Passagem de LeBron James pelo Lakers foi abaixo do que franquia esperava
Astro deixa time de Los Angeles após um título em oito anos
A direção do Los Angeles Lakers recebeu de LeBron James a informação que a franquia buscava há um ano: ele está indo embora. A ideia de juntar o jogador mais midiático com o time mais popular foi um sucesso, mas termina de forma melancólica. LeBron deixa a equipe após oito temporadas, um título e um “gosto” de que poderia ser melhor.
Nós podemos ver de duas formas: o copo meio cheio ou meio vazio. Aí, é com você. Mas o fato é que o “casamento” colheu fruto. E não estou falando de Bronny, como se o Lakers fosse a mãe.
Com LeBron James, o Lakers foi campeão da NBA em 2020, quebrando um jejum de uma década. E só não foi maior que o tempo em que o time jogava em Minneapolis e voltou a conquistar o título 18 anos depois, além daquele período quando Shaquille O’Neal e Kobe Bryant venceram em 2000, após 12.
Pense como for, James deu ao time um troféu e os fãs da equipe jamais vão reclamar disso. Anos depois, venceu a Copa da NBA inaugural. Então, não dá para dizer que foi perda de tempo. Para o imediatista, talvez. Mas se você pensar que no mesmo período em que ele esteve em Los Angeles, só o Golden State Warriors foi às finais duas vezes pelo Oeste, dá para entender que o nível de competitividade é mais alto.
Claro que, quando a direção do Lakers viu LeBron deixando o Cleveland Cavaliers, em 2018, pensou que poderia ser campeão várias vezes. Afinal, ele levou o Cavs às finais por quatro anos consecutivos e seria o caso de dar a ele peças para acabar com o próprio jejum.
Mas quem disse que seria fácil?
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O que o Lakers queria de LeBron James, como uma franquia, foi um sucesso. A equipe buscava acabar com o longo período de vacas magras. Afinal, foram cinco anos sem playoffs antes de sua chegada. E quando estreou, ele estava rodeado de jovens promissores, mas muito crus.
Foi ali que começou o movimento “LeBron vai trocar você” nos ginásios da NBA. E, de fato, foi o que aconteceu. Brandon Ingram, Lonzo Ball, Kyle Kuzma, Josh Hart, Alex Caruso e Ivica Zubac viraram muito bons jogadores. No entanto, não estavam prontos. Kuzma e Caruso foram campeões ao seu lado na “bolha” de Orlando, mas logo foram embora. O desejo de conquistar mais títulos fez a equipe acreditar.
Então, quando viram o sucesso que foi quando trocaram por Anthony Davis, é óbvio que acreditaram na receita: trocar jovens e escolhas de Draft por grandes jogadores. Não deu certo e a culpa não caiu toda em LeBron quando o Lakers falhou miseravelmente com o encaixe que nunca houve com Russell Westbrook.
Mas quem pediu Westbrook? Sim, foi James. E não só ele, pois Davis esteve ao seu lado em conversas com Damian Lillard e DeMar DeRozan. Havia a necessidade de um terceiro astro ali.
Foi um fracasso total, enquanto o armador, que tinha sido MVP em 2017, saiu com o o real culpado. E detalhe: quando o Lakers troca Westbrook no ano seguinte, LeBron e Davis levam o time às finais do Oeste em uma recuperação pouco antes vista.
Como franquia, Lakers esperava mais de LeBron James
Até então, LeBron era “o cara”. Ainda havia uma confiança enorme em seu trabalho. Ninguém disputa tantas finais se não tiver algo a mais ali. Mas as coisas são diferentes no Oeste. E o tempo, embora seja maravilhosamente generoso com James, cobra dívidas.
Para um jogador como LeBron James, os seus últimos quatro anos foram bem difíceis em vários aspectos. Fisicamente, ele passou a se machucar com mais frequência. Tecnicamente, ele só defendia em jogos mais importantes (depende do ano, também). James sabia que precisava se poupar e deixava para mostrar o seu melhor nos playoffs.
Então, em 2024/25, após um acordo com JJ Redick, o ataque passa a fluir mais com Davis sendo a primeira opção. E o time dava sinais de que o “bastão” estava sendo passado de uma forma mais natural. Mas veio a troca…
Luka Doncic chega
Quando Anthony Davis vai para o Dallas Mavericks por Luka Doncic, o Lakers indica que a “passagem do bastão” na franquia vai continuar, mas por outro jogador. Agora, não era mais para Davis.
Aos poucos, a “experiência LeBron” começa a pesar. Ele dá entrevistas cutucando a direção por mais talento, enquanto Rich Paul, seu agente e sócio, não consegue mais empurrar seus jogadores para Los Angeles.
Aliás, a entrevista de Paul, há cerca de um ano, exigindo que o Lakers fizesse trocas para LeBron James ser campeão mais uma vez na NBA, deixa a franquia com apenas um pensamento: o fim. A parceria precisava acabar, pois seria ótimo para os dois lados.
Para o legado de LeBron, claro, era ruim. Ele não queria ser agente livre aos 41 anos. James queria ter o controle da narrativa, assim como qualquer grande jogador da liga.
Ele, então, manteve a opção em seu vínculo. Ao contrário de outros anos, o Lakers não “comemora” a permanência de LeBron. Não houve uma nota de rodapé, sequer, sobre aquilo. Um silêncio.
O início do fim
E se tem um jogador que sabe se promover é LeBron James. Ao ver que o Lakers deu de ombros por sua sequência no time, ele começou a fazer coisas para chamar a atenção.
Primeiro, uma foto estratégica de sua esposa ao seu lado usando uma camisa do Cleveland Cavaliers. Depois, frases como “de volta para a casa” ao chegar em Cleveland. Treinos no ginásio do Cavs e tudo mais, sempre registrados em suas redes sociais.
É óbvio que ele é de lá. Nasceu em Akron, Ohio. Então, Cleveland é sua casa. Mas, para quem entendeu aquilo, foi simples. Ele estava a fim de mostrar que poderia jogar em outro lugar, já que o Lakers não o queria mais.
Quando volta das férias em Cleveland, mais uma foto: com o logo do Los Angeles Clippers ao fundo, ele estava treinando na academia e publicou em suas redes. De novo, ele é esperto.
Como Davis estava em Dallas, os rumores eram de que LeBron James poderia ir para o Mavs, Clippers, Heat ou Cavs. Se o Lakers não deu a ele uma narrativa, ele criou outra.
O fim
Após se machucar, LeBron James não começou a temporada 2025/26 com o Lakers, enquanto a franquia dava mostras do que seria sem ele. Luka Doncic e Austin Reaves fizeram grandes jogos juntos e o time rendeu muito bem.
Quando volta, os resultados já não eram mais os mesmos. Ele, no entanto, não deixou de ser profissional. Seguiu jogando e abriu mão da sequência de mais de mil jogos com dez pontos a mais pela vitória contra o Toronto Raptors. James passou a bola para Rui Hachimura acertar o arremesso e o time venceu.
Mas, ao mesmo tempo, o clima era outro. Era muito mais do time de Luka do que o de LeBron. E foi assim até o fim da fase regular. Só que, nos playoffs, James fez questão de mostrar que ele ainda estava ali e brilhou na série contra o Houston Rockets.
LeBron deixa o Lakers antes que o Lakers o deixasse. Havia todo o sinal de que o time já não o queria mais como “o cara”, então houve uma tentativa de dar a ele um contrato para 2026/27. Não mais como um vínculo máximo, mas depois de priorizar a extensão de Reaves e a contratação de um pivô.
James não quis passar por aquilo.
E ele sabe que o mercado não tem dinheiro, então vai atrás de felicidade. Pode ir para um time com chances de ser campeão, como o Heat ou Cavs, mas existe a chance “mais romântica” de terminar a carreira ao lado de Stephen Curry, contra quem fez quatro finais consecutivas e, também, de Akron.
Seja como for, a carreira de LeBron ainda é espetacular. São menos títulos que poderia ou deveria, mas sua passagem pelo Lakers foi longe de ser ruim. Bem longe.
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