O outro lado da moeda

O Oklahoma City Thunder acertou ao trocar James Harden? O que é mais vantajoso, pensar no futuro da franquia ou no presente? O dinheiro influenciou na decisão de Sam Presti? A saída do barbudo mais famoso do basquete ainda vai repercutir muito ao longo da temporada, com certeza. Vamos analisar variados aspectos para a franquia: […]

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O Oklahoma City Thunder acertou ao trocar James Harden? O que é mais vantajoso, pensar no futuro da franquia ou no presente? O dinheiro influenciou na decisão de Sam Presti? A saída do barbudo mais famoso do basquete ainda vai repercutir muito ao longo da temporada, com certeza. Vamos analisar variados aspectos para a franquia:

Harden tem apenas 23 anos, está apenas em sua terceira temporada na liga e com certeza ainda vai se desenvolver e melhorar seu jogo a um nível muito elevado. Seria importante mantê-lo para poder colher os frutos a longo prazo, formando uma base muito boa com Russell Westbrook, Kevin Durant e Serge Ibaka.

Para o seu lugar, veio Kevin Martin, que aos 28 anos já está na descendente em sua carreira, apesar de os seus números ainda serem bastante bons – 17.1 pontos, três rebotes e 3.1 assistências na última temporada. Eu acho que nesse ponto, Sam Presti acertou, porque ele já tem gente demais para o futuro da franquia no elenco, e precisam de alguém pra dar resultado agora.

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Harden não conseguiu jogar no mesmo bom nível que teve durante as finais da NBA, quando suas médias caíram para 12.4 pontos e 37,5% de aproveitamento em arremessos, enquanto que ele fez 3.6 faltas e cometeu 2.4 desperdícios de bola. Martin nunca jogou uma final de NBA, é verdade, mas é mais experiente e talvez seja bom arriscar.

Digo isso porque tempo o Thunder tem de sobra. Nenhum de seus principais jogadores tem mais de 25 anos, eles tem dois calouros muito promissores no elenco – Perry Jones e Jeremy Lamb, que veio na troca de Harden – e o que é mais interessante ainda: eles tem três escolhas de primeiro round (protegidas, é verdade) para o draft próxima temporada. E todos nós sabemos que Sam Presti montou seu elenco estrelar via draft.

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Harden era o sexto-homem do Thunder, responsável por manter o ritmo do ataque ao lado dos reservas e dar um descanso a Kevin Durant no arremesso de longa distância e a Russell Westbrook nas infiltrações, além de quebrar o galho de Thabo Sefolosha se o titular fizesse muitas faltas. Sua importância para a rotação era enorme, porque além de tudo isso, quando atuava ao lado de Westbrook e Durant, ele era o armador de fato da equipe.

Mas cada um desses aspectos deve ser feito por um atleta que já faz parte do elenco: Eric Maynor, Reggie Jackson, Kevin Martin, Perry Jones e Jeremy Lamb. Eles não farão o serviço da mesma forma que Harden é claro, mas o nível não deve cair tanto. Se a franquia der sorte, é até melhor que os role players façam o seu papel, do que ter um multi-função que se canse no fim das partidas.

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Outra franquia que vai passar pelo mesmo processo é o Atlanta Hawks, que trocou seu principal jogador (e seu salário ridículo), Joe Johnson, e adquiriu vários outros para fazer as funções dele em quadra: Louis Williams, Kyle Korver, Anthony Morrow, John Jenkins… No decorrer da temporada, vamos ver se Hawks e Thunder vão lamentar a troca.

Como todo mundo sabe, o Thunder foi para final da NBA na última temporada, quando foi atropelado por LeBron James e seu Miami Heat em cinco jogos, e em time que está – quase – ganhando não se mexe, não é verdade? Pois eu digo que, nesse caso, é necessário sim mexer, e por motivos extra-quadra.

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Não se sabe o quanto a renovação de Serge Ibaka pelo contrato máximo mexeu com a cabeça de Harden, que já vinha tendo seu nome especulado em outras franquias desde a temporada passada.

Não se sabe se ele iria continuar querendo ser o reserva mais cobiçado de toda a liga tendo que sacrificar minutos, arremessos, números, enfim, sendo pior estatisticamente do que poderia ser, pra não falar no dinheiro, quando no mínimo dez franquias o queriam para ser o principal jogador do time.

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Sam Presti optou pelo mais seguro após ter feito a besteira de dar U$ 60 milhões a Serge Ibaka: trocou Harden. Particularmente, preferia ter continuado com Harden, renovando primeiro com ele, para depois pagar menos ao congolês, mas já que isso não era mais possível… acho que todos nós vamos ficar imaginando o que poderia ter acontecido se eles continuassem na mesma franquia por mais uns anos.

A situação do Thunder me lembra a vivida pelo Detroit Pistons na temporada de 1988-89. Naquela temporada, um dos principais jogadores da franquia e maior cestinha do time, Adrian Dantley, foi trocado para o Dallas Mavericks por Mark Aguirre, bom jogador, mas não do mesmo nível que ele.

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Por que o Pistons fez isso? Porque Dantley não estava nem um pouco satisfeito em ver seus minutos em quadra serem reduzidos para que o então jovem Dennis Rodman jogasse cada vez mais. Ao perceber que a influência dele nos vestiários estava estragando o clima do time, Isiah Thomas, líder indiscutível da equipe, e Jack McCloskey, General Manager da franquia, o trocaram, pois o mais importante era vencer um campeonato do que ter boas estatísticas.

O resultado? O Pistons piorou estatisticamente sem os 20 pontos por partida que Dantley fazia noite após noite, mas o clima no vestiário ficou mais leve, Aguirre não se importou em jogar menos para que Rodman pudesse entrar – entendendo seu papel na equipe – e no final da temporada, a franquia se sagrou campeã da NBA, repetindo a dose em 89-90.

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Claro que posso estar errado tanto nessa análise quanto na anterior,  e vamos ver James Harden – já com uma barba tão grande que vai estar na altura do umbigo – levar o Rockets até uma final da liga varrendo o Thunder na final do Oeste e “se vingando” de Sefolosha fazendo 40 pontos na série. 

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Ou então, o que seria ainda pior: Westbrook e/ou Durant ficarem insatisfeitos com a saída de seu amigo Harden da franquia, deixarem a barba crescer e forçarem uma transferência, destruindo os sonhos de título e fazendo com que o Thunder mudasse de cidade.

De toda a forma, é triste que o Thunder vá criar mais um “e se…?” na história da NBA por causa de dinheiro.

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