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Ime Udoka, obrigado pelo tapa na cara

Em pouco mais de dois meses, Celtics subiu do 11° para o primeiro lugar na conferência Leste

Udoka obrigado tapa cara
Brian Babineau/AFP

Não, eu não pensei no que rolou no Oscar. A ideia do título vinha sendo testada há alguns dias. Danilo Veroneze, um leitor do Jumper Brasil e torcedor do Boston Celtics, me mandou alguns áudios na manhã de domingo. Então, eu tinha em mente elogiar o técnico Ime Udoka com um “obrigado pelo tapa na cara”.  Até porque, eu critiquei o treinador e o próprio Celtics. Aí o Will Smith vai lá e dá-lhe no Chris Rock. Mas o Celtics acabou de assumir o primeiro do Leste. Eu precisava manter.

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De qualquer forma, Udoka, obrigado pelo tapa na cara.

O Celtics era o 11° colocado no Leste no dia 16 de janeiro. Antes disso, fiz um artigo sobre o quão ruim era o time. Escrevi que naquela noite, o Celtics iria perder para o Phoenix Suns. Pois bem. Midas ao contrário.

“São nove derrotas nos últimos 12 jogos e, adivinha, vai perder hoje para o Phoenix Suns”.

Claro, o Celtics não vinha bem. Udoka era criticado por apontar o dedo nas entrevistas ao invés de corrigir o time. Aliás, ele não era o único culpado. Marcus Smart reclamou de Jayson Tatum e Jaylen Brown. Robert Williams errava nas trocas defensivas, o próprio Smart não cumpria bem a função de armador e o banco era horrível.

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Bem, o Celtics melhorou.

Embora a defesa fosse a nona melhor até o dia 31 de dezembro (hoje é a primeira), o ataque era o 21° (décimo). Ou seja, mudou tudo.

Na trade deadline, a diretoria agiu, despachou Dennis Schroder, Josh Richardson e Enes Freedom, recebendo Derrick White e um velho conhecido, o pivô Daniel Theis. Desde então, o Celtics tornou-se competitivo, fazendo os dois lados da quadra muito fortes. Após o último dia de trocas, o time jogou 18 vezes e venceu 16.

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Tatum e Brown

Brian Babineau/AFP

Teve gente que pediu para a diretoria do Celtics trocar Jaylen Brown para alguém fazer dupla com Jayson Tatum. Eu fui um deles. Eu estava errado. A ideia era fazer alguma negociação por Ben Simmons, um armador que defende tão bem quanto Marcus Smart, mas que organiza melhor o ataque. No entanto, existe uma estatística interessante da dupla.

Desde que os dois começaram a jogar juntos, o Celtics possui 11 vitórias e nenhuma derrota quando cada um fez 30 pontos ou mais. No triunfo sobre o Minnesota Timberwolves, no domingo, foi a sétima vez que isso aconteceu em 2021-22. Até então, o recorde da franquia pertencia a Larry Bird e Kevin McHale, com quatro em uma mesma campanha.

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Eles não estragam o jogo um do outro. Eles se completam.

Surpreendente

O Gustavo Lima escreveu um artigo sobre o Boston Celtics na semana passada. Ele destacou a arrancada que o time deu e, ainda, deu crédito a Ime Udoka. Aliás, não só ele. Jayson Tatum aprova o trabalho do treinador. Aqui, vai um trecho do ótimo texto do Xará.

O Celtics, hoje, é um time entrosado, dentro e fora de quadra. Os princípios que Udoka trouxe do Spurs de Pop, finalmente, estão sendo colocados em prática em Boston. Como resultado, ele passou a ser exaltado pelos comandados. Tatum, por exemplo, disse recentemente que o técnico “sempre animou todo mundo, manteve a mentalidade certa e encorajou os atletas a melhorarem. Assim, o grupo se manteve firme. Então, sempre acreditamos que iríamos virar a chave. Enfim, ele fez um ótimo trabalho ao garantir que estamos sempre no mesmo barco”.

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Além disso, em fevereiro, Udoka venceu o prêmio de Treinador do Mês. Com o ótimo aproveitamento em março, ele deve conquistar o feito novamente. Dessa forma, não seria surpresa se o estreante fosse um dos finalistas do prêmio de melhor técnico da temporada.

Candidato a título?

Uma coisa de cada vez. Até esses dias, o Boston Celtics estava brigando por play-in, mas não dá para ignorar o crescimento da equipe em um momento importante. O primeiro lugar da conferência, talvez, queira dizer algo. Seja o Celtics subindo de produção perto dos playoffs, as quedas de Miami Heat e Chicago Bulls, as lesões de principais jogadores de seus rivais, como o Cleveland Cavaliers. Alguma coisa está acontecendo.

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Nos últimos anos, o Celtics não foi brilhante nos playoffs. A última grande campanha em pós-temporada aconteceu na “bolha” de Orlando, em 2019-20. Todavia, aquele time não inspirava tanta confiança quanto o atual elenco o faz. Não que fosse o cavalo que apareceu no telhado e ninguém soubesse como aconteceu, mas nunca deu pinta de que ali tinha um grupo campeão. Desde o início da era Brad Stevens como treinador, a equipe de Massachusetts caiu três vezes na primeira rodada, uma em semifinal de conferência e em três decisões do Leste.

Os títulos do Milwaukee Bucks e Toronto Raptors nas últimas temporadas foram fora da curva. As duas equipes não eram favoritas quando aquelas campanhas começaram, mas chegaram lá. O Celtics pode ser como Bucks e Raptors, mas é bom lembrar que a fase ruim do Heat deve passar, que o Philadelphia 76ers conta com dois futuros Hall da Fama e que o próprio time de Milwaukee é sempre perigoso.

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Ah, ainda tem que encaixar o jogo contra um Phoenix Suns, por exemplo. Finalista no ano passado, o Suns está a uma vitória de igualar sua melhor campanha de todos os tempos e restam sete jogos. Boa sorte para os adversários, mas se for o Celtics, a briga vai ser boa.

Mais uma vez, obrigado, Udoka, pelo tapa na cara.

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