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Para quem duvidava, o San Antonio Spurs volta às finais da NBA

Torcedor do time de San Antonio, Mauro Jr fala sobre a angústia dos últimos anos

San Antonio Spurs NBA
Reprodução / X

O San Antonio Spurs voltou para onde jamais deveria ter saído na NBA. Poucos torcedores merecem tanto esse momento quanto o do Spurs, mas estamos de volta. O caminho foi árduo, mas após seis temporadas longe dos playoffs, sete sem vencer uma série e doze longe das finais, voltamos!

Finalmente chega ao fim o período mais sombrio da história da franquia. Período esse que se inicia nas finais de conferência de 2016/17, no fatídico lance em que, praticamente, joga uma pá de cal na estadia daquele que fora escolhido para conduzir a franquia e dar continuidade ao legado.

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A lesão que tira Kawhi Leonard do jogo 1, provocada pelo controverso Zaza Pachulia, não só impossibilita que o Spurs confirme a vitória e roube o mando de quadra de forma heróica (eram 23 pontos de vantagem) na NBA. Também sela uma ‘varrida’ na série frente ao histórico time do Golden State Warriors.

Se iniciava a angústia do torcedor texano com uma offseason cheia de incertezas em relação à saúde do astro. Fora a lesão pré-existente no tornozelo agravada no lance envolvendo Pachulia. Leonard ainda precisou lidar com problemas no quadríceps, então adiou sua estreia na temporada seguinte para 12 de dezembro.

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Foram nove jogos frustrantes. Aquele cara que que vinha de uma temporada de All-NBA 1st Team e terminaria em terceiro na corrida para MVP já não estava mais ali.

Sem explosão e sem a mesma a mobilidade, ele ainda sofreria uma distensão no ombro esquerdo no dia 5 de janeiro, em uma partida contra o Phoenix Suns e faria sua última partida oito dias depois, contra o Denver Nuggets.

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Quatro dias depois ele é afastado por tempo indeterminado para tratar uma tendinopatia no quadríceps. Mal sabíamos que seria um adeus. Apesar de já liberado para voltar aos trabalhos pelo corpo médico da franquia, o jogador e seu estafe se recusavam e foram atrás de uma segunda opinião de médicos particulares.

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O desacordo sobre sua reabilitação culminou em uma reunião feita apenas pelos jogadores e marcada por bastante tensão. Então, aquilo acabou colocando um fim na relação entre jogador e franquia. Declarações públicas dos dois lados, enquanto franquia e jogador não falavam mais a mesma língua.

Saída de Kawhi Leonard derruba time

Eis que o até então desconhecido “Uncle Dennis” tomava as rédeas da situação e no verão o período de troca veio. Aquela offseason também marcava a despedida de duas lendas da franquia: Manu Ginobili se aposentaria e Tony Parker sairia para uma última aventura no Charlotte Hornets. Foi o fim de uma era e o futuro era repleto de incertezas.

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A princípio, não se esperava conseguir grandes coisas em troca de um jogador no seu último ano de contrato, machucado e sem garantias de recuperação no curto prazo. Mas lá no Norte havia um Masai Ujiri disposto a pagar para ver. O Spurs recebe DeMar DeRozan, uma estrela na liga, Jakob Poeltl, um jovem pivô austríaco e a escolha de draft, para selecionar Keldon Johnson no ano seguinte.

Junto de Leonard, Danny Green também seria enviado ao Raptors. A passagem do Deebo pelo San Antonio Spurs não foi das mais vitoriosas, mas foi um cara que sempre vestiu a camisa e trouxe alguma dignidade para um time na NBA.

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E aqui também não teria como deixar de mencionar LaMarcus Aldridge, o homem que escolheu vestir a camisa do Spurs, mesmo com todo o assédio de personalidades de Los Angeles na época (chegando até a criar a tag ‘#LAtoLA’) e até mesmo do astro Kobe Bryant.

Mudanças

Apesar de ambos terem feito tudo o que poderiam para manter o time competindo, foi sob o comando dos dois, na temporada 2019/20, que chegou ao fim a sequência de 22 temporadas consecutivas indo aos playoffs. Para se ter uma ideia, até a temporada em questão o Spurs tinha mais títulos conquistados do que ausência em playoffs em TODA a sua história na NBA.

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Isso é para poucos. Ao menos, foi.

Era o momento de mudar. LaMarcus viria a receber um buyout durante a metade da temporada seguinte, marcada por lesões e declínio físico também já causados pela idade avançada. Enquanto isso, DeMar ainda viria para sua última temporada antes de sua negociação para o Chicago Bulls no verão de 2021.

Então, a temporada 2021/22 marcava o início de uma reconstrução.

Uma das peças vitais do elenco, Derrick White seria trocado para Boston naquela deadline. Ainda não se tratava de uma “reconstrução total”, pois o principal jogador do elenco, Dejounte Murray permaneceu na franquia até o final da temporada, tornou-se um All Star e ainda conseguiu levar o time ao play-in.

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Coisa que o Los Angeles Lakers, de LeBron James, Anthony Davis e o recém chegado Russell Westbrook, não conseguiu, por exemplo. O momento do reset seria ao término da temporada, quando o Atlanta Hawks bateria à nossa porta fazendo a irrecusável oferta.

Victor Wembanyama

Os deuses do basquete voltariam a sorrir para gente nos meses seguintes. Com uma campanha de 22-60 (a terceira pior da franquia em sua história) e o San Antonio Spurs venceria a loteria do Draft de 2023 da NBA, era encabeçado simplesmente por Victor Wembanyama.

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Uma combinação nunca antes vista na história da liga de talento e alcance vertical capaz de mudar o curso de qualquer franquia. E bastou apenas duas temporadas de experimentação para que isso acontecesse. A aquisição de De’Aaron Fox, somados aos talentos também vindos dos Drafts de 24 e 25, Stephon Castle e Dylan Harper, mostrou que a inexperiência em pós-temporada seria facilmente superada pelo talento.

E aqui estamos nós, após doze anos, no principal palco desse esporte que tanto amamos. O que essas finais nos reservam? Não sei. Não se pode subestimar a força de uma time como o do New York Knicks. O time dominou sua conferência de uma forma pouco vista nesse século. Já passa de um mês desde a segunda das únicas duas derrotas nessa pós-temporada. Mas uma coisa é certa: o San Antonio Spurs está de volta e o curto prazo será glorioso na NBA.

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Por Mauro Jr

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