Troca de LaMelo Ball pode ser início do fim de Anthony Edwards?
Time sonha em ver dupla em quadra, mas precisa de ajustes e mais trocas para lutar na NBA
Certo. LaMelo Ball vai jogar ao lado de Anthony Edwards a partir da próxima temporada. O Minnesota Timberwolves precisava de um armador e fez de tudo para conseguir. Mas será que foi a melhor opção para a franquia? E mais que isso: Edwards vai ficar satisfeito com o que acontecer em quadra?
A gente vem elogiando há tempos o trabalho de Tim Connelly no Timberwolves. Afinal, fez trocas ousadas, mexeu em peças que pareciam intocáveis e transformou o time em um dos mais fortes do Oeste. Uma das negociações, aquela que mandou Karl-Anthony Towns para o New York Knicks, resultou em Julius Randle e Donte DiVincenzo, basicamente. Sem contar com escolhas de Draft, claro.
Mas o título de Towns pelo Knicks deixou Anthony Edwards com um sentimento ambíguo. Por um lado, ele ficou feliz por ver seu antigo colega ser campeão da NBA. Por outro, sobrou uma pitada de inveja. E nem é sobre o astro ser invejoso ou não. Ele só quer vencer.
Então, a direção começa a agir após o cestinha reclamar. Era preciso fazer algo para agradar, pois o passado já mostrou que outros grandes nomes deixaram Minnesota e foram campeões em outros times. Kevin Garnett, Kevin Love, Andrew Wiggins e, agora, Towns. Todos eles foram campeões depois de estourarem no time.
E a primeira coisa que fez foi trocar Randle, receber uma trade excepction e usar para receber LaMelo Ball. Connelly estaria sendo ousado mais uma vez ou foi uma negociação ruim, baseada apenas na pressa para não perder mais um grande astro?
Bem, havia mesmo uma lacuna na armação. Mike Conley caiu muito de produção, enquanto Donte DiVincenzo está fora da próxima temporada.
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Portanto, começamos a imaginar o que poderia ser feito com a realidade financeira do time. LaMelo Ball era mesmo a melhor resposta para as reclamações de Anthony Edwards? Por enquanto, o que a gente sabe está só no papel.
Mas, logo de cara, temos alguns pontos aqui. Primeiro, o que é um upgrade a partir de zero? Se você pensar que Minnesota não tinha nada para 2026/27 na posição, é óbvio que o antigo jogador do Charlotte Hornets é isso. O time era um vazio de imaginação e vivia de inspiração. E nada contra o trabalho do técnico Chris Finch, que acabou de perder seu principal assistente, Micah Nori. Finch só não tinha quem fizesse o trabalho de organizar o time.
Qual versão?
Agora, ele terá em LaMelo Ball. O que todo mundo está curioso, a partir de agora, é saber qual versão chega ali. Afinal, se for aquela anterior a dezembro de 2025, podemos dizer, sem medo algum, que Edwards vai embora em breve.
Aquela versão de Ball era ruim para o Hornets: individualista, preguiçosa, soberba. Mas houve uma mudança drástica a partir de uma conversa com Charles Lee, de Charlotte. Desde janeiro de 2026, o armador soube distribuir o jogo sem ficar tanto com a bola nas mãos, sem atrapalhar o time com erros estúpidos de quem era só mimado por causa de seu talento.
Todo mundo sabe que ele tem muito talento. Ball, quando joga de forma séria, é capaz de levar qualquer time às vitórias. O problema é seu ego, pois sabe o quanto é bom e, ao mesmo tempo, descompromissado. Daquele tipo de jogador que sabe que pode decidir quando quiser, sabe? Esse cara vai atrapalhar Anthony Edwards, com toda certeza que existe no mundo.
Mas se for a que surgiu na segunda metade da última temporada, o Timberwolves pode comemorar: recebeu um jogador de nível espetacular, com metas de vencer e ajudar seus colegas. Esse cara vai fazer Edwards brigar pelo título e ser MVP.
Rebotes?
De novo, é sobre dinheiro. O Timberwolves tem um grande problema em sua folha e precisa ser criativo. E a gente sabe que Connelly faz ótimo trabalho ali. No entanto, Minnesota trocou não só Julius Randle, como Naz Reid. Vai ter a dupla Edwards e Ball, mas quem vai jogar minimamente para ajudar Rudy Gobert no garrafão.
Jaden McDaniels, projetado para ser o novo ala-pivô em uma liga cada vez menos posicional, é “alérgico” a rebotes. Em 2025/26, por exemplo, ele pegou só 25.4% dos rebotes contestados, aqueles que ele precisou disputar com alguém. Para ter uma ideia, Julius Randle teve 35.9% em uma campanha que pegou apenas 6.7.
Deu para entender? Basicamente, o time fez a troca por LaMelo Ball para enfraquecer o garrafão, mirando um estilo de jogo diferente. Ou, no mínimo, vai sobrecarregar Rudy Gobert no quesito. O francês, aliás, pegou 40.6% dos que teve de brigar para ficar com a bola. É sua melhor marca desde 2016/17, para ter uma ideia.
Uma coisa que Reid (37.4% em 2025/26) e Randle faziam era o box out. Ou seja, eles se jogavam em cima do adversário para deixar um colega pegar o rebote. Às vezes, eles mesmos pegavam assim. Mas, aqui, estamos falando de um trio (incluindo Gobert) que pesa, no mínimo, 113 quilos cada. McDaniels pesa, molhado, 30 quilos a menos. Isso faz muita diferença.
Trey Kaufman-Renn, penúltima escolha do Draft, passou os quatro anos em Purdue. Pode ajudar, até por não ser tão cru, mas é preciso testar em quadra.
Decisões
Para você ter uma dupla como LaMelo Ball e Anthony Edwards, seu time precisa de ótimos defensores no garrafão. Por mais que Edwards seja um “chato” defendendo, existem aquelas noites em que ele vai só “largar”. Então, mais uma vez, sobra para Gobert.
E é claro que McDaniels vai defender o tempo todo, mas Gobert e ele terão mais preocupações com o ajuste, sabendo que Ball é um péssimo defensor. Então, Minnesota tem de ir ao mercado e tentar fechar com algum brucutu.
Sem Reid e Randle, como faz? O melhor reserva para a função, hoje, é Joan Beringer. É pouco, pois o francês carece de experiência. Foram só 27 jogos em sua campanha de estreia na NBA. Ele terá de ser muito testado na Summer League, que acontece no mês que vem.
Ainda assim, Minnesota precisa achar alguém. Com as extensões de Ayo Dosunmu e Terrence Shannon, não tem dinheiro para pagar um grande agente livre. Então, só sobra uma troca de DiVincenzo para um time que queira abrir espaço em sua folha. O ala-armador vai ganhar US$12.5 milhões. Se somar com Josh Green, que chegou ao lado de LaMelo Ball, chega a US$27 milhões.
Hoje, no mercado, existem duas opções mais ou menos viáveis dentro da faixa: Kyle Kuzma, do Milwaukee Bucks e PJ Washington, do Dallas Mavericks. Como o Mavs pode tentar competir, é pouco provável que Washington chegaria. Sobra Kuzma, pois o Bucks não vai arrumar nada em 2026/27.
Kyle Kuzma, sério?
Eu sei. Você não gosta da ideia, pois Kuzma jamais rendeu aquilo que prometeu. Não é perfeito, mas é um cara que pegou 30% dos rebotes contestados e tem um salário expirante de pouco mais de US$20 milhões. Vale lembrar que há cinco anos, teve 17.1 pontos, 8.5 rebotes e 3.4 assistências, enquanto acertou 34% de três. Mas já produziu mais em pontos (22.2) e em passes decisivos (4.2) em 2024.
Hoje, ele pode ajudar como uma quinta opção ofensiva, além de ser esforçado na defesa e ajudar em várias pequenas coisas em quadra. Claro que não é o nome ideal, mas se você olhar o que o Timberwolves terá com LaMelo Ball e Anthony Edwards, Kuzma é melhor do que nada.
Ter um quinto cestinha ali, podendo fazer seus 12 pontos, já ajuda. E ele é um passador subestimado. No fim das contas, fica parecendo que ele seria o cara para resolver todos os problemas de encaixe e falta de gente para pegar rebote. Mas estamos falando de um conjunto, oportunidade de negócio (por ser expirante) e precisar de alguém ali.
Outras soluções mais baratas: Grant Williams, Jarred Vanderbilt, Taylor Hendricks e Kenrich Williams. Assim como Kuzma, nenhum ali é uma opção perfeita. Em termos de talento puro, nenhum deles supera o jogador do Bucks.
Timberwolves pode brigar
Está claro que o time colocou todas as suas fichas em um ataque com Anthony Edwards e LaMelo Ball, mas tem ainda Jaden McDaniels e Rudy Gobert. Deve ter a volta de Mike Conley, enquanto Ayo Dosunmu mostrou muito talento e Terrence Shannon deve ganhar muitos minutos. Mas, com pequenos ajustes, trocas pontuais, pivôs reservas na agência livre, tem algo ali.
Minnesota está longe de ser perfeito, mas pode dar muito certo se Ball fizer o que precisa fazer. Aliás, se cada um ali se desdobrar para atingir um objetivo. Como dizem no automobilismo, é win or wall. Tem o talento para vencer, mas precisa cortar os problemas para não bater no muro e perder mais um astro.
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