Memória curta. Dirigentes esportivos são todos iguais. Às vezes, o discurso é um, mas ação é outra. E a demissão de Filipe Luís nesta madrugada não é nada diferente do que acontece em todos os lugares, seja no Flamengo ou em times da NBA.
Primeiro, é preciso entender que as direções não querem saber de nada além do resultado. Tudo é resultado. Não importa qual a competição, embora a importância, às vezes, seja quase nula. Filipe Luís caiu no conto dos dirigientes: ele achou que trabalhava ao lado de gente diferente. Mas achou errado.
No fim, todos são iguais.
São os mesmos que demitem Émerson Leão no avião ou mandam Chris Paul embora no hotel de Atlanta. Afinal, o que eles querem mesmo? Resultado.
Foi assim que Paul deixou a NBA. Apesar de mostrar que havia um problema generalizado no Los Angeles Clippers, a direção pediu para ele ficar calado. Como se as coisas se resolvessem da noite para o dia.
E nada é mais simbólico do que o Flamengo fazer o que fez com o técnico. Um cara jovem, inteligente, que acabou de ser campeão dos dois torneios mais importantes para o clube, mas é demitido três meses depois por não “fazer o time jogar”.
Ora, amigos. O motivo é raso.
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Qual é a importância de uma Recopa ou de uma Supercopa?
Mas mais do que isso: o discurso da direção era que a meta estava no Brasileiro e na Libertadores, campeonatos que venceu há pouco mais de 90 dias. E com um ano mais cheio, com mais competições, a ideia foi poupar os principais nomes do time no Estadual.
No entanto, ao não funcionar, o clube precisou colocar seus grandes jogadores em campo. Não estavam prontos, pois é começo de temporada. Pouco tiveram tempo de trabalho e logo estavam disputando finais de torneios insignificantes.
Só que aí entram outros pontos.
Dinheiro
Embora as finais não tenham um valor especial, como classificação direta para outras fases da Libertadores ou algo assim, tinham em dinheiro. O Flamengo deixou de arrecadar cerca de R$10 milhões com as derrotas.
Financeiramente, para um clube tão estruturado como é, isso não deveria ser um problema. Afinal, ganhou cerca de R$4.3 milhões por jogo em 2025.
Mas a pressão por começar mal o ano e um técnico de ponta dando sopa aceleraram os planos.
Foi fora de hora, sob um propósito ruim, mas sacar Filipe Luís após levar o Flamengo a vencer uma semifinal por 8 a 0, foi como na NBA dos últimos anos: ninguém entendeu nada.
Resultados ruins
O time da base não vingou no Estadual e o Flamengo teve de trazer os titulares antes da hora. E não tinha ninguém pronto: jovens e “medalhões”. Enquanto os primeiros não deram o resultado que o time queria logo de cara, os principais jogadores estavam “crus”.
Não houve tempo para uma pré-temporada ou algo assim. O Carioca era para ser isso, mas pouco adiantou.
NBA viu demissões sem muito sentido
Há pouco mais de um ano, Sacramento Kings, Memphis Grizzlies e Denver Nuggets demitiram seus técnicos assim. De verdade, ninguém entendeu.
Não é como se o Kings tivesse melhorado muito sob o comando de Doug Christie. O time mandou Mike Brown embora após estender seu contrato pouco antes. E foi o único técnico a levar a equipe aos playoffs nas últimas duas décadas. Hoje, Brown comanda o New York Knicks.
Logo depois, Taylor Jenkins perdeu seu cargo no Grizzlies uma semana antes dos playoffs. E Jenkins foi o mesmo que fez o time de Memphis ficar em segundo no Oeste por dois anos consecutivos.
Por fim, o Nuggets trocou Michael Malone, campeão em 2023, por David Adelman. Assim como Memphis, Denver o fez dias antes dos playoffs.
Não pareceu tanto por resultados, pois os três times não mudaram para um patamar melhor. Mas, no fim, foi.
As direções acreditaram que podiam extrair algo melhor com outros treinadores. E não é bem assim, apesar de Adelman fazer um bom trabalho.
Discurso é um, mas a prática é outra
Pedrinho, ídolo e presidente do Vasco, foi um ótimo comentarista no SporTV. Além do que falava em campo, suas críticas a dirigentes eram implacáveis. E ele tinha razão em tudo o que dizia, pois achava que os clubes deviam ter mais paciência com técnicos.
Na última semana, André Rizek, seu então colega de bancada, falou que Pedrinho se arrependeu quando foi para o outro lado. Assim que entendeu como as coisas eram em seu novo cargo, mudou de opinião.
A pressão que ele sofre por resultados no Vasco é similar ao que ele recebia em campo. Mas, agora, ele vê que não tem como demitir todo o elenco. É muito mais fácil mandar o técnico embora: uma cultura que teima em não acabar.
Nesta terça-feira, como na NBA há um ano, o Flamengo demitiu Filipe Luís, um técnico que venceu os títulos mais importantes e relevantes, após resultados ruins. Elogiado e blindado até poucos dias, o treinador foi mais um na conta.
Tudo é dinheiro, tudo é resultado. Ninguém está a salvo.
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Fonte: Reprodução / X

