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O som da Euroliga

Correspondente em Israel, Rodrigo Salomão estreia no Jumper com a crônica da primeira rodada da Euroliga

Seis longos meses se passaram desde que a bola quicou pela última vez na competição mais importante de clubes do basquetebol europeu. Ao contrário da NBA (e da maioria das outras ligas domésticas), a Euroliga não teve uma conclusão da temporada 2019/20 e preferiu cancelá-la para se preparar logo para 2020/21. E cá estamos, agora de casa nova, para contar um pouco mais para vocês. Muito obrigado sempre ao Fábio Balassiano, do Bala na Cesta, por me abrir as portas. E agora ao Jumper Brasil, este lugar incrível, que desde o início tem me dado todo espaço necessário, começando com um bate-papo numa live para contar nossas expectativas para o novo ano na Europa. Mas vamos lá que o basquete urge!

Ainda com todas as dúvidas e incertezas que cercam o início de uma temporada com a pandemia ainda solta entre primeiras e segundas ondas, conseguimos nos fazer presentes mais uma vez na Menora Mivtachim Arena, ginásio do Maccabi Tel Aviv, para a estreia do time contra o Alba Berlin (80-73 para os israelenses). Experiência inédita para mim ao acompanhar um jogo sem torcida, o que não significa que estávamos exatamente em silêncio. Bem pelo contrário. O som da Euroliga, dessa vez, era outro.

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Com o vazio das arquibancadas, foi possível absorver a mágica do jogo dentro do jogo. Acompanhamos de perto o quanto se fala dentro de uma quadra e o quanto esse aspecto nos foge numa transmissão de TV ou até mesmo numa cobertura in loco com o barulho dos torcedores abafando (e isso na Europa é muito presente). Desde o “trash talk” até a construção de jogadas, os atletas não se calam em nenhum segundo. Nem os treinadores, claro. Talvez isso explique o quanto pode atrapalhar uma vaia ensurdecedora dos fãs num ataque do time visitante. É lógico que já sabíamos da sua importância nesse sentido, mas é sempre diferente quando vemos de fato acontecer. A voz faz parte de um jogo com o qual temos pouco contato justo por estarmos imersos a outro tipo de som.

Euroliga

Foto: Rodrigo Salomão

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Coincidência ou não, ainda sem exatamente um “fator casa” como diferencial para a maioria, a primeira rodada da Euroliga trouxe à tona o som do equilíbrio. Uma paridade acima da média de um torneio que por si só já costuma ser bem parelho. Exemplos não faltaram, como o bem cotado Anadolu Efes sendo surpreendido na Turquia e caindo para o Zenit. Ou o Real Madrid – outro time cheio de expectativas, como sempre – que sucumbiu fora de casa para o Baskonia num duelo local e, o mais legal, com cerca de 400 torcedores presentes. Para se ter uma ideia do equilíbrio da rodada, a margem média da diferença de placares dos nove jogos foi de 6.1 pontos por partida. Promissor e empolgante.

Curiosamente, o grande duelo da rodada inaugural – transmitido pelo DAZN no Brasil, é bom lembrar – não seguiu muito essa linha e confirmou ainda mais a condição de grande favorito do Barcelona. A equipe agora treinada por Sarunas Jasikevicius – o Saras – teve serenidade para administrar a boa vitória desde o começo, em casa com portões fechados contra o CSKA (o último campeão), por 76 a 66. Os russos até que flertaram com uma reação no último período, mas não foi suficiente diante de Nikola Mirotic, Brandon Davies, Álex Abrines e companhia. Um belo impulso rumo ao título que não vem desde 2009/10. Caso o rumor da vinda de Marc Gasol venha se concretizar (por enquanto tem sido negado), quem é que vai segurar os culés? Só o tempo dirá, porque na Euroliga tudo pode acontecer. Até mesmo o favorito se tornar campeão.

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