Os caminhos para o Boston Celtics após a troca de Jaylen Brown
Razões financeiras são explicáveis, mas time fica bem longe de títulos nos próximos anos
O Boston Celtics mandou Jaylen Brown em troca após seu melhor ano na NBA por um jogador sete anos mais velho e com histórico de lesões. Até dá para entender trocar Brown, por causa das implicações financeiras no futuro próximo. Afinal, ele é elegível para o contrato supermáximo e ainda tem a extensão de Jayson Tatum para lidar.
Mas se deixasse a troca para a trade deadline, com times indo atrás de Boston e não o caminho contrário, teria chances de receber algo melhor em contrapartida. Brad Stevens, de acordo com os rumores, ligou para vários times oferecendo o jogador. Só de fazer isso, sem contar o peso de seu contrato, já desvalorizou Brown.
E tudo bem trocar Jaylen Brown. Dá para entender a motivação financeira. Poderia fazer isso, mas por um upgrade. A troca é por um downgrade.
Paul George ainda é um ótimo jogador e mostrou isso nos playoffs, se encaixa no estilo de jogo de Joe Mazzulla e tem contrato até 2027/28. Brown tem um ano a mais. O problema maior é que o vínculo de George é muito difícil de ser trocado, mesmo em seu último ano. Por menos da metade, DeMar DeRozan foi dispensado em situação similar de expirante. Então, não vejo o Celtics conseguindo essa troca.
Sem Brown, a situação do Celtics, em quadra, fica difícil se você pensar em título. Foi um péssimo movimento e só pode se equilibrar se Stevens conseguir alguém jovem e promissor para ajudar Tatum.
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O Celtics poderia pensar na troca para buscar jogadores que consigam chegar a um nível de estrela. Aliás, até pensa. Só não tem muito o que fazer no momento.
Hoje, o Celtics está bem engessado na folha salarial. Vai trocar quem? Derrick White tem mercado, mas é um contrato bom para o time, de cerca de US$30 milhões em 2026/27 e mais dois anos. Payton Pirtchard ainda não se transformou naquilo que o time quer e seu contrato é excelente para Boston. Não dá para trocar.
Sobram Sam Hauser e o próprio Paul George. Ficou realmente difícil. Imaginando um cenário de troca, o Celtics está sem ativos, exceto escolhas de Draft e uma trade exception. Mas vai querer fazer isso, com o time superando os níveis de multas da NBA?
Quando assina com Mitchell Robinson e por um valor que daria ao Celtics uma flexibilidade, o time estende com Neemias Queta. Para 2026/27, tudo certo porque Queta ainda vai receber do contrato antigo. Mas para daqui dois, três anos, a franquia terá dois jogadores similares ganhando quase a mesma coisa.
Ainda tem um bi anual, no valor de US$4.7 milhões e o elenco conta com 14 jogadores. Ou seja, ainda tem espaço para mais um jogador. A direção do Celtics sabe que pode perder de vez a janela de títulos com Jayson Tatum se não conseguir uma reposição a Jaylen Brown em uma nova troca. De novo, George é ótimo jogador, mas está perto de sua aposentadoria e perde muitos jogos.
Futuro
Aí é o problema. Sem pensar em nenhuma troca até 2028, quando acaba o contrato de George, o Celtics já possui US$153 milhões em salários. Até lá, tem a extensão de Pritchard para lidar, pois ele será agente livre naquela offseason. É previsto que o teto seja em torno de US$182 milhões. Então, é preciso esperar por evoluções de jovens talentos antes de tomar qualquer tipo de decisão.
Hugo Gonzalez e Jordan Walsh precisam de mais minutos, embora a avaliação nos treinos é o que deve ser o ponto de partida. Se eles se desenvolverem, tudo bem, existe um caminho sem trocas. Do contrário, fica muito difícil. Talvez, em um nível que Boston não vê há muitos anos.
As picks que o Celtics recebeu em troca com o Sixers podem ou não ser valiosas. Isso porque a de 2028 possui várias proteções. Primeiro, top 16 do Los Angeles Clippers. Aí, se ficar fora da proteção, Boston tem o direito de fazer um swap com o San Antonio Spurs. E o Spurs vai competir, o que significa que não será uma boa pick. O detalhe é que a escolha também tem proteção se o time de Massachusetts não quiser fazer a inversão com San Antonio. De nove a 30, fica com o 76ers.
É confuso, mas o fato é que a escolha pode nem ficar com Boston, no fim das contas, chegando a fazer o swap como prêmio de consolação. A de 2031, vinda de Philadelphia, é sem proteção. No entanto, dentro de cinco anos, com Tyrese Maxey e VJ Edgecombe, além de Brown, eventualmente, o Sixers deve estar competindo.
Tank?
É claro que o Celtics não fez a troca de Jaylen Brown para entrar em reformulação daqui alguns anos, mas pode chegar a algo similar. Isso, se Boston não encontrar uma negociação por George até o ano que vem. Além disso, tem de contar com a evolução dos jovens.
Ficou realmente difícil. O CBA (Acordo Coletivo de Trabalho) é muito restrito e pune times que exageram nos salários. Tatum está com 28 anos e tem um enorme valor de troca, apesar de ter uma lesão gravíssima no currículo. Mas, se a situação apertar e Boston não conseguir mover o contrato de George ou White (por falta de opção), a franquia pode ficar em situação bem delicada no futuro.
Perda de timing
Se você pensar aqui, com uma opção concreta sobre o futuro do Celtics e sabendo que teria de trocar Brown, a direção perdeu o timing. Isso porque o Draft de 2026 foi espetacular e a franquia tinha a escolha.
Era entre defender um ano sabático, aproveitando o grande momento de Brown e tentar a sua negociação, pois já abriu mão de vários nomes de peso, ou competir, sabendo que não seria uma temporada de título. Claro que, em algum momento, a diretoria pensou nas duas opções. Preferiu a segunda, ainda sem imaginar que Tatum poderia voltar.
E quando Tatum volta, o Celtics ainda estava a duas trocas de ser competitivo em uma hipotética final da NBA. Afinal, faltava um pivô melhor que Queta e um armador titular para deixar Payton Pritchard vindo do banco.
É só suposição, tá?
Imagine que o Celtics tivesse mesmo feito o ano sabático, com chances de ficar, na pior das hipóteses, com uma pick top 8. Em um recrutamento como foi, seria incrível. Boston poderia ter desde AJ Dybantsa (que é de Boston e torcia pelo time até então) a Kingston Flemings. Ou um jogador para ajudar agora, mais pronto, como Yaxel Lendeborg.
Mas não foi o que aconteceu. Agora, o torcedor do Celtics lamenta a troca de Jaylen Brown, enquanto torce para Paul George apresentar sua melhor versão em oito anos. Ou pela bondade suprema do veterano em abrir mão dos US$56 milhões daqui um ano.
Spoiler: não vai acontecer.
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