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Nuggets chega ao teto e corre riscos de “implosão”, mesmo com Nikola Jokic

Astro tenta fazer time competir por título, mas salários e lesões atrapalham

Nuggets Nikola Jokic
Reprodução / X

O Denver Nuggets tenta montar um elenco competitivo em torno de Nikola Jokic para seguir relevante na briga pelo título da NBA. No entanto, a situação no time do Colorado vem ficando cada vez mais difícil. A cada ano, a franquia encontra mais problemas do que soluções. Então, pode entrar em reformulação antes do esperado.

Boa parte disso se deve à NBA. De acordo com suas regras, ficou quase impossível montar um elenco pensando em cinco, seis anos com o mesmo grupo. Ou boa parte dele, até. Não tem mais como segurar jogadores, que querem salários cada vez maiores, enquanto a liga impões multas cada vez mais pesadas a quem se atreve a competir.

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Note que todos os últimos campeões estão sofrendo muito com isso. O Golden State Warriors, que venceu em 2022, pagou cerca de US$500 milhões entre salários e multas no ano seguinte. Desde então, quem venceu teve problemas. Não foi diferente com o time de Nikola Jokic.

Por mais que as franquias tentem, os aprons não ajudam. E quando você olha para o topo do Oeste, existem dois claros favoritos e um abismo depois disso. Hoje, Oklahoma City Thunder e San Antonio Spurs colocaram uma boa distância em cima do terceiro, seja lá quem for hoje. E Thunder e Spurs só conseguem se manter por causa dos “malabarismos” que as franquias fizeram e dos contratos de seus jovens talentos.

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O Nuggets não tem como fazer o mesmo hoje, pois a direção teve de pagar mais aos colegas de Jokic. Não só ao sérvio, mas todos os titulares ganharam extensões caras.

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E o fato é que Denver bateu no teto e começou a andar algumas casas para trás. Veja que o Nuggets até foi competitivo com Nikola Jokic, Jamal Murray e Aaron Gordon, mas o quinteto titular quase não esteve junto ao mesmo tempo. Várias lesões atrapalharam e quem era “intocável” até então, já não é mais.

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O caso de Aaron Gordon é exatamente isso. Claro que a direção gosta dele, pois é excelente defensor e faz o papel de terceiro ou quarto cestinha sem ego algum. Mas ele fez só 36 jogos em 2025/26, vindo de uma campanha em que atuou 51 vezes. Isso é muito pouco, especialmente se o ala só atuou em três partidas nos playoffs de 2026.

Desde então, a direção do Nuggets tenta trocar Cam Johnson e Christian Braun para poder estender com Peyton Watson. E o mercado da NBA estabeleceu que ele deve ganhar perto de seus US$25 milhões anuais. Foi o mesmo padrão que outros agentes livres restritos acabaram inflacionando no ano passado, como Josh Giddey, Jonathan Kuminga, Quentin Grimes e Cam Thomas.

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E veja o que aconteceu, né? Só Giddey recebeu tal valor. Kuminga até ganhou algo perto disso (US$23.8 milhões), mas com uma opção do time para o segundo ano. Quentin Grimes e Cam Thomas ficaram com a oferta qualificatória. Exceto o armador do Chicago Bulls, os outros três já não estão mais naquelas equipes. Não é por acaso. Aliás, Thomas segue como agente livre e ninguém vê rumor algum sobre ele.

Campeões no limite

Além do Nuggets de Nikola Jokic e o Warriors de Stephen Curry, Boston Celtics, Oklahoma City Thunder e New York Knicks estão sofrendo com as duras regras salariais. Perceba que o Celtics teve de abrir mão de vários jogadores da rotação desde a última temporada. O Knicks, por exemplo, não quis estender com Mitchell Robinson para não pagar tais multas. Enquanto isso, o Thunder trocou três jogadores para manter os contratos de Isaiah Hartenstein e Lu Dort.

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Aliás, Dort foi trocado para o Atlanta Hawks, pois o time quer estender com Cason Wallace. Assim como o Warriors de 2023, o Thunder estava perto de pagar mais de US$500 milhões entre salários e multas.

Não é do nada que isso acontece, pois as franquias precisam “andar nos trilhos”. Mas como vão conseguir, se os jogadores se valorizam a cada dia? É só aceitar que não pode segurar e deixar ir embora?

O próprio Thunder passou por isso há mais de uma década, quando trocou James Harden para o Houston Rockets. E olha que naquela época nem existiam os aprons.

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Fica impossível. Ou você segue com aquele grupo e tem de pagar multas ou abre mão deles e tenta competir com o que restou. Não tem outra opção para times como o Nuggets, por exemplo. Logo depois que foi campeão, o time não manteve Bruce Brown, que foi ganhar US$23 milhões no Indiana Pacers. Não tinha como manter.

Situação deixa Denver em perigo

Brown ganhou seu dinheiro e voltou para o Nuggets pensando no título da última temporada. Até aí, tudo bem. Ele retornou recebendo bem menos, com o mínimo para veteranos. Mas quandos jogadores de tal nível fazem isso?

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Vá lá, Jalen Brunson deu aquele desconto ao Knicks, mas já avisou que na próxima extensão não vai repetir aquilo. Como é que James Dolan, dono do time, vai fazer para manter? O básico, né? Vai trocar peças e deixar o elenco mais fraco.

Todo mundo sabe que Nikola Jokic é o melhor jogador da NBA há tempos, mas se o grupo do Nuggets perder forças, como faz? Vai aceitar perder Watson por não conseguir pagar multas, já que não é mais um dos favoritos?

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Aliás, Watson já provou que pode ser um astro para deixar Denver na atual situação? São pontos que a direção precisa entender antes de tomar uma decisão drástica, pois as multas são extremamente altas.

Só para ter uma ideia, quando o Nuggets igualou a proposta para manter Spencer Jones, um jogador de rotação e que vai ganhar US$6 milhões em 2026/27, o time saltou de US$32 milhões para US$68 milhões em multas. Se estender com Watson, por volta dos US$23 milhões, Denver salta para US$477 milhões entre salários e taxas.

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Tudo isso pelo que? Uma semifinal do Oeste?

Competir economizando ou recomeçar?

Hoje, o Nuggets corre sérios riscos de ter de passar por uma reformulação daqui um ou dois anos. Por mais que Jokic faça de tudo em quadra, é pouco para o que a NBA apresenta hoje no Oeste.

Claro que é possível tentar competir, especialmente porque o improvável acontece nos playoffs. Quem diria que depois de ser campeão pelo Milwaukee Bucks, Giannis Antetokounmpo só faria mais 18 jogos na fase? Desde 2022, o grego teve menos partidas que Jalen Brunson (19) fez só em 2026.

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Mas não dá para contar com a exceção, óbvio. O próprio Nuggets não teve em Gordon em três dos seis jogos, enquanto Peyton Watson sequer jogou nos playoffs. E isso tudo sem ter um técnico nível top no momento.

Michael Malone conseguia extrair o melhor de seu elenco, mas a direção optou por David Adelman, sem experiência na função, para assumir o time perto dos playoffs de 2025. Tudo isso porque Malone queria usar Russell Westbrook mais do que Jalen Pickett (sério).

Não se esqueça que ao fim de 2026/27, Nikola Jokic pode deixar seu contrato ou estender (o que parece mais óbvio). Mas veja isso: contando só com o que Denver tem para 2027/28, sem Cam Johnson, Julian Strawther, Marvin Bagley, Tyus Jones e Watson (expirantes em 26), o time já soma US$198 milhões.

De acordo com especulações, o teto salarial de 2027/28 deve ficar em US$174 milhões, com o segundo nível de multas na casa dos US$234 milhões. Ou seja, basta manter Watson e Johnson que o time vai superar o second apron. Tudo isso para brigar pelo que mesmo?

A direção terá muito trabalho para manter o Nuggets competitivo o bastante para justificar os gastos. Cair antes da final do Oeste, pagando taxas, é uma temporada de derrota, seja para quem for.

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