Neemias Queta “ignora” dinheiro em novo contrato com o Celtics
Para pivô português, ganhos financeiros não são ponto mais importante em acordo com Boston
O novo contrato de Neemias Queta com o Boston Celtics é o maior de sua carreira. As partes fecharam um vínculo de US$54 milhões por quatro temporadas, depois do pivô ter a melhor campanha da carreira na NBA. Esse é o maior acordo que o português já teve em termos de duração e, acima de tudo, valores. Mas, em um âmbito pessoal, a duração é muito mais significativa do que os milhões na conta.
“O dinheiro, certamente, não foi a coisa mais importante nesse contrato. Nem de perto. O que mais me importa é saber que Boston tem a confiança de apostar em mim pelos próximos quatro anos. Não vou ter tantos medos e suspeitas, pois tenho a certeza de que posso seguir chamando essa cidade de casa. Não tenho que me preocupar a cada temporada mais”, celebrou o jogador de 27 anos.
Neemias Queta foi selecionado no draft de 2021 e, desde então, joga com contratos entre parcial e não garantidos. Chegou ao Boston Celtics dois anos depois e, ainda assim, precisou de paciência. Na última temporada, por fim, veio a grande chance em uma equipe que superou as expectativas de todos. Ele confessa que nunca se sentiu confortável sob o risco de acordar um dia e estar fora da liga.
“Há muitas incertezas quando você é agente livre na NBA. Afinal, não dá para saber o que vai acontecer. Se criam, então, várias dificuldades sobre como conduzir o seu ano. Há o medo de lesões e tudo mais. Não quero pensar nisso enquanto jogo. Por isso, me sinto muito bem. E, sobretudo, estou bem feliz de receber esse voto de confiança da franquia”, desabafou o titular de Boston na última temporada.
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Concorrência
Queta se provou uma boa opção para ser titular do Celtics, mas assumiu a posição por falta de opções. A franquia perdeu três pivôs enquanto diminuía custos em seu elenco. Com isso, ficou uma lacuna na posição que o português “agarrou” firme. Agora, ele vai voltar a ter concorrência pela titularidade com a chegada de Mitchell Robinson. Mas ele vê a nova concorrência como algo positivo.
“Gosto muito do fato de não ter que tentar bloqueá-lo nos rebotes mais, pois era bem difícil. Mitchell é muito forte, mas, ao mesmo tempo, ágil. Com isso, parece capaz de pegar qualquer rebote ofensivo. Ter alguém que defende tão bem e pode trazer tanto problema para o outro time na tábua, certamente, vai ser muito bom para a equipe”, avaliou o atleta.
Mais do que atuarem na mesma posição, Queta e Robinson tendem a disputar minutos por características físicas e de jogo. Muitos veem isso como um problema, mas o atleta de três temporadas no Celtics vê como uma situação ideal. “Eu sinto que nós somos jogadores de basquete bem similares, a princípio. Podemos trazer as mesmas qualidades e virtudes para um time, o que é essencial para formar uma rotação”, completou.
Mão de vaca
Ter um novo contrato milionário com o Celtics significa que Neemias Queta tem muito dinheiro para gastar. Mas ele não é um esbanjador. Pelo contrário: o primeiro jogador português da história da NBA é bem “mão fechada”. O seu pensamento é economizar. Ele não cogita gastar o dinheiro, aliás, nem para realizar um sonho pessoal: treinar com o lendário Hakeem Olajuwon.
“Sou uma pessoa muito ‘mão de vaca’, para ser sincero. Não sou um cara que gasta muito dinheiro. Então, eu não quero jogar uns US$100 mil só para treinos. Nem que signifique treinar com alguém como Hakeem. Nem com Hakeem”, disse o pivô, aos risos.
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