de formações menos tradicionais ajuda a descongestionar algumas rotações que pareciam inchadas. Hood e Ingles tendem a ser os titulares do perímetro ao lado de Rubio, mas, com Mitchell (trazendo versatilidade defensiva e explosão) e Johnson (um criador alto, operando no perímetro ou post up, nas alas) tendo que preencher lacunas na armação, abre-se espaço para a utilização de jogadores de características diferentes. Thabo Sefolosha é um veterano especialista defensivo que dá a opção de Snyder reforçar a marcação de perímetro, enquanto Alec Burks (novamente retornando de lesão) oferece uma alternativa bem mais ofensiva, de jogo agudo e quebra de defesas no jogo de meia-quadra.

Não restam dúvidas de que o Jazz tem caminhos para reconstruir seu perímetro a partir de uma atuação interessante no draft e mercado. Excetuando um armador mais provado, o time está bem servido para praticamente todas as funções. Mas ajustes serão muito necessários pela perda de um Hayward que, basicamente, era o coração do ataque de Utah.

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O garrafão

A tendência é que o Jazz comece a temporada com a mesma dupla de garrafão que está acostumado a escalar: Derrick Favors e Rudy Gobert. Essa não é uma parceria ideal, pois ambos costumam ocupar espaços parecidos em potencial, executam em torno da cesta e operam no pick and roll. Gobert é mais versátil defensivamente e, troca marcações com naturalidade, mas Favors age estritamente nas proximidades da área pintada. Os dois, na NBA atual, são pivôs de ofício – e só jogam juntos por serem os dois principais talentos de garrafão do elenco.

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O francês ganhou um reserva que mantém as características com a contratação de Ekpe Udoh, um dos melhores defensores do basquete europeu nas últimas duas temporadas. Ele pode não ser tão alto quanto o titular, mas possui braços longos e incrível agilidade marcando o pick and roll – além de trazer uma nova dimensão ofensiva com a capacidade de arremessar de média distância. Neste cenário, com Favors também podendo atuar na posição, o novato Tony Bradley deverá ter mais oportunidades na G-League.

Se Snyder quiser mudar, de fato, as feições do time no garrafão, ele tem opções para trabalhar com a reserva de Favors. O substituto imediato é o recém-chegado Jonas Jerebko, um ala de formação que possui a capacidade de colocar a bola no chão e passá-la com mais qualidade do que o titular – o que pode ser importante com a falta de um armador reserva. Além disso, nada impede que o Jazz utilize formações mais baixas com atletas como Joe Johnson (que, como já citado, tem um ótimo jogo de spot up) e Joe Ingles na posição quatro.

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Já houve rumores de que a franquia de Salt Lake City tentou negociar Favors e a tendência é que esse esforço continue, até porque a substituição de George Hill por Rubio deixa o time mais “afunilado”. Eles têm um pivô titular que não arremessa (Gobert) e, talvez, haja dificuldades para que esse time tenha condições de acelerar o ritmo de jogo e espaçar a quadra com eficiência com um jogador mais pesado como ala-pivô.

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Análise geral

Há diversas dúvidas sobre como se delineará as rotações e possíveis formações do Jazz, mas esse time tem uma forma de jogar e isso vai permanecer sem importar quem esteja no elenco. Com ou sem Hayward e George Hill, Utah será a franquia que vai desacelerar o ritmo das ações, priorizará pegar rebotes e vai ter uma das melhores defesas da liga. Historicamente, as equipes regulares com defesas de elite tendem a garantir mais de 35 vitórias apenas por esse fato.

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As questões estão, na verdade, em tudo que “foge” à identidade do time. Como o ataque funcionará dependendo de Rubio, um atleta totalmente diferente de todos os outros armadores que o Jazz teve recentemente? Como montar as formações ideais para tentar substituir o impacto de Hayward? Rodney Hood poderá assumir maior carga ofensiva com a saída do astro? E como fazer funcionar uma dupla de garrafão entre Gobert e Favors já com um arremessador a menos no perímetro, teoricamente, em Rubio?

Tudo isso terá que ser comprovado em quadra. Adianta especular como exercício de teoria, mas, na prática, não passa de achômetro. A agência livre, dentro do possível, foi competentemente realizada: o time recuperou-se rapidamente do anúncio de Hayward em Boston e investiu em jogadores que, cada um a seu jeito, repõe habilidades que o astro trazia. O senhor da razão, porém, está dentro de quadra.

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Chegar aos playoffs e ser eliminado na primeira rodada pode parecer um retrocesso em termos de resultados, mas, para o Jazz, seria um grande resultado na próxima temporada. Não só pela saída de Hayward, mas para comprovar que o trabalho de reconstrução foi realmente bem feito e não vai ruir por conta de um jogador. Se a identidade é forte e a mentalidade está enraizada, a força coletiva supera individualidades.

Previsão: 8° lugar na conferência Oeste

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