Sem título, chato e gênio: Chris Paul deixa NBA

Após volta conturbada pelo Clippers, armador encerrou a carreira aos 40 anos na última sexta-feira (13)

NBA Chris Paul título Fonte: Reprodução / X

Chris Paul é mais um grande astro a deixar o basquete sem um título da NBA na carreira. Ele não é o primeiro e nem será o último, mas é mais um na lista que conta com nomes pesados na história da liga. Nessa sexta-feira (13), Paul parou de jogar. Não foi como queria, mas a sua fama de chato o atrapalhou.

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Todo mundo sabia que Chris Paul ia encerrar a carreira em breve. Então, quando fechou com o Los Angeles Clippers, ficou muito mais claro que seria um ano para se despedir do basquete no time que ajudou a recolocar no mapa. Não entenda de forma errada, pois o Clippers foi aos playoffs só uma vez em 14 anos antes de chegar à equipe.

Desde que foi para lá em troca, as coisas mudaram para a franquia, que passou a disputar a fase decisiva da NBA em todos os anos que vestiu a camisa. Então, parar no Clippers era a escolha certa para os dois lados.

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Mas você sabe que existe uma coisa chamada ego, né?

Assim que Chris Paul voltou ao Clippers, James Harden ascendeu o alerta, pois pensava que poderia atrapalhar o time a ter foco pelo título da NBA. Eles jogaram juntos no Houston Rockets e, apesar de ir aos playoffs naqueles dois anos, os bastidores apontavam para uma crise de ciúmes por parte de Harden. Ele já estava lá antes e queria os méritos, as melhores opções, o protagonismo, enfim.

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E tudo que poderia ser uma despedida com honra, tornou-se um pesadelo para time e jogador. Não se esqueça: Chris Paul, como jogador, era muito exigente, cobrava de colegas e, por sua história na NBA, ganhou o direito de ter a palavra com técnicos e dirigentes.

É o clássico chato, mas sempre pensando no bem da franquia que representa.

Só que muita gente dentro dos vestiários via aquilo como uma afronta. Lembra do ego?

Como é que um cara que voltou agora para o time pode “sentar na janelinha”?

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Acontece. Ele estava preocupado com o péssimo início do Clippers, enquanto via ali a sua última chance. Chris Paul achava que poderia ganhar o seu título da NBA e se aposentar com aquela camisa.

Não deu.

As pessoas com quem trabalhou em sua volta não entenderam que ele queria falar e tentar ajudar. Viram como uma quebra de hierarquia, especialmente o técnico Tyronn Lue.

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Então, a direção o afastou do grupo quando a equipe estava em um hotel em Atlanta. Não esperaram nem voltar para Los Angeles.

Dois meses depois, foi em troca para o Toronto Raptors, mas o time canadense disse que ele não precisava se apresentar. Após uma semana, o Raptors o dispensou e ele anunciou sua saída da NBA.

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Rivalidade fez Chris Paul ser espetacular

Quem o viu só de alguns anos até aqui, acha que Chris Paul era superestimado. Normal, pois não acompanhou sua melhor fase.

E quem o viu só depois do Clippers, não tem ideia de como ele era ainda melhor antes. Uma lesão no joelho, no entanto, tirou dele parte da explosão. Ele ficou ainda mais técnico, mas aquele jogador do New Orleans Hornets era nível superstar todos os anos.

E foi por lá que ele se envolveu em uma rivalidade enorme nos anos 2000 com Deron Williams, que estava no Utah Jazz.

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Havia uma disputa entre os dois para saber quem era o melhor armador da NBA. Ambos chegaram à NBA no mesmo Draft (2005) e levaram seus times aos playoffs.

Não durou muito tempo, pois quando Williams deixou o Jazz em troca para o então New Jersey Nets, ele só voltou a ser All-Star mais uma vez.

No total, Williams foi três vezes All-Star e duas All-NBA. Ele parou aos 32 anos, em 2016/17.

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Chris Paul, por outro lado, encerra a carreira com 12 seleções para o Jogo das Estrelas, 11 times ideais da NBA, nove de defesa e um dos 75 melhores jogadores da história.

Sem Williams, Paul seria ótimo. Mas com ele, o nível de exigência foi outro. O ajudou a chegar em níveis bem diferentes.

Troca frustrada

O Los Angeles Lakers tinha acabado de conquistar mais um título e buscava uma troca por Chris Paul para seguir em alta na NBA. E o negócio veio.

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Em troca tripla, que envolveu ainda o Houston Rockets, o Lakers receberia Marcus Banks e Jason Smith, além de Paul. Enquanto isso, o Hornets ficaria com Lamar Odom e uma escolha de primeira rodada. Por fim, o Rockets teria Pau Gasol, Kevin Martin, Luis Scola e uma pick.

Mas a NBA vetou.

David Stern, então comissário da liga, foi pressionado por quase todos os outros donos de times. E tinha um agravante, pois o Hornets estava sem um mandatário. Como resultado, Stern avisou que a troca foi cancelada por “razões de basquete”.

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Três depois, o mesmo Hornets sem dono trocou Paul para o Clippers. Eric Gordon, Al-Farouq Aminu e Chris Kaman, além de uma pick, foram para Charlotte, enquanto o armador foi para o outro time de Los Angeles.

A felicidade deles indo para o Hornets foi contagiante.

Sequência da carreira: Clippers, Rockets, Thunder

De novo, o Clippers vinha em um período terrível na NBA. O time tinha um dono todo cheio de problemas, que chegou a ser banido pela liga em 2014. Mas, mesmo assim, a equipe sempre ia aos playoffs com Chris Paul e Blake Griffin.

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O Clippers ganhou uma identidade, foi candidato real ao título, mas não passou da semifinal do Oeste.

E sua saída para o Rockets, para jogar ao lado de Harden, parecia ser um atalho para ambos, mas os dois não se entenderam. Não houve química e, como explicamos acima, tinha o fator ego falando muito mais alto.

Dali, ele foi para o Oklahoma City Thunder em troca por Russell Westbrook. Só que sua presença atrapalhou os planos do Thunder, que pensava em ir para o tank em 2020.

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E mesmo veterano, ele levou o time aos playoffs. Mas para fazer o que conseguiu nos últimos anos, o Thunder o trocou.

Phoenix Suns

Aos 35 anos, Chris Paul chegou ao Suns para ser um complemento em um grupo bem jovem, mas deu tão certo que disputou o título da NBA no fim das contas. Ao lado de Devin Booker, Phoenix foi às finais contra o Milwaukee Bucks de Giannis Antetokounmpo.

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O Suns venceu os dois primeiros jogos, mas levou a virada, perdendo por 4 a 2 na decisão.

Paul ainda liderou a NBA em assistências em 2021/22, aos 36 anos, mas o time não conseguiu se recuperar daquilo e ele saiu em troca por Bradley Beal.

Grande negócio, viu?

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Warriors, Spurs e volta ao Clippers

Apesar de tudo, da idade, de seu jogo já não ser mais o mesmo, Chris Paul elevou o nível de Golden State Warriors e San Antonio Spurs. Ficou um ano em cada, mas os dois times tiveram mais vitórias depois que ele chegou em relação ao ano anterior.

Aliás, ele o fez em todas as equipes que passou. Ele sempre fez o time ter mais vitórias a partir de sua chegada, o que é um fato incrível.

Por fim, voltou ao Clippers, onde foi jogar ao lado do mesmo Beal. Mas foi por pouco tempo. Enquanto um foi afastado, o outro se machucou e vai perder o resto da campanha.

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Chris Paul merecia mais reconhecimento

Ninguém chega ao fim de uma carreira na liga com tantos prêmios, tantas vitórias, se não foi de um nível espetacular. Não tem como.

Título foi algo que faltou mesmo, mas não é uma tarefa fácil. Ele até foi atrás de uma chance para ser campeão. Só não deu acerto.

Outros grandes ídolos da NBA passaram pelo mesmo, mas Paul foi genial, espetacular. Um chato com seus colegas, árbitros e adversários. Com uma inteligência muito acima da média, ele deixa o jogo aos 40 anos.

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Uma pena que tenha sido assim. A NBA vai sentir sua falta.

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