Troca de Trae Young é um aviso aos jogadores

Após oito anos, armador deixou o Atlanta Hawks em negócio na NBA

troca Trae Young jogadores Fonte: Reprodução / X

O quatro vezes All-Star da NBA Trae Young deixou o Atlanta Hawks em uma troca envolvendo dois jogadores do Washington Wizards: CJ McCollum e Corey Kispert. Nada além. O time de Washington não mandou escolhas de Draft, enquanto havia a ideia de que outras equipes poderiam participar do negócio.

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Claro, pois um armador do nível de Trae Young sempre vai exigir picks, certo? Bem, não foi o que aconteceu.

E é a segunda troca de grandes jogadores da NBA em menos de um ano que chama muito a atenção: o pouco valor recebido. Afinal, Luka Doncic chegou ao Los Angeles Lakers por Anthony Davis, Max Christie e uma escolha de primeira rodada.

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Fica parecendo que os times não conseguem mais extrair grandes pacotes, pois a liga está “cobrando” cada vez mais. As multas para quem ficar muito tempo acima do segundo nível de multas da NBA são muito caras e todo mundo entendeu o recado: é preciso cuidar das finanças.

Quando o Hawks não deu a extensão que Young gostaria de receber, ficou difícil a troca não acontecer. Alguém viu os dez jogos que ele fez por Atlanta? Era um jogador diferente. Por mais que ele se importasse com os fãs, os colegas e o time em si, o armador não estava com cabeça para jogar em seu melhor nível. Ele estava irritado com a direção e ia embora ao fim da campanha.

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Tem um pouco a ver com o ego dos jogadores da NBA, mas a troca de Trae Young vai muito além disso. É um sinal de que as coisas podem estar mudando.

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Todo mundo sabe que a NBA é uma liga dos jogadores há muito tempo. É diferente na NFL, por exemplo. A direção da liga de futebol americano aperta o cerco nas ações de seus atletas e os salários são infinitamente menores do que na de basquete.

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Apesar de ser muito mais popular nos EUA, a NFL consegue controlar bem sua liga e não dá brechas para locautes. Desde 1998, a NBA já teve dois, parando jogos e diminuindo o calendáio em ambos. No futebol americano, a útlima foi em 2011, mesmo ano da de basquete. A diferença? Durou cerca de 60 dias e nenhuma partida foi perdida.

O que isso significa, afinal?

Bem, a NBA está vendo seus jogadores recebendo valores cada vez mais altos, querendo garantir cada vez mais seus direitos, mas vai além disso. Os atletas querem descansos, privilégios ao longo da temporada. Jimmy Butler, por exemplo, dizia que não se importava com o All-Star Game, com prêmios e tudo mais. Está no direito dele, inclusive.

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Mas ao fazer isso, ele dá sinais a outros jogadores que isso pode virar um padrão na NBA, que os prêmios não são importantes.

Talvez, para Butler, que já ganhou mais de US$300 milhões e tem mais cerca de US$100 milhões a receber ao fim de seu contrato com o Golden State Warriors.

Para os outros jogadores, a realidade é bem diferente. E é vencendo os tais prêmios que ativam cláusulas para seus salários aumentarem nas extensões. E para ter direito a isso, é preciso fazer 65 jogos. Ou seja, sem descansos em excesso.

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Hoje, a NBA está virando uma liga de atletas mais jovens, com menores salários. Os veteranos, donos de valores muito altos, estão “penando” contra a “molecada”. Então, a liga, aos poucos, vai se estabelecendo como a real dona do negócio.

Times que pagam muitas multas estão sofrendo financeiramente, mas em quadra, também. Cada vez mais “travados” para trocas e assinaturas, eles tentam abrir espaço em suas folhas.

De novo, ainda é aos poucos.

Mas o que a troca de Trae Young tem a ver com os novos jogadores?

O Hawks não conseguiu nada além de um expirante (McCollum) e um jogador de banco (Kispert) por Trae Young. Mas sabe por que, além do que acontece em quadra?

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Ninguém quis se arriscar em uma extensão pesada por Young, um atleta que tem talento, mas se machuca e não defende. Aos 27 anos, ele é o segundo jogador mais velho do Wizards, atrás de Anthony Gill, que está lá para ser presença veterana, e Khris Middleton, no último ano de contrato.

Ou seja, em 2026/27, se o armador estender, existe a chance de ser o “tiozão” ali.

Veja, agora, o Oklahoma City Thunder, atual campeão da NBA. Alex Caruso e Kenrich Williams são os únicos acima dos 30 anos ali. E sempre que um time aparece assim na liga, ele dita regras a serem copiadas.

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Foi assim com Shaquille O’Neal, por exemplo. Quando ele chegou ao Lakers, os times contratavam vários pivôs, especialmente no Oeste, na tentativa de brecar o cara. Depois, com LeBron James, foram os defensores de perímetro muito fortes, capazes de tirar o astro de seu melhor. Então, com Stephen Curry, aconteceu a cópia mais uma vez. Todo mundo arremessa de três e não é do nada.

Então, o Thunder, com jogadores jovens, deu o sinal: é hora de renovar seus elencos, deixar mais baratos e coletivos.

O Hawks entendeu o recado. Recebeu McCollum, mas seu contrato é expirante e vai embora.

Hawks melhor sem Trae Young

Por que o Hawks liberou Young tão fácil assim?

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Bem, passa por vários pontos. Um deles é que, em quadra, ele já não ajudava mais como time. Sem ele, 16 vitórias em 29 jogos. Com ele, duas em dez. Mas mais do que isso, Atlanta virou um time mais coletivo, mais conjunto, melhor defensor.

Tem, também, o fato de que ele iria embora ao fim da temporada de graça. Isso despenca valor de troca.

Por fim, a direção do Hawks foi atrás de vários times e recebeu portas fechadas. Sabendo que a troca de Trae Young não geraria tantos jogadores bons o bastante, Atlanta foi na que “endureceu menos”. Daí, nem escolha de Draft ganhou.

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É melhor abrir mão por pouco do que perder por nada. Em quadra, por outro lado, o Hawks tem tudo para melhorar com Jalen Johnson. E veja os bons defensores que o time tem.

Wizards ganha um astro

Claro que o Wizards pagou pouco, se a gente for comparar com outras trocas que aconteceram. Mas, de novo, na troca de Doncic, o Dallas Mavericks recebeu muito menos do que valia.

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Pode ser uma tendência, pois os times querem deixar seus elencos mais baratos, mais coletivos e mais jovens.

E o próprio Wizards é um time muito jovem. Com Trae Young por lá, a equipe deve ter uma melhora, pois existem vários defensores de grande nível ali para que o armador seja “escondido” e menos explorado.

Tudo depende de um bom plano de jogo. Funcionou com o Warriors de Curry até que ele começou a se esforçar na defesa e ganhou aquele título que ninguém esperava em 2022.

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Então, o Wizards, com um grupo bem jovem, precisava de um ídolo, um rumo. E ele chegou.

Por mais que existam problemas em seu jogo, Young é uma referência para vários jogadores na liga. E por lá, ele vai poder ganhar o salário que tanto quis.

Simples assim.

Futuro da NBA

Parece, cada vez mais, que os times vão investir em jovens atletas. São cada vez mais altos, com envergaduras maiores, mais magros, coletivos, com capacidade para o arremesso de três e defender. São as características dos novos jogadores que as equipes buscam, muito mais longe de estabelecer posições.

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Desde bem antes da troca, Trae Young faz parte da turma de Stephen Curry, mas com características cada vez menos vistas em outros jogadores da NBA: a retenção da posse de bola e a organização ofensiva.

Caras que vão fazer isso, em geral, são melhores defensores. Está acontecendo uma transição na NBA e ninguém está percebendo.

Sion James, calouro do Charlotte Hornets, chegou à liga calado e já é um defensor de grande nível. Mas sabe o que mais ele pode fazer? Quase tudo. Ele arremessa, passa, tem ótimo controle de bola.

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É este o tipo de jogador que a liga está formando. Qual é a posição dele? Em tese, ala-armador. Na prática, ele faz tudo no perímetro.

Se eles não se adaptarem, vão ser trocados e esquecidos.

LaMelo Ball?

Jogadores unidimensionais estão cada vez mais raros, como em alguns dos casos abaixo.

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