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“Nice game, Mike!”

Renan Ronchi conta como Michael Jordan se motivou para uma partida

Você provavelmente nunca ouviu falar de LaBradford Smith. A 19ª escolha do draft de 1991 teve médias de 6.7 pontos e 2.2 assistências em seus três anos de NBA. Ainda jogou na CBA e na Europa antes de se aposentar aos 31 anos de idade. Mas o ex-ala tem no currículo algo que pouquíssimas pessoas que não estão no hall da fama do basquete possuem: LaBradford superou Michael Jordan individualmente em uma partida. E a história envolvendo o maior jogador de todos os tempos e um jogador comum que mal conseguiu se manter na liga é um retrato de como Jordan se auto motivava para seus desafios dentro de quadra.

Era março de 1993. O time de Washington se chamava ‘Bullets’, o time de Chicago era a equipe a ser batida na liga e o calendário proporcionou uma das bizarrices que às vezes acontecem. Bulls e Bullets se enfrentariam em duas noites seguidas. Sexta-feira em Chicago e sábado em Washington. O Bullets estava em modo rebuilding, testando e dando espaço à jogadores novos com potencial. Para jogar de ala-armador e jogar contra Jordan foi escalado Smith, titular pela quarta partida consecutiva e que estava fazendo uma temporada consistente, com 9.0 pontos de média.

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Jordan acabaria o jogo com 25 pontos e o Bulls saiu com a vitória, o que era esperado de um confronto entre um time defendendo o título e outro se reconstruindo. O que ninguém esperava era que seu oponente teria a melhor noite de sua vida. O ala do Bullets acabou o jogo com 37 pontos, com 15 acertos em 20 arremessos e sete tentativas convertidas na linha de lance livre. Apesar da vitória da equipe de Chicago, os repórteres estavam interessados apenas em uma coisa: como um jogador desconhecido havia superado MJ daquela maneira?

Na entrevista pós-jogo, Jordan estava irritado. “Foi uma situação bem vergonhosa para mim. Evidentemente eu não respeitei o cara e ele certamente provou que consegue fazer bons números. Ofensivamente eu não estava em um dia tão bom e isso acabou impactando minha performance na defesa. Isso é algo que eu vou melhorar, estou ansioso para o desafio”. MJ ainda disse que Smith o provocou no final do jogo, se aproximando dele e dizendo ‘Nice game, Mike’, e concluiu prometendo que marcaria no próximo jogo o total de pontos de LaBradford (37) no primeiro tempo da partida.

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Veio o jogo seguinte, e com ele a vingança do camisa 23 de Chicago. Jordan acertou seus primeiros oito arremessos, terminando o primeiro quarto com 19 pontos, quatro rebotes e quatro roubos de bola. Com três segundos restando para o fim do segundo quarto, Jordan tinha 35 pontos e iria cobrar dois lances livres. Provavelmente Michael estava tão sedento por ‘sangue’ que acabou errando um dos arremessos, terminando o primeiro tempo com ‘apenas’ 36 pontos. Jordan acabaria o jogo com 47 pontos, oito rebotes e cinco assistências em uma vitória tranquila de seu time por 25 pontos de diferença. Em determinado ponto do terceiro período, Smith (que terminaria o jogo com 15 pontos) falou para MJ: “Cara, pega leve”. Mas Jordan retrucou: “Você não pegou leve comigo ontem, por que hoje eu pegaria com você?”.

Jordan se aposentou pela primeira vez da NBA sete meses após esse episódio. Quando voltou para a liga, Smith já não estava mais jogando nos Estados Unidos e um terceiro duelo acabou nunca acontecendo, mas o melhor da história ainda estava por vir. Ao ser lembrado dessa situação em uma entrevista, já em 1997, Jordan admitiu que inventou a coisa toda. LaBradford nunca disse: “Nice game, Mike”. Jordan mentiu. MJ inventou tudo isso apenas para que se criasse uma rivalidade que o motivasse o suficiente para o jogo da noite seguinte. E o mais estranho de tudo: Smith nunca negou que o havia provocado! Até mesmo seu técnico e companheiros de equipe acreditaram na história!

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Tudo isso é insignificante comparado às conquistas, recordes e outras situações que o maior jogador de todos os tempos viveu. Mas LaBradford Smith, onde quer que esteja agora, jamais irá se esquecer dessas duas noites onde foi protagonista lado a lado com ‘His Airness”. E como sentiu na pele a forma como Jordan se motivava para os desafios diários da vida de uma lenda do basquete.

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