O futuro é a juventude, e nela depositamos nossa crença – esse ditado não existe, mas serviria tranquilamente para o Detroit Pistons, equipe recheada de jovens que estão sendo testados para guiar a equipe no futuro.
Antes de Cade Cunningham ficar de fora nos últimos três jogos, mais de 50% da produção de pontos do Pistons nesta temporada veio de jogadores com menos de 21 anos. A primeira escolha do Draft de 2021 atuou apenas 1/5 dos jogos na atual campanha, bem como Jaden Ivey que foi desfalque por um jogo e Isaiah Stewart que se machucou recentemente. Ainda assim, o time sub-21 do Pistons é responsável por 49% dos pontos de Detroit.
Está claro para todos que Detroit é um time jovem, mas não é o primeiro nem o último da história. Além disso, a franquia buscou ativamente diminuir sua média de idade. Isso ficou evidente, sobretudo, com a troca de Jerami Grant para o Portland Trail Blazers.
Mais jovem que alguns times da faculdade
No entanto, a confiança da equipe de Detroit em seus jovens jogadores chega a ser assustadora. Oferecendo um pouco de perspectiva, a faculdade da Carolina do Norte, atualmente considerado um dos melhores times universitários, tem 53% dos seus pontos marcados por jogadores com 21 anos ou menos.
Da mesma forma, no estado de Michigan, onde fica Detroit, os dois melhores times, Michigan e Michigan State, tem, respectivamente, 40% e 39% de seus pontos por jogadores abaixo desta faixa etária.
Quando digo que o Pistons está mais perto do universidade do que a NBA, os números provam. Apenas Houston entre as equipes da NBA obtém uma proporção maior de produção de pontos de jogadores com 21 anos ou menos. Além disso – e não por coincidência – Houston tem apenas duas vitórias em 14 jogos na temporada. A crença juventude, portanto, não machuca apenas o Detroit Pistons.
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Justificativa para perder?
Os jogadores do Pistons, é claro, especialmente os mais jovens, não apontam suas idades como justificativa para derrotas. Faça perguntas a eles sobre o assunto da juventude e eles se irritarão. O técnico Dwane Casey também não gosta de tocar no assunto. Afinal, o treinador adota um tom de confiança aos seus atletas.
Por outro lado, a história da NBA oferece um caso bastante convincente de que a juventude nesse nível resulta em muitas derrotas. Esse é o caso de equipes jovens que colocam a bola nas mãos de armadores recém selecionados no Draft. Cunningham e Killian Hayes têm 21 anos e Ivey tem 20. A quantidade de posses responsáveis por eles beira os 60%.
Tentar pisar na água em um momento da NBA em que o poço é tão profundo de talento, com uma longa lista de times dignos de playoffs, não é fácil. Uma década atrás, muitas vezes era difícil cravarmos a sétima e oitava vaga para a pós-temporada na Conferência Leste. Talvez, a formação atual dos Pistons tivesse chances há dez anos atrás.
Vale lembrar que, em 2022/23, equipes com elencos cheios de estrelas, como Miami Heat, Chicago Bulls, Brooklyn Nets, Golden State Warriors e Minnesota Timberwolves estão na parte de baixo da classificação.
Seria um trabalho pesado para qualquer time que não foi aos playoffs em 2021/22 chegar à pós-temporada deste ano. Ainda mais um elenco que depende inteiramente de jogadores inexperientes, como o Pistons.
A paciência e a crença na juventude: missão para os torcedores do Detroit Pistons
A maioria dos torcedores tendem a clamar por reconstrução quando percebem que seu time do coração não tem como meta o título. Isso, no entanto, até que a realidade do que é uma reconstrução é exposta. Philadelphia sentiu isso, por exemplo. Ninguém gosta de ficar em nono ou décimo e perder no play-in, mas ficar em último ou penúltimo pode ser tão ruim quanto.
As pessoas que acompanha a NBA de perto, em geral, veem o Pistons como um elenco talentoso que está há alguns anos de experiência e algumas adições pontuais de ser competitivo. A pesquisa anual dos gerentes gerais da NBA realizada pelo site NBA.com, colocou o Pistons entre as três principais franquias com “núcleo de jovens talentosos”.
Por fim, em uma época onde a demanda por resultados é grande e a paciência curta, poucas equipes têm estômago para aguentar as críticas e seguir com seu plano. Dwayne Casey e Troy Weaver, gerente geral do Pistons, confiam no que traçaram há dois anos.
Agora, resta pedir paciência para o processo ser finalizado e os frutos colhidos. Afinal, ninguém celebra as fissuras criadas pela água que bate na pedra. Até a pedra furar.
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