NBA: O New York Knicks voltou
Torcedor do New York Knicks, Julio Luizelli explica momento do time na liga

Nas últimas temporadas, tive o hábito de escrever, aqui no Jumper Brasil, um artigo após o término de cada uma, tratando da evolução e do que faltava para o New York Knicks dar o próximo passo na NBA. Embora a franquia venha de anos de evolução, a impressão é de que sempre faltava aquele algo a mais.
Mas, desta vez é diferente. A temporada não acabou e o Knicks não carrega nenhuma dose de favoritismo nas finais. E, sendo sincero, isso não importa.
Quem acompanha a NBA há mais tempo sabe que, neste século, o New York Knicks virou sinônimo de piada. Os anos de péssima gestão de James Dolan fizeram com que o time, ano após ano, tivesse campanhas vexatórias. Ainda que o foco deste artigo não seja trazer números e estatísticas, estamos falando de 16 (!) campanhas negativas desde 2000.
Com a chegada de Leon Rose em 2020, ocorreu uma mudança cultural em Nova York. Logo em sua primeira temporada como presidente da franquia, Rose trouxe a franquia de volta aos playoffs depois de sete temporadas, em trabalho capitaneado por Tom Thibodeau, Julius Randle e RJ Barrett. Com exceção da temporada 21-22, o Knicks foi para a pós-temporada em todos anos.
Ainda que o Knicks não tivesse o melhor elenco da conferência nestas temporadas da NBA, o trabalho era pautado por jogadores disciplinados, que “compraram o barulho” de ser um Knick. Nesse sentido, importante mencionar o nome de Julius Randle. O ala-pivô, muitas vezes contestado por suas atuações em playoffs, foi a peça central de um time desacreditado, em um contexto negativo.
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Por outro lado, boas escolhas de draft passaram a ser feitas, dando continuidade e tempo para o desenvolvimento dos jovens na franquia. Mitchell Robinson, por exemplo, já soma oito temporadas em Nova York. Deuce McBride, parte importante da rotação, também foi uma escolha de segunda rodada — assim como Robinson — e se consolidou como peça relevante após anos de desenvolvimento na equipe.
Mesmo com todo avanço citado, faltava a cereja do bolo. A mudança definitiva chega com o principal nome da franquia no século: Jalen Brunson. A chegada do armador em 22/23 foi cercada de desconfiança. Então reserva no Dallas Mavericks, assinou contrato relativamente alto com o Knicks na offseason da NBA. Baixo, pouco atlético, limitações defensivas. O portfólio fez com que muitos, na época, achassem que Brunson seria mais um movimento daqueles característicos do Knicks de outrora.
Ocorre que Brunson mostrou o contrário. Com ele, o Knicks se tornou figura carimbada na pós-temporada e Brunson se consolidou como um dos melhores jogadores da liga. A atual campanha é a solidificação de um trabalho estruturado que transformou o Knicks, novamente, em uma franquia respeitada.
Os movimentos feitos no mercado, como as trocas por OG Anunoby, Mikal Bridges e Karl-Anthony Towns, visavam a chegada do Knicks neste patamar na NBA. Contudo, ainda que estejamos falando de ótimos jogadores, nenhum destes é o franchise player. Brunson é o líder deste elenco, sendo quem toma, para si, o protagonismo nas horas mais complicadas. Não é à toa que a torcida o chama de Captain Clutch.
Melhor jogador da história do Knicks na NBA?
Não é exagero dizer que estamos vendo o surgimento do maior jogador da história da franquia. Tudo depende do próximo ato. Ou dos próximos, já que a jornada não termina agora. Em uma franquia tão carente de grandes conquistas, eventual título no contexto atual seria suficiente para alçar Brunson ao debate.
Por outro lado, poucas torcidas da liga merecem tanto um título da NBA quanto a do Knicks. Mesmo após anos no ostracismo, os torcedores se mantiveram entre os mais fanáticos da liga. Nesta pós-temporada, ficaram marcados por invadir as arenas visitantes — o Knicks foi mandante em todos os jogos, digamos assim.
Quanto às finais contra o San Antonio Spurs, sejamos justos: o adversário é melhor e é favorito. Ainda assim, não é um cenário impossível, e o matchup é mais favorável para o Knicks do que seria contra o Oklahoma City Thunder.
Independentemente do resultado, o projeto está aí, comprovando que todas as mudanças realizadas nos últimos anos surtiram efeito. Jalen Brunson e companhia estão a um passo da eternidade. A torcida merece, e a NBA precisa do New York Knicks campeão.
Por Julio Luizelli
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