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A temporada pífia do Phoenix Suns

O mau planejamento pune. O Phoenix Suns cometeu erros no processo de reconstrução da equipe e está colhendo os frutos nesta temporada, a pior da franquia desde 1987/1988, quando o time venceu apenas 13 dos primeiros 40 jogos disputados, campanha idêntica à atual. Em 2012/20132, o time de Phoenix só não é pior que Washington Wizards, Cleveland […]

O mau planejamento pune. O Phoenix Suns cometeu erros no processo de reconstrução da equipe e está colhendo os frutos nesta temporada, a pior da franquia desde 1987/1988, quando o time venceu apenas 13 dos primeiros 40 jogos disputados, campanha idêntica à atual.

Em 2012/20132, o time de Phoenix só não é pior que Washington Wizards, Cleveland Cavaliers, New Orleans Hornets  e Charlotte Bobcats. O Suns está em queda livre na temporada, já que venceu apenas duas das últimas 14 partidas. Que dureza hein! E pensar que há três anos a equipe do Arizona disputou a final da conferência Oeste.

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Na minha previsão da temporada, escrevi que o Suns iria ocupar o 12lugar no Oeste (o texto foi publicado antes de James Harden ser contratado pelo Houston Rockets). Muitos acharam que eu tinha pegado pesado, que o time iria brigar por playoffs. Nada disso. O time está se saindo pior que a encomenda.

E essa dura realidade é nova para os fãs da equipe. Apesar da franquia nunca ter ganhado o anel de campeão, a torcida do Suns não está acostumada com tantos insucessos em uma só temporada. Foram 19 participações em playoffs (incluindo seis finais de conferência e uma decisão da Liga), nos últimos 24 anos. O desempenho ruim nesta temporada fez com que a média de público caísse com relação a 2011/2012. Na temporada passada, essa média foi de 15.597 torcedores por partida (21o na Liga). Agora, a média é de 14.709 (24o).

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Mas o que levou o Suns a fazer uma campanha tão ruim? A culpa é de quem? Nas linhas abaixo vou tentar mostrar como começou e como está a temporada do time de Phoenix, quais foram os erros e acertos da direção da franquia e da comissão técnica. O cenário atual é assombroso, mas daqui a alguns meses a torcida pode ter motivos para voltar a sorrir…

Os erros e acertos

Na intertemporada, o Suns deu um passo primordial no processo de rebuild do elenco. Os veteranos Steve Nash e Grant Hill, que eram agentes livres, deixaram a equipe em busca da chance de serem campeões pela primeira vez, o que é compreensível. Além disso, o Suns anistiou acertadamente o ala Josh Childress, que, desde que voltou da Europa, nunca mais jogou um basquete de nível aceitável. O limitado pivô Robin Lopez e o inexpressivo ala-pivô Hakim Warrick foram trocados com o New Orleans Hornets. Além disso saíram os armadores Aaron Brooks e Ronnie Price, e o ala-armador Michael Redd, todos em final de contrato. Até aí nada demais…

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O Suns tinha, na offseason, quase 30 milhões de dólares para gastar no mercado de agentes livres e, ainda assim, ficar abaixo do teto salarial da NBA (58 milhões de dólares). A prioridade do time era contratar um substituto para Nash. O esloveno Goran Dragic, que começou a carreira no próprio Suns e era reserva de Nash, foi contratado após fazer uma boa temporada pelo Houston Rockets. O contrato do armador é de 30 milhões de dólares, válido até 2016 (7,5 milhões de dólares por ano). Dragic já mostrou que pode ser o armador titular de uma equipe da NBA, mas substituir Nash não é nada fácil. O time estava acostumado com o ritmo implantado pelo veterano, e era natural que sentisse o peso da mudança na primeira temporada sem ele. E Dragic deu o azar de voltar a um Suns fragilizado. Ele é bom jogador, mas não pode ser o franchise player. Acredito que, na próxima temporada, com uma equipe mais talentosa, o esloveno possa deslanchar, mas sem ser o protagonista.

Outra urgência do Suns na offseason era contratar um scorer de perímetro. O alvo preferencial era o ala-armador Eric Gordon. Um caminhão de dinheiro foi oferecido ao jogador, que era agente livre restrito. No entanto, o New Orleans Hornets cobriu a oferta e renovou com Gordon, para frustração do próprio jogador, que queria jogar em Phoenix. O.J. Mayo também foi tentado, mas o ala-armador preferiu assinar com o Dallas Mavericks. A lacuna na posição permanece.

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Talvez, no desespero, o Suns tenha fechado a contratação do problemático Michael Beasley. O pior foi o contrato oferecido pela franquia e aceito pelo ala: 18 milhões de dólares por três temporadas. Quem em sã consciência daria essa grana a um jogador preguiçoso e com um histórico de problemas extra-quadra? Na época do anúncio da chegada de Beasley, a direção da equipe afirmou que acreditava na recuperação do jogador, que havia sido a segunda escolha do draft de 2008. A aposta era arriscada. Com quase metade da temporada disputada, parece que os dirigentes do Suns já se arrependeram da contratação do ala. Prejudicaram a folha salarial da equipe até 2015 com o contrato ruim de Beasley e agora terão que se esforçar muito para trocá-lo. Bola fora.

Para o garrafão, o time de Phoenix apostou em dois veteranos. O primeiro é o pivô Jermaine O’Neal, 34 anos, que veio para ser o reserva imediato do polonês Marcin Gortat. Graças aos preparadores físicos “mágicos” do Suns, O’Neal, que tem um histórico de lesões, atuou em 31 das 40 partidas disputadas pela equipe até o momento. Foi outra aposta arriscada, mas que vem dando relativamente certo, já que O’Neal traz consistência defensiva ao garrafão quando está em quadra. E ele ganha só o mínimo para veteranos.

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O outro reforço para o garrafão foi o ala-pivô argentino Luis Scola, de 32 anos. Ele foi contratado logo após ter sido anistiado pelo Houston Rockets. Ninguém duvida da qualidade técnica de Scola, mas a chegada dele prejudicou o desenvolvimento do jovem Markieff Morris, que chegou a ser titular em alguns jogos na temporada. Com o problema de  saúde de Channing Frye, muitos imaginavam que, em sua segunda temporada na Liga, Morris ganharia mais espaço em 2012/2013. Ledo engano. Sem a confiança do técnico Alvin Gentry, Morris voltou para o banco de reservas e teve seus minutos em quadra diminuídos. A direção do Suns acreditou que a chegada de Scola iria fazer com que o time almejasse a pós-temporada. Erraram novamente. Ah, e o contrato do argentino (13,5 milhões de dólares) é válido até 2015.

Outros erros da franquia do Arizona foram a renovação do contrato do armador Sebastian Telfair e a vinda do ala Wes Johnson. Telfair é o reserva imediato de Dragic, mas sua presença na equipe limou o novato Kendall Marshall da rotação. Décima terceira escolha do último draft, o armador oriundo de North Carolina trouxe esperança aos torcedores do Suns. Marshall é daquele tipo de armador que está se tornando raridade na NBA, o que se preocupa primeiro em passar a bola e criar boas condições para os companheiros. Claro que ele tem que melhorar alguns aspectos de seu jogo, sobretudo a parte defensiva e a seleção de arremessos, mas deixar o calouro a temporada quase toda na D-League é sacanagem. Marshall tinha que ir se ambientando com os jogos de NBA, sendo o reserva imediato de Dragic, e não Telfair, que não acrescenta nada à equipe. Mais uma bola fora de Alvin Gentry. Pelo menos o contrato de Telfair expira ao final da temporada.

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E, por fim, Wes Johnson… Quarta escolha do draft de 2010 e ainda não fez nada na NBA (é o famoso bust). O Wolves perdeu a paciência com ele e o mandou para Phoenix na troca tripla que envolveu ainda o New Orleans Hornets. A direção do Suns fez o mesmo discurso da chegada de Beasley, companheiro de Johnson em Minnesota: que acreditava na recuperação do jogador. Ele atuou em apenas 16 jogos na temporada, sendo que seu tempo médio em quadra é de míseros sete minutos. Como Johnson tem contrato expirante, o Suns provavelmente irá negociá-lo até a trade deadline (21 de fevereiro). Pelo menos nisso ele deverá ser útil à equipe.

Folha salarial do Suns para esta temporada

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Goran Dragic: 7,5 milhões de dólares
Marcin Gortat: 7,25 milhões de dólares
Channing Frye: 6 milhões de dólares
Michael Beasley: 5,75 milhões de dólares
Luis Scola:4,5 milhões de dólares
Wes Johnson: 4,3 milhões de dólares
Jared Dudley: 4,25 milhões de dólares
Shannon Brown: 3,5 milhões de dólares
Markieff Morris: 2,1 milhões de dólares
Kendall Marshall: 1,9 milhão de dólares
Sebastian Telfair: 1,6 milhão de dólares
Jermaine O’Neal: 1,35 milhão de dólares
P.J. Tucker: 762 mil dólares

A irregularidade da equipe

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Conhecido nos últimos anos por ter uma defesa frágil, o time de Phoenix parece não se preocupar em mudar essa imagem. O Suns tem a sétima pior defesa da Liga, levando, em média, 99,8 pontos. O time conseguiu piorar o desempenho defensivo da última temporada, quando levou, em média, 98,6 pontos.

Não vou nem comentar como é o desempenho de Beasley e Scola na defesa. Ah, vou abrir uma exceção neste artigo. O comando do Suns merece elogios pela contratação do desconhecido P.J. Tucker (que ganha uma mixaria). Hoje, o ala é titular e já se consolidou como o melhor defensor de perímetro da equipe. Mas uma andorinha só não faz verão… O Suns é o time menos atlético na Liga, e isso vem trazendo prejuízos à recomposição defensiva da equipe, que é uma lástima. Como escrevi na previsão da temporada do time do Arizona, esse desempenho defensivo ruim já era esperado.

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Outra decepção é o ataque do Suns. Na temporada passada, o time anotava, em média, 98,4 pontos por partida. Era o oitavo melhor ataque da Liga. Em 2012/2013, os números caíram. O time de Phoenix tem apenas o 19o melhor ataque, com 95,4 pontos anotados, em média. Obviamente, a saída de Steve Nash está diretamente ligada a essa queda na produção ofensiva.

A irregularidade do time é tanta que o técnico Alvin Gentry já testou várias formações em quadra e nenhuma delas deu certo. O caminho agora é ser ativo até a trade deadline. Acredito que o Suns tentará se livrar de Beasley e Johnson. Outro que poderá ser envolvido em alguma negociação é o pivô polonês Marcin Gortat, que é a principal moeda de troca da equipe. O contrato de Gortat expira ao final da próxima temporada e o Suns pode trocá-lo com um contender por escolhas de draft e contratos expirantes. O ala Jared Dudley é outro que pode deixar a equipe até o dia 21 de fevereiro. O Memphis Grizzlies tem interesse no jogador, e uma troca envolvendo a ida do ala Rudy Gay para o Suns já foi até ventilada pela imprensa norte-americana.

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Próximos passos

O certo é que a temporada está perdida para o time de Phoenix. A campanha ruim deverá render, ao menos, uma boa chance de se dar bem no draft deste ano. Na negociação envolvendo a saída de Nash para o Lakers, o Suns recebeu, entre outras coisas, uma escolha de primeira rodada de 2013. Como o Lakers faz uma campanha ruim, correndo o sério risco de ficar de fora dos playoffs, a equipe do Arizona pode ter duas escolhas de loteria no recrutamento. Nada mal para um time que está em reconstrução. Mas do jeito que a direção do Suns tem a grande capacidade de fazer burradas, não duvido que troquem uma dessas picks. Seria um tremendo vacilo. Lembrem-se que Rajon Rondo e Luol Deng foram draftados pelo time de Phoenix e trocados por uma ninharia.

Outra coisa é que esta deverá ser a última temporada de Alvin Gentry no comando da equipe. O contrato do treinador com a franquia está no último ano e dificilmente será renovado. Gentry comanda o Suns há quatro temporadas e o seu ciclo à frente do time está perto do fim. Três temporadas seguidas sem alcançar os playoffs custariam o emprego de qualquer técnico na Liga. Com ele não deverá ser diferente. Tenho minhas dúvidas se ele fica até o fim da temporada. E o gerente-geral da franquia, Lance Blanks, também pode botar as suas barbas de molho. Ele assumiu o cargo em 2010 e, desde então, os resultados não convenceram a ninguém. O contrato dele com o Suns vai até 2014.

O torcedor do time de Phoenix tem que se contentar com a ideia de que vai demorar a ver um Suns competitivo novamente. Com o time reconstruindo seu elenco, não é do dia para a noite que os resultados irão aparecer. Na próxima temporada, o Suns tem tudo para montar um time mais talentoso. A franquia terá duas escolhas de primeira rodada no draft e espaço na folha salarial para contratar um free agent de qualidade (Chris Paul, Dwight Howard, Josh Smith, Al Jefferson, Nikola Pekovic, Andrew Bynum e Paul Millsap, por exemplo, serão agentes livres ao final desta temporada). O problema é acreditar no comando da franquia, que não inspira nenhuma confiança…

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