O Brooklyn Nets andou fazendo negócios não muito bons ultimamente, mas entre 2012 e 2013, a equipe fez algumas das piores trocas de todos os tempos da NBA. Aquelas negociações atrasaram o futuro de uma franquia por vários anos.
Troca I
Primeiro, no dia 15 de março de 2012, o time enviou Mehmet Okur, Shawne Williams e a escolha de primeira rodada do Draft daquele ano para o Portland Trail Blazers por Gerald Wallace.
Enquanto Okur estava próximo de se aposentar por problemas com lesões, Williams era um jogador apenas mediano e passou por sete times em sete anos. Por outro lado, Wallace era um ala atlético, mas já não estava mais no auge. Até aí, tudo certo.
Mas o Nets mandou a pick para o Blazers sem motivo aparente. Agora, adivinha o que ela virou?
Ninguém menos que Damian Lillard.
Sim, o Nets queria muito Wallace e até entendo o movimento pelo aspecto defensivo e das mudanças que iriam acontecer em breve, mas precisava dar a escolha? Mas realmente não entendo porque a equipe estava com uma campanha horrível e terminou com 22 vitórias em 66 jogos (temporada reduzida pelo locaute). Então, não fazia sentido dar uma escolha potencialmente alta para ter um ala que estava em declínio.
Claro que Okur foi no pacote com um peso similar a de um papel. Apesar de ele ter um All Star Game na carreira, as contusões fizeram com que o turco jogasse apenas 30 partidas nos últimos dois anos.
Mas sabe o que Wallace fez na equipe? No ano de uma de suas piores trocas, o Brooklyn Nets, que tinha uma das piores campanhas da NBA, recebeu um jogador que produziu respeitáveis 15.2 pontos e 6.8 rebotes em 2011/12, mas despencou para 7.7 pontos e 4.6 rebotes em 2012/13 em cerca de 30 minutos.
Será que custou caro?
Troca II
Pouco mais de um ano depois, a diretoria estava en fuego. O Brooklyn Nets queria um título com certa urgência, então o caminho seria fazer trocas, como sempre. Aí, sim, nós fomos surpreendidos novamente.
O Nets enviou o mesmo Gerald Wallace, além de Kris Humphries, Kris Joseph, Keith Bogans e MarShon Brooks para o Boston Celtics. Mas a equipe queria mandar escolhas de Draft e, como resultado, foram as de 2014, 2016, 2017 e 2018 para o time de Massachusetts.
Em contrapartida, o Celtics entregou os veteranos Paul Pierce, Kevin Garnett, Jason Terry, o então jovem DJ White, a escolha de primeira rodada de 2017 e a segunda de 2017.
Mas sabe o que aquelas picks viraram?
De 2014, tudo bem, foi o não famoso James Young. No entanto, a de 2016 virou Jaylen Brown e a de 2017 se tornou Jayson Tatum (via Philadelphia 76ers por Markelle Fultz). A de 2018 (Collin Sexton), entretanto, o Celtics colocou no pacote por Kyrie Irving. É que Irving é cabeça de vento, brigou com a direção e pulou fora do barco, mas olha só o que Boston aprontou com o Nets.
De novo, até entendo a ideia da direção. Deram um All in para montar um elenco com grandes nomes (Deron Williams, Joe Johnson, Brook Lopez, além de Pierce, Garnett e Terry), mas não deu liga.
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Time campeão?
Vamos lá. Na época, Kevin Garnett estava em claro declínio, mas ainda era um ótimo defensor. Aos 37 anos, no entanto, ele poderia fazer pouco (e realmente o fez). Paul Pierce, por outro lado, conseguia se virar no ataque, mas era apenas a quarta opção de ataque no Nets. Por fim, Terry quase não jogava.
Em suma, o Nets mandou um monte de jogadores medianos ou ruins e todas aquelas escolhas de primeira rodada para ter uma quarta opção ofensiva e um veterano que jogava 20 minutos por noite.
Nos playoffs, após finalizar com 44 vitórias em 82 jogos, Brooklyn superou o Toronto Raptors em sete partidas na primeira rodada e caiu diante do Miami Heat por 4 a 1.
Foi um desastre, pois Pierce não ficou para o ano seguinte e, no meio da temporada 2014/15, mandou Garnett em troca para encerrar a carreira no Minnesota Timberwolves.
Enquanto a NBA aguardava por um Nets forte, o time fez as piores trocas que poderia fazer, destruindo seu futuro.
Todavia, o GM Sean Marks chegou para salvar.
Entre 2016 e 2018, o Nets somou 69 vitórias em 246 partidas, ficando bem longe dos playoffs, mas Marks colocou a casa em orden.
Só Marks salva
AFP
Com o acúmulo de derrotas, pouco adiantava o Brooklyn Nets ficar nas últimas posições, pois as escolhas de Draft estavam nas mãos do Boston Celtics. Então, Sean Marks (foto) começou a trabalhar pelo futuro.
Primeiro, ele contratou Kenny Atkinson para o cargo de treinador.
Depois, enviou Thaddeus Young para o Indiana Pacers duas semanas depois do Draft de 2016. Como resultado, chegaram Caris LeVert, a escolha 20 daquele ano e a pick de segunda rodada de 2021 (Kessler Edwards).
Ainda naquele ano, Marks contratou Joe Harris, então agente livre do Cleveland Cavaliers. Como Harris estava abaixo do radar, foi fácil. Futuramente, ele se tornou um dos melhores arremessadores da liga e titular no Nets.
Posteriormente, o diretor assinou com Spencer Dinwiddie e mandou Bojan Bogdanovic para o Washington Wizards pela escolha de primeira rodada de 2017 (Jarrett Allen foi selecionado). Por fim, mandou Brook Lopez e a escolha de primeira rodada de 17 (Kyle Kuzma) por D’Angelo Russell e Timofey Mozgov.
O resultado veio em 2018/19, com a classificação para os playoffs pela primeira vez desde 2014/15.
O Nets caiu na primeira rodada, mas sem problemas. O trabalho estava sendo feito.
Nova formação pelo título
Embora o Brooklyn Nets estivesse formando um elenco para o futuro, veio a chance (de novo) para brigar por título. Então, Kevin Durant, Kyrie Irving e DeAndre Jordan chegaram com a missão de fazer a equipe vencedora.
Depois, todo mundo sabe o que aconteceu.
O time fez troca por James Harden, mas as coisas não saíram como se esperava e o astro foi para o Philadelphia 76ers. Ao menos, Ben Simmons chegou ao Nets naquelas trocas que não foram das piores na NBA. Apesar de Simmons ainda não ter pisado em quadra pela equipe, trata-se de um ótimo defensor e com ótima visão de quadra. Ainda pode funcionar.
Mas, sinceramente, vejo que o Nets está tentando retomar o controle. Não quer trocar Durant por qualquer coisa, enquanto Irving não ganhou extensão. Portanto, Joe Tsai tomou uma grande decisão em manter Marks e não caiu no ultimato do ala.
O Nets ainda pode se reagrupar e lutar pelo campeonato. Basta confiar no trabalho do GM para não fazer bobagens como há dez anos.
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