Spurs dá salto, mas precisa de troca para ser campeão da NBA
Time texano foi às finais após ficar seis anos fora dos playoffs

Foi um grande salto. Há cerca de oito meses, ninguém diria que a final seria entre New York Knicks e San Antonio Spurs. Em hipótese alguma. O Knicks ainda vinha de “bater na trave” ao disputar a decisão do Leste há um ano, mas só. Dizer que o Spurs poderia brigar para ser campeão da NBA, sem nenhuma grande troca na offseason, era quase uma utopia.
É aquele tipo de pergunta que se faz antes de uma temporada começar: você, como torcedor do time, se tivesse o poder para tal, aceitaria ser vice da NBA lá em outubro de 2025? Nem teria de fazer a campanha. Mas sem nenhuma troca ao longo da temporada, era só aceitar. Eu tenho certeza que todos fariam o acordo.
Claro que o que o Spurs fez logo nos primeiros meses já deu a entender que poderia ir aos playoffs da NBA. A última troca foi por De’Aaron Fox, enquanto o time teve muitos problemas para fechar 2024/25.
Afinal, Victor Wembanyama teve problemas de saúde, Fox se machucou e o time parecia desconectado. No mínimo, não dava sinais de que poderia fazer mais do que brigar por uma classificação aos playoffs em 2026.
No Draft de 2025, o Spurs ficou com a segunda escolha e havia a dúvida se o time usaria a pick por uma troca por Giannis Antetokounmpo. Claro, se tivesse a primeira, iria de Cooper Flagg sem pensar muito. Mas, pelo talento, foi em Dylan Harper.
San Antonio não foi por encaixe ali. Cravou que ia selecionar Dylan Harper, enquanto a troca pelo grego jamais passou de rumor. Ao mesmo tempo, a direção bancou que ele teria de jogar com Stephon Castle e Fox.
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E isso, para uma pick dois, é algo difícil de lidar. O jogador esperava chegar à NBA, ainda mais em um time como o Spurs, que vinha de temporadas ruins, e ganhar a titularidade logo de cara.
Não foi o que aconteceu. Na verdade, ele até se frustrou com isso. De acordo com Devin Vassell, logo após a derrota para o Knicks, Harper não gostou como foi usado pelo técnico Mitch Johnson e nem de seus minutos.
De novo, dá para entender os dois lados. Afinal, o Spurs fez a troca por Fox como uma oportunidade de negócio na NBA e, pouco mais de um ano depois, brigou para ser campeão. No entanto, Harper foi tudo, menos um calouro. Ele parecia ser um veterano em quadra, bem mais que o próprio Castle, que tinha um ano a mais de experiência.
E se pensar que houve o salto, então é preciso recalcular a rota. Até a final contra o Knicks, eu não achava que Fox deveria ser trocado. De forma alguma. Se você lembrar, quando ele volta no terceiro jogo contra o Thunder, o time acalma e os erros de ataque despencam. Então, era simples: não tinha motivo para trocar o armador. Enquanto isso, Castle e Harper ganhariam “casca”.
Mas, depois do que vimos contra o Knicks, o papo é outro. O Spurs precisa de uma troca envolvendo o armador.
Como trocar um jogador que perdeu mercado?
Aí, é outra questão. Quando Fox faz 12.8 pontos, 5.0 assistências e acerta 25% de três em uma série final da NBA, tem um erro grave que custa o empate na série, ele precisa sair em troca.
O problema disso é um só: ele perdeu muito mercado. E mais do que isso, Fox tem US$223 milhões a receber pelos próximos quatro anos.
Claro que na NBA todo jogador pode acabar saindo em uma troca, mas o Spurs, se quer ser campeão nos próximos anos, tem de “pagar” para isso acontecer. Isso, se for agora, na offseason. Do contrário, e é o que eu faria, não mexeria ali antes da trade deadline.
Afinal, se tem uma chance de recuperar minimamente o investimento, trocar agora seria uma decisão terrível. Primeiro, porque você precisa olhar como está o mercado de armadores.
Muitos times que precisam de alguém da função devem resolver isso no Draft ou na agência livre. Um deles, curiosamente, é o Sacramento Kings, de onde saiu para San Antonio.
Sim, tem que trocar. Mas o melhor é esperar até fevereiro, quando Fox vai ter tempo para recuperar minimamente seu valor. Se for agora, o Spurs terá de dar escolhas na troca. Nem que seja só para “desovar”. Então, o ideal é agir com cautela.
Soluções
Antes de trabalhar por uma troca, o Spurs pode olhar para a agência livre e tentar bons acordos. Falta um ala-pivô de origem, alguém para fazer o “jogo sujo” no garrafão e arremessar de três. No mínimo, saindo do banco de reservas.
Para 2026/27, San Antonio terá cerca de US$15 milhões de espaço em sua folha, mas com nove jogadores. Pode tentar contratar um ala-pivô como Tobias Harris, por exemplo, pagando um valor dentro dos limites. Afinal, a partir de agora, o time vai começar a atrair agentes livres.
Victor Wembanyama cresce, mas deixa sinais ruins
Certo. Victor Wembanyama é incrível, faz coisas espetaculares e tem talento para ser MVP pelos próximos anos. No entanto, o Spurs precisa ligar o sinal de alerta para ser campeão da NBA.
Primeiro, ele pareceu muito instável emocionalmente. Duas cotoveladas ao longo dos playoffs, fora aquele lance em que empurra Jalen Brunson e nas vezes em que deixou o pé para o armador pisar, não são coisas que você espera de alguém como ele. De forma alguma.
São sinais ruins. Sua entrevista após o jogo, quando apareceu todo frustrado, também foi péssima.
Claro que é legal ele se importar muito com o basquete, mas tem de controlar o ego. O Spurs precisa de alguém para fazer isso, pois a NBA já percebeu isso e pode usar tudo contra ele.
Mas, ao mesmo tempo, tem de fazer o grupo amadurecer. Afinal, abrir mais de dez pontos em todos os jogos das finais e perder quatro de cinco, é porque precisa de alguém para liderar, especialmente ao lado da quadra.
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