NBA: O jogo de Shai Gilgeous-Alexander cabe em qualquer época
Astro do Thunder venceu dois prêmios de MVP e vai em busca de sua segunda final consecutiva

Duas vezes MVP da NBA de forma consecutiva, o astro Shai Gilgeous-Alexander faz um jogo que parece simples, mas é objetivo. Ele não joga por números, não tenta quebrar recordes por si só ou vai “carregar” seus colegas. Shai faz o básico parecer incrível. E sabe de uma coisa? É mesmo.
Para a gente fazer comparações com outras épocas, é preciso calcular várias coisas. Não é só chegar e cravar: “Fulano não seria bom em tal década”. Tudo bem, mas por que não seria? Já pesquisou como era o basquete em 2010/11, por exemplo?
Bem, por sorte, sim. A gente, como site, acompanha a NBA desde 2007, mas pessoalmente, vejo jogos há 37 anos. Então, vi caras como Magic Johnson, Larry Bird e Michael Jordan ainda em seus auges. E uma coisa sempre me deixou curioso: como é que eu vou saber que um jogador poderia se dar bem no jogo atual ou no do passado, como Shai Gilgeous-Alexander?
A primeira coisa é entender se o basquete daquele jogador é bom o bastante para fazer esse tipo de comparação. Citamos 2010/11 como base, pois foi uma campanha em que LeBron James não foi o MVP. Naquela temporada, Derrick Rose venceu com médias de 25.0 pontos, 7.7 assistências e 4.1 rebotes, com 33.2% nas bolas de três.
Mas como seria o jogo de Shai naquela época? Ele ainda teria números de MVP?
Jogo de Shai Gilgeous-Alexander de 2025/26 o faria MVP em 2010/11
Tudo é questão de ajustes, certo? Então, vamos pegar os números dele na atual temporada: 31.1 pontos, 6.6 assistências, 4.4 tentativas de três, com aproveitamento de 38.6% no Oklahoma City Thunder. Mas, mais do que isso, o ritmo em 2025/26 foi de 99.4, enquanto foi 92.1 em 2010/11.
Sabendo que Shai não usa o arremesso de três como base de seu jogo, fizemos a conta sobre o ajuste para aquele ano: cairia para 2.14 arremessos de três. É só lembrar que naquela temporada, a NBA, como um todo, tinha 17 tentativas de três por time, por jogo. Em 2025/26, foram 37.
Então, mais contas.
Shai Gilgeous-Alexander teria pouco impacto em sua pontuação, sob o olhar do arremesso de três. Afinal, ele arremessaria mais de dois pontos. Mais ainda do que faz hoje. Usando a porcentagem que ele tem nos de dois (54.8%) e trazendo tal ajuste, veja que interessante:
Ele teria 2.26 arremessos a menos de três, certo? Então, eles passariam a ser de dois. Mas com o aproveitamento, pensando apenas nisso, ele subiria (sim) de 2.39 pontos para 2.48 na diferença das tentativas de três para dois. Ou seja, com menos volume de três e mais de dois, ele faria não 31.1 pontos, mas 31.2, com o saldo de 0.09.
Mas o ritmo de jogo seria diferente para Shai em 2010/11
Sim, aí é que vem o ritmo para mudar mais a coisa. Sabemos que o pace foi de 92.1 naquele ano, contra os 99.4 de 2025/26. Portanto, ele teria, com todos os ajustes, incluindo os arremessos de lances livres (24.4 em 2010/11, contra 23.5 em 2025/26), 29.0 pontos e 6.1 assistências.
Lembra que Rose foi o MVP pelo Chicago Bulls com 25.0 pontos e 7.1 assistências? Pois é.
Gilgeous-Alexander, em uma era antes do aumento significativo dos arremessos de três, seria ainda melhor. Claro que você diminui o ritmo de jogo para chegar em tais números, mas sendo um “amante” da média distância, ele iria ampliar ainda mais.
O mesmo Rose, agora em 2025/26, faria, com todos os ajustes, 27.1 pontos, 8.3 assistências, mas com 9.9 tentativas de três (teve 4.8 em 2010/11). Seriam grandes números, mas abaixo, no geral e com mais erros de ataque (saindo de 3.4 para 3.7).
Leia mais
- Com Shai Gilgeous-Alexander, Thunder bate Spurs e abre 3 a 2
- Boletim de rumores e trocas da NBA (27/05/2026)
- “Timberwolves pode ter feito as piores trocas da história da NBA”, diz analista
A grande questão é que Shai Gilgeous-Alexander, um atleta que faz seu jogo de forma simples, parece fazer coisa espetacular. Mas por que? Simples: ele não abusa dos erros de ataque, é um excelente defensor e capaz de produzir de um jeito que seria traduzido para ainda melhor em outros anos.
Claro que seu centro de gravidade parece com um balanço fora do normal no ato do arremesso. Ele cai muito e chama a atenção dos árbitros. É a única coisa que você pode reclamar dele. Precisa? Não. Mas o cara para ser duas vezes MVP de forma consecutiva, não pode ser qualquer um.
Bem, é fato que Shai parece ter um jogo comum, se você pensar em 2010/11, mas seus números não são. E ninguém consegue marcar, o que é ainda mais absurdo.
Se você ainda lembrar que o flop era meio que legalizado naquela época, ele iria ainda mais para o lance livre. Tanto que eram mais tentativas da linha do que em 2025/26.
Em números, já com ajustes de ritmo e três pontos
| Temporada | PTS | AST | 3PA | 3P% | FG% |
|---|---|---|---|---|---|
| 2025/26 | 31.1 | 6.6 | 4.4 | 38.6 | 55.3 |
| 2010/11 | 29.0 | 6.1 | 2.16 | 38.6 | 57.8 |
Já com o USG% ajustado, número de arremessos de dois (subindo de 15.8 para 18.1), note que o seu percentual de arremessos gerais sobe para 57.8%. Então, Shai teria um jogo ainda mais eficiente, com menos erros de ataque (2.2 para 2.0).
Para ter uma ideia, Chris Paul, melhor armador em 2010/11, teve 2.2 turnovers. Claro que é só uma comparação, mas Gilgeous-Alexander, ainda assim, seria superior ao que já é hoje.
Era papo para brigar com LeBron James pelo MVP todo ano. Só para comparar, James, em seu primeiro ano de Miami Heat, teve 26.7 pontos, 7.7 rebotes, 7.0 assistências, 3.6 erros de ataque e 51% de FG.
Ou seja, Shai faz o jogo “simples” parecer ainda mais fácil. E não é.
comentários