Pronto, o Chicago Bulls entendeu, de forma tardia, que a troca de Nikola Vucevic era o último passo para reformular seu elenco na NBA. Talvez, não o último, mas com certeza algo importante. De acordo com Shams Charania, da ESPN, o time vai fazer mais negócios, o que é um ótimo sinal.
Após anos nos rumores de troca, Nikola Vucevic vai jogar pelo Boston Celtics até o fim de 2025/26. Se por um lado, o pivô renova as esperanças do torcedor do Celtics, por outro, escancara o que o Bulls devia ter feito há muito tempo. A direção só não entendia que estava perdendo tempo com jogadores veteranos.
O fã do Bulls só lamenta, mas não tem muito a fazer. Afinal, a última vez que o time deu algum motivo para ele sorrir na NBA foi há cinco anos, quando liderava o Leste em 2021/22. Mas a lesão de Lonzo Ball acabou com as esperanças daquela equipe. Desde então, não foi mais aos playoffs.
Naquele momento, DeMar DeRozan e Zach LaVine faziam a diferença, enquanto Vucevic era a segurança no ataque e nos rebotes. Só que ao perder Ball, o Bulls perdeu sua principal referência secreta. Ninguém tinha ideia do quão importante o armador era ali. A direção tentou manter o grupo e o único momento em que pareceu que poderia funcionar foi quando Patrick Beverley chegou.
Beverley foi o único que emulou o jogo de Ball e, com isso, Zach LaVine mostrou sua melhor versão nos dois lados da quadra. Apesar de todas as críticas, o cestinha era um bom marcador no homem da bola.
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No entanto, Beverley foi embora ao não querer a extensão que a diretoria do Bulls ofereceu. Aí, foi o caos, pois Chicago começou a “bater cabeça” e Arturas Karnisovas, depois de um ótimo trabalho ao lado de Tim Connelly no Denver Nugets, se perdeu.
Talvez, não por culpa só dele, mas dos donos do time.
Jerry Reinsdorf levou o Chicago White Sox ao título da MLB (liga de beisebol) 24 anos depois de comprar a franquia. Com o Bulls, demorou menos (seis), mas ele tinha ali o maior de todos os tempos, Michael Jordan, o que ajudou muito no caso.
Assim como no White Sox, Reinsdorf recebe muitas críticas por ser “mão de vaca”. Ou seja, ele não gosta de gastar. Desde 2013, o time da MLB só teve duas campanhas positivas e, em 2025, foi o 29° das 30 franquias em salários pagos.
Então, não é só na NBA que o dono do Bulls deixa os fãs frustrados.
A insistência em não pagar multas, em geral, sempre deixou o time em baixa. Isso assusta qualquer agente livre com um mínimo de vontade de jogar por lá.
Para ter uma ideia, o Bulls só pagou taxas duas vezes na liga, sendo a última delas em 2012/13. Então, faz sentido o time ter campanhas ruins desde que abriu mão de competir pelo título de 1999, após vencer seis em oito anos.
Alguns times fugiram da exceção, como o atual campeão, o Oklahoma City Thunder, além do vice, o Indiana Pacers. Mas o Thunder já terá de pagar multas na próxima campanha.
Troca de Nikola Vucevic muda cenário do Bulls na NBA
O mercado da região de Chicago é um dos maiores de toda a liga, bem diferente dos casos de Thunder e Pacers. Não pagar grandes salários implica em tirar o interesse de jogadores na agência livre. É só uma conta simples mesmo: não paga, não tem.
Como resultado, só faz boas aquisições via Draft ou troca, como se fosse um mercado pequeno. Uma mentalidade de time pequeno em um mercado que só perde para Nova York e Los Angeles.
Então, quando perde valor de troca em DeMar DeRozan, Zach LaVine e Nikola Vucevic, o Bulls mostra que sua direção é uma das piores da NBA. De novo, a maior parcela da culpa fica com o dono, mas o GM Marc Eversley e Karnisovas, vice-presidente de operações, também falham.
Eles “compram” o discurso de pagar pouco, mas fazem trocas achando que o time vai competir. E com as atuais regras salariais da liga, um bate de frente com o outro em vários sentidos.
De novo, o Thunder é uma exceção, uma aberração, mas que sofreu críticas pesadas por não jogar por vitórias ao longo dos últimos anos. Só que aí tem uma grande diferença: a gestão.
Seleções de Draft do Bulls e futuro
Vamos pegar só nos últimos dez anos, para não alongar muito. De 2016 até aqui, o Bulls só fez três grandes escolhas no Draft da NBA: Coby White, Ayo Dosunmu e Matas Buzelis. Você pode até ponderar sobre Wendell Carter ou Daniel Gafford, mas não passa disso.
Agora, White e Dosunmu devem sair em trocas. Mas você sabe o motivo?
Dinheiro.
Enquanto White quer ganhar cerca de US$30 milhões, Ayo Dosunmu tem um expirante de US$7.5 milhões (busca US$22 milhões por ano) e o Bulls não quer pagar o que eles estão pedindo.
E o Bulls recusou boas ofertas por White há cerca de um ano. Ninguém vai dar uma pick de 2026 por ele.
Como resultado, o time fez trocas para receber mais expirantes em Jaden Ivey e Anfernee Simons.
O Bulls tem um bom núcleo jovem, começando por Josh Giddey e Buzelis, mas esbarra em contratos como o de Patrick Williams. Se quiser se livrar do ala-pivô, a única alternativa é dar escolhas de Draft, pois seu vínculo (mais três anos) é horrível.
Agora, é a reconstrução. Sonhou com Giannis Antetokounmpo e acordou com Anfernee Simons.
A troca de Nikola Vucevic é só o começo para o Bulls na NBA. E como demorou.
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Fonte: Reprodução / X

